Ana
Rosa
Kucinski/Ana
Rosa
Silva
BIOGRAFIA
Militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Ana Rosa Kucinski é uma desaparecida política. Professora no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Ana Rosa desapareceu junto com seu marido, físico e também militante da ALN, Wilson Silva, em 1974. No ano seguinte a seu sequestro e desaparecimento, Ana Rosa foi absurdamente demitida da USP por “abandono de função”, quando todos sabiam que isso não tinha acontecido. Seus familiares procuraram em todos os locais de prisão na esperança de alguma notícia ou informação, mas nada conseguiram.
O pai de Ana Rosa, Majer Kucinski, lutou incansavelmente para obter alguma informação e se tornou um símbolo da luta dos familiares de desaparecidos políticos. Quarenta anos após o sequestro da professora por agentes da ditadura, em abril de 2014, a USP corrigiu o “equívoco” e anulou sua demissão por abandono de emprego. Em 2011, Bernardo Kucinski, irmão de Ana Rosa, publicou o livro “K.”, no qual narra, por meio de ficção, a saga de seu pai na busca pela filha.
A member of the National Liberation Action (ALN), Ana Rosa Kucinski is a missing politician. Professor at the Chemistry Institute of the University of São Paulo (USP), Ana Rosa disappeared together with her husband, physicist and also ALN activist, Wilson Silva, in 1974. The year following her kidnapping and disappearance, Ana Rosa was absurdly fired from USP for “abandonment of duty”, when everyone knew that this had not happened. His family members searched all the prison sites in the hope of some news or information, but they found nothing.
Ana Rosa's father, Majer Kucinski, fought tirelessly to obtain some information and became a symbol of the struggle of relatives of politically disappeared people. Forty years after the teacher's kidnapping by agents of the dictatorship, in April 2014, USP corrected the “mistake” and annulled her dismissal for job abandonment. In 2011, Bernardo Kucinski, Ana Rosa's brother, published the book “K.”, in which he narrates, through fiction, the saga of his father in search of his daughter.
Miembro de Acción de Liberación Nacional (ALN), Ana Rosa Kucinski es una política desaparecida. Ana Rosa, profesora del Instituto de Química de la Universidad de São Paulo (USP), desapareció junto con su marido, el físico y también militante de la ALN, Wilson Silva, en 1974. Al año siguiente de su secuestro y desaparición, Ana Rosa fue absurdamente despedida de la USP por “abandono del deber”, cuando todos sabían que eso no había sucedido. Sus familiares buscaron en todos los sitios penitenciarios con la esperanza de alguna noticia o información, pero no encontraron nada.
El padre de Ana Rosa, Majer Kucinski, luchó incansablemente para obtener alguna información y se convirtió en un símbolo de la lucha de los familiares de desaparecidos políticos. Cuarenta años después del secuestro de la docente por agentes de la dictadura, en abril de 2014, la USP corrigió el “error” y anuló su despido por abandono laboral. En 2011, Bernardo Kucinski, hermano de Ana Rosa, publicó el libro “K.”, en el que narra, a través de la ficción, la saga de su padre en busca de su hija.
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
Ana Rosa Kucinski desapareceu no dia 22 de abril de 1974, na companhia de seu marido, Wilson Silva, quando foi presa por agentes do Estado brasileiro, na cidade de São Paulo. Desde então, o Estado brasileiro apresentou diferentes posicionamentos para a prisão e desaparecimento de Ana Rosa e Wilson Silva.
A princípio, o Estado recusou-se a fornecer qualquer informação, em decorrência do não reconhecimento da prisão do casal de militantes. Em fevereiro de 1975, o então ministro da Justiça, Armando Falcão, tornou pública nota oficial, na qual os nomes de Ana Rosa Kucinski e Wilson Silva são citados como “terroristas foragidos”. Apenas em 1993, quase duas décadas após a prisão do casal, o relatório da Marinha, encaminhado ao Ministério da Justiça, confirmou que Wilson havia sido “preso em São Paulo a 22/04/1974, e dado como desaparecido desde então”.
No tocante a Ana Rosa, o documento apresenta acusações caluniosas, as quais são estendidas ao irmão dessa militante, Bernardo Kucinski. De acordo com depoimentos coletados pelas famílias de Wilson Silva e de Ana Rosa Kucinski, no dia 22 de abril de 1974, por volta do meio-dia, o casal havia marcado um almoço em um restaurante situado nas proximidades da Praça da República, no centro de São Paulo. Wilson, que trabalhava na empresa Servix, despediu-se de um colega de trabalho, Osmar Miranda Dias, e foi ao encontro da esposa. Ana também comunicou os seus planos aos colegas de departamento, e dirigiu-se à Praça da República. Desde então, o casal não voltou a ser visto.
No mesmo dia, as famílias Silva e Kucinski, alertadas pelos colegas de trabalho de Ana Rosa, tomaram providências no intuito de localizar os dois militantes. O advogado Aldo Lins e Silva impetrou habeas corpus, em favor de Ana Rosa e Wilson, entretanto, com fundamento no Ato Institucional nº5, o pedido foi negado. Em suma: nenhuma unidade militar ou policial reconhecia a prisão do casal.
Ao mesmo tempo, outras iniciativas políticas foram postas em marcha. O então Cardeal de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, conseguiu audiência com o chefe da Casa Civil do governo Geisel, o general Golbery do Couto e Silva. Na reunião, realizada na capital federal no dia 7 de agosto de 1974, foi prometida intensa investigação por parte do governo. Quatro meses depois, diante da ausência de informações concretas sobre o caso, a Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) foi acionada, no que foi respondida pelo governo brasileiro sobre a ausência de responsabilidade do Estado.
Apesar da impossibilidade de conseguir informações seguras, as famílias insistiram na luta pelo direito de saber o que havia acontecido com Wilson Silva e com Ana Rosa Kucinski. Com esse propósito, pediram informações ao departamento de Estado do governo norteamericano sobre o destino do casal, que respondeu por meio da American Jewish Communitee e do American Jewish Congress. Acerca de Ana Rosa, afirmaram que estaria viva. Quanto a Wilson, disse que desconheciam o seu paradeiro. Foram nesses termos também que, em 18 de dezembro de 1974, a família recebeu a última comunicação formal sobre o caso.
Ao longo dos anos, diferentes versões foram divulgadas para o desaparecimento dos dois militantes. Uma dessas versões pode ser encontrada no depoimento prestado à revista IstoÉ pelo tenente-médico Amílcar Lobo, que colaborou com o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do I Exército, e atuou também no aparelho clandestino conhecido como Casa da Morte, em Petrópolis (RJ). Na matéria intitulada “Longe do Ponto Final”, datada de 8 de abril de 1987, relatou os assassinatos que presenciara na Casa da Morte e no DOI-CODI do I Exército.
Procurado pelo jornalista Bernardo Kucinski, irmão de Ana Rosa, em 31 de maio de 1987, Lobo fez menção de rememorar Wilson Silva da Casa da Morte, mas não o admitiu formalmente. Por semelhante, foi Bernardo Kucinski quem prestou os seguintes esclarecimentos, por meio de requerimento à CEMDP, sobre o desaparecimento de sua irmã e seu cunhado, com fundamento nas declarações do agente da repressão José Rodrigues Gonçalves à jornalista Mônica Bérgamo, da revista Veja, em uma entrevista de 1993: “Minha irmã e seu marido Wilson Silva foram presos na tarde do dia 22 de abril de 1974, pelo agente do DOI-CODI de codinome Paulo da Silva Júnior, quando voltavam para sua residência. O verdadeiro nome desse agente é José Rodrigues Gonçalves, cabo reformado do Exército. Minha irmã e meu cunhado foram levados na madrugada do mesmo dia para Petrópolis pelos policiais Ênio Pimentel da Silveira e Sérgio Paranhos Fleury, ambos já mortos. O Sr. Paulo [Henrique] Sawaya [Filho], na condição presumida de agente do serviço de repressão, informou-me, em 3 de janeiro de 1975, que minha irmã efetivamente havia sido presa pelos órgãos de segurança em São Paulo e transferida da jurisdição do II Exército. Ficou de me dar detalhes no dia seguinte, quando, assustado, negou tudo. O Sr. Paulo Sawaya tornou-se assessor do deputado federal Delfim Neto.”
Já em depoimento prestado à Comissão Nacional da Verdade (CNV) no dia 30 de outubro de 2012, Marival Chaves Dias do Canto explicitou que Ana Rosa Kucinski e Wilson Silva foram levados à Casa da Morte ainda vivos. No dia 10 de maio de 2013, prestou outro depoimento à CNV, quando afirmou que Ana Rosa, Wilson e outros militantes da ALN foram presos após delação do agente infiltrado João Henrique Ferreira de Carvalho, o “Jota”, que depois passou a atuar como médico em Brasília. Naquela ocasião, ratificou a tentativa de extorsão à família de Ana Rosa por agentes do DOI, como já denunciado pelo irmão dela, Bernardo Kucinski. Ainda, em 7 de fevereiro de 2014, em novo depoimento, Marival confirmou que Ana Rosa e Wilson foram levados para Petrópolis pelo coronel do Exército Freddie Perdigão Pereira.
Complementando as informações sobre o desaparecimento de Ana Rosa e Wilson, o ex-delegado da Polícia Civil do Espírito Santo, Cláudio Guerra, por meio do livro ‘Memórias de uma Guerra Suja’, publicado em 2012, afirmou ter participado da incineração de corpos de presos políticos na Usina Cambahyba, em Campos (RJ), que pertencia ao ex-deputado federal e ex-vice-governador do estado do Rio de Janeiro, Heli Ribeiro Gomes. A CNV realizou perícia no local com o ex-delegado Cláudio Guerra e, ainda que não tenha sido possível encontrar evidências concretas do uso dos fornos para os fins declinados, verifica-se a plausibilidade desta versão diante de dois elementos principais: a) tamanho dos fornos; b) data de construção dos fornos, em 1974.
Sobre Ana Rosa Kucinski e Wilson Silva, Cláudio Guerra detalhou: “Eu me lembro muito bem do casal, Ana Rosa Kucinski e Wilson Silva, por conta de um incidente no caminho entre a rua Barão de Mesquita e a Usina. Eu e o sargento Levy, do DOI, fomos levar seus corpos. Os dois estavam completamente nus. A mulher apresentava muitas marcas de mordida no corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente. O jovem não tinha as unhas da mão direita. Tudo levava a crer que tinham sido torturados. Não havia perfuração de bala neles. Quem morre de tiro não sofre. Morte por tortura é muito mais desumano. Eu não prestava muita atenção nos cadáveres que transportava. Até porque eles nos eram entregues dentro de um saco. O problema é que, quando estávamos indo do Rio em direção a Campos, já quase chegando lá, bem naquela reta da estrada, o Chevette que viajávamos simplesmente pegou fogo. Os corpos do casal não tinham sido afetados pelo incêndio do carro. O que fizemos? Simplesmente saímos do veículo. Naquela época não havia celular, era tudo mais difícil. O sargento Levy pegou carona até um telefone público, ligou para a usina [Usina Cambahyba] e eles vieram nos resgatar na estrada.”
Segundo outro depoimento de Claudio Guerra, prestado à CNV em julho de 2014, a equipe do coronel Freddie Perdigão teria sido responsável pelas mortes de Ana Rosa e de Wilson. Ainda no âmbito das investigações efetuadas pela CNV, realizou-se uma oitiva com o ex-chefe da Assessoria Regional de Segurança e Informação do Ministério da Educação (MEC) em São Paulo, Arminak Cherkezian, no dia 1o de setembro de 2014 na cidade de São Paulo. Ao ser interpelado sobre Ana Rosa Kucinski, afirmou não se lembrar do caso: “Esse assunto nunca transitava, nós éramos comunicados o que estava acontecendo. O pessoal de campo que eles falavam, que produziam estes documentos, divulgavam também para a gente informar o ministro. A função das Assessorias é de informação ao ministro e recebemos do ministro, da Divisão [de Segurança e Informação] dele para distribuir também. Mas a isso [a mortes e desaparecimentos] nós não tínhamos acesso jamais.”
No entanto, em pesquisas realizadas nos livros de entrada do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS/SP), foi encontrado o registro, datado de 23 de abril de 1974, um dia depois do desaparecimento de Ana Rosa, da entrada do chefe da Assessoria Especial de Segurança e Informação (AESI) da USP, Krikor Tcherkezian, irmão de Arminak. Antes do dia 23, ainda no ano de 1974, o livro do DOPS registrou cinco entradas de Krikor, todas elas com rápida duração. No dia 23 de abril, Krikor ficou 1h30 naquela delegacia. Posteriormente, foram registradas mais cinco entradas do chefe da AESI/USP, todas rápidas, com exceção da visita de duas horas no dia 22 de maio de 1974. Krikor não foi localizado pela CNV.
Bernardo Kucinski, em termo de declarações prestado à Comissão de Justiça e Paz em 20 de setembro de 1990, disse haver encontrado um cidadão de nome Krikov no Quartel General do II Exército, em janeiro de 1975, que se apresentou como “assessor do reitor da USP”. Ele declarou nada saber sobre o paradeiro de Ana Rosa e Wilson, mas manifestou insatisfação com as delongas no andamento do processo administrativo que levaria à demissão de Ana Rosa pelo abandono de seu emprego como professora da USP, em outubro do mesmo ano.
Diante da privação de liberdade, da suposta morte e da ausência de identificação de seus restos mortais, a CNV entende que Ana Rosa Kucinski, até a presente data, permanece desaparecida.
Ana Rosa Kucinski disappeared on April 22, 1974, in the company of her husband, Wilson Silva, when she was arrested by agents of the Brazilian State, in the city of São Paulo. Since then, the Brazilian State has presented different positions regarding the arrest and disappearance of Ana Rosa and Wilson Silva.
At first, the State refused to provide any information, due to the failure to recognize the arrest of the militant couple. In February 1975, the then Minister of Justice, Armando Falcão, made public an official note, in which the names of Ana Rosa Kucinski and Wilson Silva are mentioned as “fugitive terrorists”. Only in 1993, almost two decades after the couple's arrest, did the Navy report, sent to the Ministry of Justice, confirm that Wilson had been “arrested in São Paulo on 04/22/1974, and reported missing since then”.
Regarding Ana Rosa, the document presents slanderous accusations, which are extended to this activist's brother, Bernardo Kucinski. According to statements collected by the families of Wilson Silva and Ana Rosa Kucinski, on April 22, 1974, around noon, the couple had scheduled lunch at a restaurant located near Praça da República, in the center of São Paulo. Wilson, who worked at the company Servix, said goodbye to a co-worker, Osmar Miranda Dias, and went to meet his wife. Ana also communicated her plans to her department colleagues, and headed to Praça da República. Since then, the couple has not been seen again.
On the same day, the Silva and Kucinski families, alerted by Ana Rosa's co-workers, took steps to locate the two militants. Lawyer Aldo Lins e Silva filed a habeas corpus petition in favor of Ana Rosa and Wilson, however, based on Institutional Act No. 5, the request was denied. In short: no military or police unit recognized the couple's arrest.
At the same time, other political initiatives were set in motion. The then Cardinal of São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, obtained an audience with the head of the Civil House of the Geisel government, General Golbery do Couto e Silva. At the meeting, held in the federal capital on August 7, 1974, an intense investigation by the government was promised. Four months later, given the lack of concrete information about the case, the Human Rights Commission of the Organization of American States (OAS) was contacted, which was responded to by the Brazilian government regarding the lack of State responsibility.
Despite the impossibility of obtaining reliable information, the families insisted on fighting for the right to know what had happened to Wilson Silva and Ana Rosa Kucinski. For this purpose, they asked the US government's State Department for information about the couple's fate, which responded through the American Jewish Communitee and the American Jewish Congress. Regarding Ana Rosa, they stated that she was alive. As for Wilson, he said they did not know his whereabouts. It was also in these terms that, on December 18, 1974, the family received the last formal communication about the case.
Over the years, different versions have been released regarding the disappearance of the two militants. One of these versions can be found in the statement given to IstoÉ magazine by medical lieutenant Amílcar Lobo, who collaborated with the Information Operations Detachment – Internal Defense Operations Center (DOI-CODI) of the 1st Army, and also worked in the clandestine apparatus known as Casa da Morte, in Petrópolis (RJ). In the article entitled “Far from the Final Point”, dated April 8, 1987, he reported the murders he had witnessed at the Casa da Morte and at the DOI-CODI of the 1st Army.
When contacted by journalist Bernardo Kucinski, Ana Rosa's brother, on May 31, 1987, Lobo mentioned remembering Wilson Silva from Casa da Morte, but did not formally admit it. Similarly, it was Bernardo Kucinski who provided the following clarifications, through a request to CEMDP, about the disappearance of his sister and brother-in-law, based on statements made by repression agent José Rodrigues Gonçalves to journalist Mônica Bérgamo, from Veja magazine, in a 1993 interview: “My sister and her husband Wilson Silva were arrested on the afternoon of April 22, 1974, by the DOI-CODI agent codenamed Paulo da Silva Júnior, when they returned to his residence. The real name of this agent is José Rodrigues Gonçalves, a retired Army corporal. My sister and my brother-in-law were taken in the early hours of the same day to Petrópolis by police officers Ênio Pimentel da Silveira and Sérgio Paranhos Fleury, both already dead. 1975, that my sister had actually been arrested by the security agencies in São Paulo and transferred from the jurisdiction of the Second Army. He had to give me details the next day, when, frightened, Mr. Paulo Sawaya became an advisor to federal deputy Delfim Neto.”
In a statement given to the National Truth Commission (CNV) on October 30, 2012, Marival Chaves Dias do Canto explained that Ana Rosa Kucinski and Wilson Silva were taken to the House of Death while they were still alive. On May 10, 2013, he gave another statement to the CNV, when he stated that Ana Rosa, Wilson and other ALN militants were arrested after a complaint from undercover agent João Henrique Ferreira de Carvalho, known as “Jota”, who later started working as a doctor in Brasília. On that occasion, he ratified the attempted extortion of Ana Rosa's family by DOI agents, as already denounced by her brother, Bernardo Kucinski. Furthermore, on February 7, 2014, in a new statement, Marival confirmed that Ana Rosa and Wilson were taken to Petrópolis by Army Colonel Freddie Perdigão Pereira.
Complementing the information about the disappearance of Ana Rosa and Wilson, the former delegate of the Civil Police of Espírito Santo, Cláudio Guerra, through the book 'Memórias de uma Guerra Suja', published in 2012, claimed to have participated in the incineration of bodies of political prisoners at Usina Cambahyba, in Campos (RJ), which belonged to the former federal deputy and former vice-governor of the state of Rio de Janeiro, Heli Ribeiro Gomes. The CNV carried out an on-site investigation with former delegate Cláudio Guerra and, although it was not possible to find concrete evidence of the use of the ovens for the proposed purposes, the plausibility of this version can be verified in view of two main elements: a) size of the ovens; b) date of construction of the furnaces, in 1974.
About Ana Rosa Kucinski and Wilson Silva, Cláudio Guerra detailed: "I remember the couple very well, Ana Rosa Kucinski and Wilson Silva, because of an incident on the way between Rua Barão de Mesquita and Usina. Sergeant Levy, from the DOI, and I went to take their bodies. They were both completely naked. The woman had many bite marks on her body, perhaps because she had been sexually assaulted. The young man did not have nails on his right hand. Everything led us to believe that they had sido torturados. Não havia perfuração de bala neles. Quem morre de tiro não sofre. Morte por tortura é muito mais desumano. Eu não prestava muita atenção nos cadáveres que transportava. Até porque eles nos eram entregues dentro de um saco. O problema é que, quando estávamos indo do Rio em direção a Campos, já quase chegando lá, bem naquela reta da estrada, o Chevette que viajávamos simplesmente pegou fogo. Os corpos do casal não tinham sido afetados pelo incêndio do carro. O que fizemos? Simplesmente saímos do veículo. Naquela época não havia cell phone, everything was more difficult. Sergeant Levy hitched a ride to a pay phone, called the plant [Usina Cambahyba] and they came to rescue us on the road.”
According to another statement by Claudio Guerra, provided to the CNV in July 2014, Colonel Freddie Perdigão's team was responsible for the deaths of Ana Rosa and Wilson. Still within the scope of the investigations carried out by the CNV, a hearing was held with the former head of the Regional Security and Information Advisory of the Ministry of Education (MEC) in São Paulo, Arminak Cherkezian, on September 1, 2014 in the city of São Paulo. When asked about Ana Rosa Kucinski, he stated that he did not remember the case: "This matter was never brought up, we were notified of what was happening. The field staff they spoke to, who produced these documents, also shared them for us to inform the minister. The role of the Advisors is to provide information to the minister and we received it from the minister, from his [Security and Information] Division to distribute as well. But we never had access to this [deaths and disappearances]."
However, in research carried out in the entry books of the Department of Political and Social Order of São Paulo (DOPS/SP), a record was found, dated April 23, 1974, one day after Ana Rosa's disappearance, of the entry of the head of the Special Security and Information Advisory (AESI) at USP, Krikor Tcherkezian, Arminak's brother. Before the 23rd, still in 1974, the DOPS book recorded five Krikor entries, all of them lasting quickly. On April 23, Krikor spent 1h30 at that police station. Subsequently, five more entries from the head of AESI/USP were recorded, all of them quick, with the exception of the two-hour visit on May 22, 1974. Krikor was not located by the CNV.
Bernardo Kucinski, in a statement made to the Justice and Peace Commission on September 20, 1990, said that he had met a citizen named Krikov at the Second Army Headquarters, in January 1975, who introduced himself as “an advisor to the rector of USP”. He declared that he knew nothing about the whereabouts of Ana Rosa and Wilson, but expressed dissatisfaction with the delays in the administrative process that would lead to Ana Rosa's dismissal for abandoning her job as a professor at USP, in October of the same year.
Given the deprivation of liberty, the alleged death and the lack of identification of her remains, the CNV understands that Ana Rosa Kucinski, to this date, remains missing.
Ana Rosa Kucinski desapareció el 22 de abril de 1974, en compañía de su marido, Wilson Silva, cuando era detenida por agentes del Estado brasileño, en la ciudad de São Paulo. Desde entonces, el Estado brasileño ha presentado diferentes posiciones respecto de la detención y desaparición de Ana Rosa y Wilson Silva.
En un primer momento, el Estado se negó a brindar información alguna, debido a que no reconoció la detención de la pareja de militantes. En febrero de 1975, el entonces Ministro de Justicia, Armando Falcão, hizo pública una nota oficial, en la que se mencionan los nombres de Ana Rosa Kucinski y Wilson Silva como “terroristas fugitivos”. Sólo en 1993, casi dos décadas después del arresto de la pareja, el informe de la Marina, enviado al Ministerio de Justicia, confirmó que Wilson había sido “arrestado en São Paulo el 22/04/1974 y reportado como desaparecido desde entonces”.
Respecto a Ana Rosa, el documento presenta acusaciones difamatorias, que se extienden al hermano de esta activista, Bernardo Kucinski. Según declaraciones recogidas por las familias de Wilson Silva y Ana Rosa Kucinski, el 22 de abril de 1974, hacia el mediodía, la pareja tenía programado un almuerzo en un restaurante ubicado cerca de la Praça da República, en el centro de São Paulo. Wilson, quien trabajaba en la empresa Servix, se despidió de un compañero de trabajo, Osmar Miranda Días, y fue a encontrarse con su esposa. Ana también comunicó sus planes a sus compañeros del departamento y se dirigió a la Praça da República. Desde entonces, no se ha vuelto a ver a la pareja.
Ese mismo día, las familias Silva y Kucinski, alertadas por los compañeros de trabajo de Ana Rosa, tomaron medidas para localizar a los dos militantes. El abogado Aldo Lins e Silva presentó un recurso de hábeas corpus a favor de Ana Rosa y Wilson, sin embargo, con base en el Acto Institucional N° 5, el pedido fue denegado. En resumen: ninguna unidad militar o policial reconoció la detención de la pareja.
Al mismo tiempo, se pusieron en marcha otras iniciativas políticas. El entonces cardenal de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, obtuvo audiencia con el jefe de la Casa Civil del gobierno de Geisel, general Golbery do Couto e Silva. En la reunión, celebrada en la Capital Federal el 7 de agosto de 1974, se prometió una intensa investigación por parte del gobierno. Cuatro meses después, ante la falta de información concreta sobre el caso, se contactó a la Comisión de Derechos Humanos de la Organización de Estados Americanos (OEA), lo que fue respondido por el gobierno brasileño sobre la falta de responsabilidad del Estado.
Pese a la imposibilidad de obtener información confiable, las familias insistieron en luchar por el derecho a saber qué había pasado con Wilson Silva y Ana Rosa Kucinski. Para ello solicitaron información sobre la suerte corrida por la pareja al Departamento de Estado del gobierno estadounidense, el cual respondió a través de la Comunidad Judía Estadounidense y el Congreso Judío Estadounidense. Respecto a Ana Rosa, afirmaron que se encontraba viva. En cuanto a Wilson, dijo que desconocían su paradero. Fue también en estos términos que, el 18 de diciembre de 1974, la familia recibió la última comunicación formal sobre el caso.
A lo largo de los años se han difundido distintas versiones sobre la desaparición de los dos militantes. Una de esas versiones se encuentra en la declaración dada a la revista IstoÉ por el teniente médico Amílcar Lobo, quien colaboró con el Destacamento de Operaciones de Información – Centro de Operaciones de Defensa Interna (DOI-CODI) del 1º Ejército, y también trabajó en el aparato clandestino conocido como Casa da Morte, en Petrópolis (RJ). En el artículo titulado “Lejos del Punto Final”, de 8 de abril de 1987, relataba los asesinatos que había presenciado en la Casa da Morte y en el DOI-CODI del 1.º Ejército.
Contactado por el periodista Bernardo Kucinski, hermano de Ana Rosa, el 31 de mayo de 1987, Lobo mencionó recordar a Wilson Silva de la Casa da Morte, pero no lo admitió formalmente. Asimismo, fue Bernardo Kucinski quien brindó las siguientes aclaraciones, a través de una solicitud al CEMDP, sobre la desaparición de su hermana y su cuñado, con base en declaraciones realizadas por el agente represor José Rodrigues Gonçalves a la periodista Mônica Bérgamo, de la revista Veja, en una entrevista de 1993: “Mi hermana y su esposo Wilson Silva fueron detenidos en la tarde del 22 de abril de 1974, por el agente DOI-CODI cuyo nombre clave Paulo da Silva Júnior, cuando regresaron a su residencia El verdadero nombre de este agente es José Rodrigues Gonçalves, cabo retirado del Ejército, mi hermana y mi cuñado fueron llevados en la madrugada del mismo día a Petrópolis por los policías Ênio Pimentel da Silveira y Sérgio Paranhos Fleury, ambos ya muertos en 1975, que en realidad mi hermana había sido arrestada por los organismos de seguridad de São Paulo y trasladada de la jurisdicción de la Segunda. Ejército Tuvo que darme detalles al día siguiente, cuando, asustado, el señor Paulo Sawaya se convirtió en asesor del diputado federal Delfim Neto”.
En declaración ante la Comisión Nacional de la Verdad (CNV) el 30 de octubre de 2012, Marival Chaves Dias do Canto explicó que Ana Rosa Kucinski y Wilson Silva fueron llevados a la Casa de la Muerte cuando aún estaban vivos. El 10 de mayo de 2013, brindó otra declaración ante la CNV, cuando afirmó que Ana Rosa, Wilson y otros militantes de la ALN fueron detenidos tras una denuncia del agente encubierto João Henrique Ferreira de Carvalho, conocido como “Jota”, quien luego comenzó a trabajar como médico en Brasilia. En aquella oportunidad ratificó el intento de extorsión a la familia de Ana Rosa por parte de agentes del DOI, como ya denunció su hermano, Bernardo Kucinski. Además, el 7 de febrero de 2014, en un nuevo comunicado, Marival confirmó que Ana Rosa y Wilson fueron llevados a Petrópolis por el coronel del Ejército Freddie Perdigão Pereira.
Complementando las informaciones sobre la desaparición de Ana Rosa y Wilson, el ex delegado de la Policía Civil de Espírito Santo, Cláudio Guerra, a través del libro 'Memórias de uma Guerra Suja', publicado en 2012, afirmó haber participado en la incineración de cadáveres de presos políticos en la Usina Cambahyba, en Campos (RJ), que pertenecieron al ex diputado federal y ex vicegobernador del estado de Río de Janeiro, Heli Ribeiro Gomes. La CNV realizó una investigación in situ con el ex delegado Cláudio Guerra y, aunque no fue posible encontrar evidencia concreta del uso de los hornos para los fines propuestos, la verosimilitud de esta versión puede verificarse en vista de dos elementos principales: a) tamaño de los hornos; b) fecha de construcción de los hornos, en 1974.
Sobre Ana Rosa Kucinski y Wilson Silva, Cláudio Guerra detalló: “Recuerdo muy bien a la pareja Ana Rosa Kucinski y Wilson Silva, por un incidente en el camino entre la Rua Barão de Mesquita y Usina. El sargento Levy, del DOI, y yo fuimos a recoger sus cuerpos. Ambos estaban completamente desnudos. La mujer tenía muchas marcas de mordeduras en el cuerpo, tal vez porque había sido agredida sexualmente. El joven no tenía clavos en la mano derecha. Todo hacía creer que habían sido torturados. No tenían agujeros de bala. Quien muere por un disparo no sufre. La muerte por tortura es mucho más inhumana. No presté mucha atención a los cadáveres que transportaba. Sobre todo porque nos los entregaron en una bolsa. El problema es que, cuando íbamos desde Río hacia Campos, casi llegando, justo en ese tramo de la carretera, la Chevette en la que viajábamos simplemente se incendió. Los cuerpos de la pareja no resultaron afectados por el incendio del coche. ¿Qué hicimos? Simplemente nos bajamos del vehículo. En esa época no había celulares, todo era más difícil. El sargento Levy hizo autostop hasta un teléfono público, llamó a la planta [Usina Cambahyba] y vinieron a rescatarnos en el camino”.
Según otra declaración de Claudio Guerra, proporcionada a la CNV en julio de 2014, el equipo del coronel Freddie Perdigão fue responsable de la muerte de Ana Rosa y Wilson. Aún en el ámbito de las investigaciones realizadas por la CNV, se realizó una audiencia con el ex titular de la Asesoría Regional de Seguridad e Información del Ministerio de Educación (MEC) de São Paulo, Arminak Cherkezian, el 1 de septiembre de 2014 en la ciudad de São Paulo. Al ser consultado sobre Ana Rosa Kucinski, afirmó que no recordaba el caso: "Este asunto nunca fue tocado, nos avisaron de lo que estaba pasando. El personal de campo con el que hablaron, que produjo estos documentos, también nos los compartió para que se lo informáramos al ministro. La función de los Asesores es brindarle información al ministro y nosotros la recibimos del ministro, de su División [Seguridad e Información] para distribuirla también. Pero nunca tuvimos acceso a esto [muertes y desapariciones]".
Sin embargo, en una investigación realizada en los libros de anotaciones del Departamento de Orden Político y Social de São Paulo (DOPS/SP), se encontró un registro, fechado el 23 de abril de 1974, un día después de la desaparición de Ana Rosa, del acta del jefe de la Asesoría Especial de Seguridad e Información (AESI) de la USP, Krikor Tcherkezian, hermano de Arminak. Antes del día 23, todavía en 1974, el libro del DOPS registraba cinco entradas de Krikor, todas ellas de rápida duración. El 23 de abril, Krikor pasó 1h30 en esa comisaría. Posteriormente se registraron cinco entradas más del titular de AESI/USP, todas rápidas, a excepción de la visita de dos horas del 22 de mayo de 1974. Krikor no fue localizado por la CNV.
Bernardo Kucinski, en declaración ante la Comisión de Justicia y Paz el 20 de septiembre de 1990, dijo que había conocido a un ciudadano llamado Krikov en el Cuartel General del Segundo Ejército, en enero de 1975, quien se presentó como “asesor del rector de la USP”. Declaró no saber nada del paradero de Ana Rosa y Wilson, pero expresó su descontento por las demoras en el proceso administrativo que llevaría al despido de Ana Rosa por abandonar su trabajo como profesora en la USP, en octubre del mismo año.
Ante la privación de libertad, la presunta muerte y la falta de identificación de sus restos, la CNV entiende que Ana Rosa Kucinski, a la fecha, permanece desaparecida.
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br