Foto de Célio Augusto Guedes

Célio
Augusto
Guedes

20/6/1920 - 1972
Mucugê, BA
DentistaDentistDentista

Em julho de 1972, Célio Augusto Guedes foi incumbido pelo PCB de ir de carro a Montevidéu, no Uruguai, encontrar-se com o médico Fued Saad, com o propósito de trazê-lo, clandestinamente, de volta ao Brasil – tipo de missão que ele cumprira outras vezes.

Ao cruzar um posto na fronteira, ambos foram identificados, detidos e transportados em avião diretamente para a sede do Centro de Informações da Marinha (Cenimar) no Rio de Janeiro. Foram separados quando Faad foi hospitalizado, com uma crise de diabetes. Pouco se sabe sobre o tratamento que Célio Augusto recebeu enquanto detido. Ele morreu no dia 15 de agosto de 1972, nas dependências do Comando do 1º Distrito Naval, ligado ao Cenimar.

De acordo com a versão divulgada à época, teria se suicidado, jogando-se do sétimo andar do prédio, pela janela de um banheiro. As investigações realizadas sobre a morte de Célio Augusto Guedes revelaram a existência de indícios que permitem apontar a falsidade da versão divulgada pelos órgãos da repressão. O jornal Voz Operária, de setembro de 1972, aponta a responsabilidade da Marinha de Guerra pela morte do militante, levando em consideração o local do óbito e a coincidência entre a data de prisão e o dia da morte.

Apesar de não ter sido possível encontrar o laudo de exame cadavérico de Célio Guedes, o laudo da perícia do local, datado do ano de 1972, aponta a ocorrência de tortura antes da morte. De acordo com o laudo, foram constatados “ferimentos por ação contundente em considerável parte do corpo”. As fotos que acompanham a perícia comprovam a existência de escoriações intensas no rosto de Célio Augusto. O Boletim da Anistia Internacional de 1974, citado pelo “Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985)”, afirma que Célio foi morto sob torturas logo após a prisão.

O corpo de Célio deu entrada no Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro, com identidade desconhecida. Seus restos mortais foram enterrados no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, em 30 de agosto de 1972.

In July 1972, Célio Augusto Guedes was instructed by the PCB to drive to Montevideo, Uruguay, to meet doctor Fued Saad, with the purpose of bringing him, clandestinely, back to Brazil – the type of mission he had carried out on other occasions.

Upon crossing a border post, both were identified, detained and transported by plane directly to the headquarters of the Navy Information Center (Cenimar) in Rio de Janeiro. They were separated when Faad was hospitalized with a diabetes attack. Little is known about the treatment that Célio Augusto received while detained. He died on August 15, 1972, on the premises of the 1st Naval District Command, linked to Cenimar.

According to the version released at the time, he committed suicide by throwing himself from the seventh floor of the building, through a bathroom window. The investigations carried out into the death of Célio Augusto Guedes revealed the existence of evidence that allows us to point out the falsehood of the version released by the repression bodies. The newspaper Voz Operária, from September 1972, points out the Navy's responsibility for the militant's death, taking into account the place of death and the coincidence between the date of arrest and the day of death.

Although it was not possible to find the cadaveric examination report on Célio Guedes, the local forensic report, dated 1972, points to the occurrence of torture before death. According to the report, “injuries due to blunt force action on a considerable part of the body” were found. The photos accompanying the examination prove the existence of intense abrasions on Célio Augusto's face. The 1974 Amnesty International Bulletin, cited by “Dossier Ditadura: Political Dead and Disappeared in Brazil (1964-1985)”, states that Célio was killed under torture shortly after his arrest.

Célio's body was admitted to the Legal Medical Institute (IML) in Rio de Janeiro, with an unknown identity. His remains were buried in the São João Batista Cemetery, in Rio de Janeiro, on August 30, 1972.

En julio de 1972, Célio Augusto Guedes recibió instrucciones del PCB de conducir hasta Montevideo, Uruguay, para reunirse con el doctor Fued Saad, con el propósito de traerlo, clandestinamente, de regreso a Brasil, el tipo de misión que había realizado en otras ocasiones.

Al cruzar un puesto fronterizo, ambos fueron identificados, detenidos y transportados en avión directamente a la sede del Centro de Información de la Marina (Cenimar) en Río de Janeiro. Fueron separados cuando Faad fue hospitalizado con un ataque de diabetes. Poco se sabe sobre el trato que recibió Célio Augusto mientras estuvo detenido. Murió el 15 de agosto de 1972, en las instalaciones del Comando Distrital Naval 1, vinculado al Cenimar.

Según la versión difundida en ese momento, se suicidó arrojándose desde el séptimo piso del edificio, por la ventana de un baño. Las investigaciones realizadas sobre la muerte de Célio Augusto Guedes revelaron la existencia de pruebas que permiten señalar la falsedad de la versión difundida por los órganos de represión. El diario Voz Operária, de septiembre de 1972, señala la responsabilidad de la Marina por la muerte del militante, teniendo en cuenta el lugar de la muerte y la coincidencia entre la fecha de la detención y el día de la muerte.

Aunque no fue posible encontrar el informe del examen cadavérico de Célio Guedes, el informe forense local, de 1972, apunta a la existencia de torturas antes de la muerte. Según el informe, se encontraron “lesiones por acción de fuerza contundente en una parte considerable del cuerpo”. Las fotografías que acompañan el examen prueban la existencia de intensas abrasiones en el rostro de Célio Augusto. El Boletín de Amnistía Internacional de 1974, citado en “Dossier Ditadura: Muertos y desaparecidos políticos en Brasil (1964-1985)”, afirma que Célio fue asesinado bajo tortura poco después de su arresto.

El cuerpo de Célio fue ingresado en el Instituto Médico Legal (IML) de Río de Janeiro, con identidad desconocida. Sus restos fueron enterrados en el Cementerio São João Batista, en Río de Janeiro, el 30 de agosto de 1972.

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Célio Augusto Guedes foi preso e torturado, falecendo em consequência das ações perpetradas por agentes do Estado brasileiro, em um contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar implantada no país a partir de abril de 1964.

Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de Célio Augusto Guedes, assim como continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Célio Augusto Guedes was arrested and tortured, dying as a result of actions perpetrated by agents of the Brazilian State, in a context of systematic human rights violations promoted by the military dictatorship implemented in the country from April 1964.

It is recommended that Célio Augusto Guedes' death certificate be corrected, as well as continued investigations into the circumstances of the case, to identify and hold the other agents involved accountable.

A la vista de las investigaciones realizadas, se concluye que Célio Augusto Guedes fue detenido y torturado, falleciendo como consecuencia de acciones perpetradas por agentes del Estado brasileño, en un contexto de violaciones sistemáticas de los derechos humanos promovidas por la dictadura militar implementada en el país a partir de abril de 1964.

Se recomienda corregir el certificado de defunción de Célio Augusto Guedes, así como continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso, para identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO