Foto de David de Souza Meira

David
de Souza
Meira

22/6/1943 - 1968
Nanuque, MG
EscriturárioClerkOficinista

David de Souza Meira morreu no dia 1 o de abril de 1968, conhecido como o Dia Nacional do Protesto, após ter sido atingido por disparo de arma de fogo durante uma manifestação pública no Centro do Rio de Janeiro contra a morte do estudante Edson Luiz, ocorrida em março daquele ano. A passeata, que ocorreu no dia do quarto aniversário do Golpe Militar, desdobrou-se em diversos outros protestos em vários pontos do Rio de Janeiro e também em outras cidades do país. Embora os protestos tenham sido proibidos, os estudantes conseguiram paralisar por algumas horas o centro do Rio de Janeiro. Organizados na forma de piquetes, os manifestantes tentaram enfrentar a repressão imposta pela Polícia Militar, principalmente nas proximidades do antigo edifício do Ministério da Educação, onde ocorreu o tiroteio em que David foi atingido. Diante das circunstâncias, o Ministro da Justiça, Gama e Silva, solicitou a intervenção do I Exército, ao que se seguiu a ocupação militar do centro da cidade, por volta das 22h30. Mil e duzentos soldados do 2º Batalhão de Infantaria Blindada foram deslocados para a área, bem como cinco carros de combate, oito carros de assalto e dois jipes de comando. Em momentos depois, conseguiram dispersar os manifestantes, esvaziando a região da Cinelândia. Ao mesmo tempo, militares e soldados da Polícia Militar ocuparam também a Praça Serzedelo Corrêa e o Largo de São Francisco. De acordo com o levantamento feito à época, 26 pessoas (todas elas civis) precisaram ser atendidas nos hospitais Souza Aguiar e Miguel Couto. Consta do auto de exame cadavérico ferimento na altura do tórax cujas características indicam que tenha sido produzido por projetil de arma de fogo. A certidão de óbito, por sua vez, declara que a morte de David decorreu de “ferimento penetrante no tórax por projétil de arma de fogo, determinando lesão no pulmão”. Os restos mortais de David de Souza Meira foram enterrados no Cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro.

David de Souza Meira died on April 1, 1968, known as National Protest Day, after being hit by a gunshot during a public demonstration in the center of Rio de Janeiro against the death of student Edson Luiz, which occurred in March of that year. The march, which took place on the fourth anniversary of the Military Coup, led to several other protests in various parts of Rio de Janeiro and also in other cities across the country. Although the protests were banned, the students managed to paralyze the center of Rio de Janeiro for a few hours. Organized in the form of pickets, the protesters tried to confront the repression imposed by the Military Police, mainly in the vicinity of the former Ministry of Education building, where the shooting in which David was shot took place. Given the circumstances, the Minister of Justice, Gama e Silva, requested the intervention of the 1st Army, which was followed by the military occupation of the city center, at around 10:30 pm. Twelve hundred soldiers from the 2nd Armored Infantry Battalion were deployed to the area, as well as five tanks, eight assault vehicles and two command jeeps. Moments later, they managed to disperse the protesters, emptying the Cinelândia region. At the same time, military personnel and Military Police soldiers also occupied Praça Serzedelo Corrêa and Largo de São Francisco. According to the survey carried out at the time, 26 people (all of them civilians) needed to be treated at the Souza Aguiar and Miguel Couto hospitals. The cadaveric examination record contains a wound on the chest whose characteristics indicate that it was caused by a firearm projectile. The death certificate, in turn, states that David's death resulted from a “penetrating wound to the chest by a firearm projectile, resulting in damage to the lung”. The remains of David de Souza Meira were buried in the Inhaúma Cemetery, in Rio de Janeiro.

David de Souza Meira murió el 1 de abril de 1968, conocido como Día Nacional de la Protesta, tras ser alcanzado por un disparo durante una manifestación pública en el centro de Río de Janeiro contra la muerte del estudiante Edson Luiz, ocurrida en marzo de ese año. La marcha, que tuvo lugar en el cuarto aniversario del Golpe Militar, dio lugar a otras protestas en varios puntos de Río de Janeiro y también en otras ciudades del país. Aunque las protestas fueron prohibidas, los estudiantes lograron paralizar el centro de Río de Janeiro durante unas horas. Organizados en forma de piquetes, los manifestantes intentaron hacer frente a la represión impuesta por la Policía Militar, principalmente en las inmediaciones del antiguo edificio del Ministerio de Educación, donde se produjo el tiroteo en el que fue baleado David. Dadas las circunstancias, el Ministro de Justicia, Gama e Silva, solicitó la intervención del 1.º Ejército, a lo que siguió la ocupación militar del centro de la ciudad, hacia las 22.30 horas. En la zona se desplegaron 1.200 soldados del 2.º Batallón de Infantería Blindada, así como cinco tanques, ocho vehículos de asalto y dos jeeps de mando. Momentos después lograron dispersar a los manifestantes, vaciando la región de Cinelândia. Al mismo tiempo, militares y soldados de la Policía Militar también ocuparon la Praça Serzedelo Corrêa y el Largo de São Francisco. Según el sondeo realizado en ese momento, 26 personas (todas ellas civiles) necesitaban ser atendidas en los hospitales Souza Aguiar y Miguel Couto. El acta de examen cadavérico contiene una herida en el tórax cuyas características indican que fue provocada por un proyectil de arma de fuego. El certificado de defunción, a su vez, afirma que la muerte de David se debió a una “herida penetrante en el pecho por un proyectil de arma de fuego, que provocó daños en el pulmón”. Los restos de David de Souza Meira fueron enterrados en el Cementerio de Inhaúma, en Río de Janeiro.

Diante das investigações realizadas, conclui-se que David de Souza Meira morreu em decorrência de ação perpetrada por agentes do Estado brasileiro em se que dispararam armas de fogo contra cidadãos desarmados, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar, implantada no país a partir de abril de 1964. Recomenda-se a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that David de Souza Meira died as a result of an action perpetrated by agents of the Brazilian State in which they fired firearms at unarmed citizens, in the context of systematic human rights violations promoted by the military dictatorship, implemented in the country from April 1964. It is recommended that investigations continue into the circumstances of the case, in order to identify and hold the other agents involved accountable.

De las investigaciones realizadas, se concluye que David de Souza Meira murió como consecuencia de una acción perpetrada por agentes del Estado brasileño en la que dispararon armas de fuego contra ciudadanos desarmados, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos promovidas por la dictadura militar, implementada en el país a partir de abril de 1964. Se recomienda continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso, a fin de identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO