Antônio
Alfredo
de Lima
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
A morte e o consequente desaparecimento de Antônio Alfredo de Lima estão descritos no Relatório Arroyo, em um episódio em que ele e Zé Carlos (André Grabois) foram apanhar porcos para a alimentação na antiga roça de Alfredo. Os guerrilheiros chegaram ao local por volta das nove horas da manhã e, após o abate, próximo ao meio-dia, “Zé Carlos” (André), “Nunes” (Divino Ferreira de Souza), Alfredo, “Zebão” (João Gualberto) e “João” (Demerval da Silva Pereira) preparavam-se para sair.
Alfredo ouviu um barulho. De imediato, apareceram soldados apontando as armas e atirando sobre o grupo. “João” conseguiu escapar, mas os outros foram mortos. O nome de Alfredo nome consta no dossiê organizado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos (àquela altura, havia sido grafado, por equívoco, como Antônio Alfredo de Campos), como camponês incorporado à guerrilha, identificando-o como militante, mas não filiado a nenhuma organização política. Após a operação que resultou em sua morte, os mesmos militares queimaram tudo o que havia em sua casa, inclusive documentos do falecido e de sua companheira, Oneide Martins Rodrigues.
Entretanto, em entrevista concedida ao professor Romualdo Pessoa Campos Filho, o morador Manoel Leal Lima, conhecido como “Vanu”, que serviu de guia para o Exército, diz que Alfredo ficou ferido por arma de fogo por dois dias, que o carregou baleado no mato e que o levou até o helicóptero para Marabá, sendo levado para o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), local conhecido como Casa Azul, um centro clandestino de detenção e tortura. “Vanu” afirma ainda que, até a noite do mesmo dia, Alfredo estava vivo, recebendo anestesia. O seu relato atesta que, pela manhã, alguns corpos, dentre eles o de Alfredo, foram deixados no mato em uma vala. Esse depoimento, que atesta que Alfredo teria sido levado à Casa Azul, ainda com vida, executado e, posteriormente, seu corpo teria sido levado para um local na mata, conflita com as versões que dão conta de sua morte e sepultamento no próprio sítio onde ocorreu o encontro com os militares.
No relatório produzido pelo Centro de Informações do Exército (CIE), em 1975, Antônio, que aparece como o nome de Alfredo Francisco de Lima, consta como morto em 13 de outubro de 1973. Em divergência, o Relatório do CIE, Ministério do Exército, consta Divino Ferreira de Souza, morto no mesmo episódio, teria morrido em 14 de outubro de 1973. Ainda, no processo no 1.408/96, apresentado junto à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), consta, em referência ao Relatório do Ministério da Aeronáutica, que Alfredo era militante do PCdoB e guerrilheiro.
No relatório apresentado por quatro procuradores do Ministério Público Federal em 2002 também está registrada sua morte e seu enterro em uma cova rasa na região do Caçador, repetindo-se a mesma informação, em seguida, para João Gualberto Calatrone. Depoimentos de moradores que presenciaram os ocorridos de sua morte atestam que seus corpos foram enterrados no mesmo local onde morreram e que nessa roça havia sido encontrada, anos depois, uma arcada dentária não identificada.
The death and consequent disappearance of Antônio Alfredo de Lima are described in the Arroyo Report, in an episode in which he and Zé Carlos (André Grabois) went to catch pigs for food on Alfredo's old farm. The guerrillas arrived at the scene around nine in the morning and, after the slaughter, around noon, “Zé Carlos” (André), “Nunes” (Divino Ferreira de Souza), Alfredo, “Zebão” (João Gualberto) and “João” (Demerval da Silva Pereira) were preparing to leave.
Alfredo heard a noise. Immediately, soldiers appeared pointing their weapons and shooting at the group. “João” managed to escape, but the others were killed. Alfredo's name appears in the dossier organized by the Commission of Relatives of Political Dead and Disappeared (at that time, it had been spelled, by mistake, as Antônio Alfredo de Campos), as a peasant incorporated into the guerrilla, identifying him as a militant, but not affiliated with any political organization. After the operation that resulted in his death, the same soldiers burned everything in his house, including documents belonging to the deceased and his partner, Oneide Martins Rodrigues.
However, in an interview with professor Romualdo Pessoa Campos Filho, resident Manoel Leal Lima, known as “Vanu”, who served as a guide for the Army, says that Alfredo was injured by a gunshot for two days, that he carried him shot through the bush and took him to the helicopter to Marabá, where he was taken to the National Department of Highways (DNER), a place known as Casa Azul, a clandestine detention and torture center. “Vanu” also states that, until the evening of the same day, Alfredo was alive, receiving anesthesia. His report attests that, in the morning, some bodies, including Alfredo's, were left in the bush in a ditch. This statement, which attests that Alfredo had been taken to Casa Azul, still alive, executed and, subsequently, his body had been taken to a location in the forest, conflicts with the versions that account for his death and burial in the same place where the meeting with the military took place.
In the report produced by the Army Information Center (CIE), in 1975, Antônio, who appears under the name of Alfredo Francisco de Lima, is listed as having died on October 13, 1973. In contrast, the CIE Report, Ministry of the Army, states Divino Ferreira de Souza, who died in the same episode, died on October 14, 1973. Furthermore, in process no. 1,408/96, presented to the Special Commission on Political Dead and Missing (CEMDP), it appears, in reference to the Air Ministry Report, that Alfredo was a member of the PCdoB and a guerrilla fighter.
The report presented by four prosecutors from the Federal Public Ministry in 2002 also records his death and burial in a shallow grave in the Caçador region, repeating the same information then for João Gualberto Calatrone. Testimonies from residents who witnessed their deaths attest that their bodies were buried in the same place where they died and that, years later, an unidentified dental arch had been found in that field.
La muerte y consiguiente desaparición de Antônio Alfredo de Lima se describen en el Informe Arroyo, en un episodio en el que él y Zé Carlos (André Grabois) fueron a cazar cerdos para alimentarse en la antigua granja de Alfredo. Los guerrilleros llegaron al lugar alrededor de las nueve de la mañana y, después de la matanza, hacia el mediodía, “Zé Carlos” (André), “Nunes” (Divino Ferreira de Souza), Alfredo, “Zebão” (João Gualberto) y “João” (Demerval da Silva Pereira) se disponían a partir.
Alfredo escuchó un ruido. Inmediatamente, aparecieron soldados apuntando con sus armas y disparando contra el grupo. “João” logró escapar, pero los demás fueron asesinados. El nombre de Alfredo aparece en el expediente organizado por la Comisión de Familiares de Muertos y Desaparecidos Políticos (en ese momento se había escrito, por error, Antônio Alfredo de Campos), como un campesino incorporado a la guerrilla, identificándolo como militante, pero no afiliado a ninguna organización política. Luego del operativo que resultó en su muerte, los mismos militares quemaron todo lo que había en su casa, incluidos los documentos pertenecientes al fallecido y a su pareja, Oneide Martins Rodrigues.
Sin embargo, en entrevista con el profesor Romualdo Pessoa Campos Filho, el residente Manoel Leal Lima, conocido como “Vanu”, quien se desempeñaba como guía del Ejército, dice que Alfredo estuvo herido de bala durante dos días, que lo cargó baleado por el monte y lo llevó en helicóptero a Marabá, donde lo llevaron al Departamento Nacional de Carreteras (DRNA), lugar conocido como Casa Azul, un centro clandestino de detención y tortura. “Vanu” también afirma que, hasta la tarde del mismo día, Alfredo se encontraba vivo, recibiendo anestesia. Su informe da cuenta de que, por la mañana, algunos cadáveres, entre ellos el de Alfredo, fueron abandonados en el monte en una zanja. Esta declaración, que da fe de que Alfredo había sido llevado a Casa Azul, aún vivo, ejecutado y, posteriormente, su cuerpo había sido trasladado a un lugar del bosque, contradice las versiones que dan cuenta de su muerte y entierro en el mismo lugar donde tuvo lugar el encuentro con los militares.
En el informe elaborado por el Centro de Información del Ejército (CIE), en 1975, Antônio, que aparece con el nombre de Alfredo Francisco de Lima, figura como fallecido el 13 de octubre de 1973. En cambio, el Informe CIE, Ministerio del Ejército, afirma que Divino Ferreira de Souza, fallecido en el mismo episodio, falleció el 14 de octubre de 1973. Además, en el proceso n. 1.408/96, presentada ante la Comisión Especial de Muertos y Desaparecidos Políticos (CEMDP), surge, en referencia al Informe del Ministerio del Aire, que Alfredo era miembro del PCdoB y guerrillero.
El informe presentado por cuatro fiscales del Ministerio Público Federal en 2002 también registra su muerte y entierro en una fosa poco profunda en la región de Caçador, repitiendo la misma información entonces para João Gualberto Calatrone. Testimonios de vecinos que presenciaron sus muertes dan cuenta de que sus cuerpos fueron enterrados en el mismo lugar donde fallecieron y que, años después, en ese campo se había encontrado una arcada dental no identificada.
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br