Foto de Dinalva Conceição Oliveira Teixeira

Dinalva
Conceição
Oliveira
Teixeira

16/5/1945 - 1974
Castro Alves, BA
GeólogaGeologistGeólogo

O último registro referente a Dinalva no Relatório Arroyo remonta a 25 de dezembro de 1973, no episódio que ficou conhecido como O Chafurdo de Natal. Segundo o relato, a guerrilheira estaria com febre quando o acampamento da Comissão Militar da guerrilha foi atacado. Entretanto, outras informações indicam que ela foi morta em um momento posterior, no ano de 1974. O relatório do CIE, Ministério do Exército, elenca Dinalva em uma lista de participantes da Guerrilha do Araguaia e afirma que ela morreu em 16 de julho de 1974. iv Neste sentido, o Relatório do Ministério da Marinha, encaminhado ao ministro da Justiça Maurício Corrêa em 1993, registra sua morte em julho de 1974, em Xambioá (TO). v Já o segundo-tenente João Alves de Souza, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV) em 20 de março de 2014, afirma que comandou o ataque à guerrilheira, logo após ela ter matado homens do seu contingente. O militar afirmou que Dinalva morreu metralhada e que estava grávida na ocasião. O livro “Dossiê Ditadura” e o relatório da CEMDP aludem, também, a depoimentos de moradores da região e ao do Coronel-Aviador Pedro Corrêa Cabral para confirmar a gravidez da guerrilheira no momento da prisão. Estas narrativas divergem, porém, sobre ela ter sido detida na Serra das Andorinhas ou no igarapé Taurizinho, próximo à Marabá e quanto a esta estar na companhia de Telma Regina Cordeiro Corrêa e Luiza Augusta Garlippe no episódio. Em depoimento ao jornalista Leonencio Nossa, o tenente-coronel Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió, afirmou que as guerrilheiras Tuca (Luisa Augusta Garlippe) e Dina (Dinalva Oliveira Teixeira) foram presas pelos militares e entregues com vida aos cuidados do tenente-coronel Leo Frederico Cinelli. O mesmo livro afirma que o coronel José Brant Teixeira, o doutor César, foi o responsável por levar Dina num voo de Marabá para o ponto na selva onde teria sido fuzilada, lembrando que o agente a perseguia desde sua atuação no movimento estudantil de Salvador (BA). Curió afirmou também, em entrevista ao jornal o Estado de São Paulo, do dia 4/3/2004, que a reunião que definiu a estratégia para a captura e execução dos guerrilheiros Oswaldo Orlando da Costa e Dinalva Oliveira Teixeira teria sido realizada com a presença do então presidente Emílio Garrastazu Médici, além da alta cúpula militar do país. Nessa entrevista, ele afirma que Dina teria sido morta em 24 de julho de 1974, num combate, após ter sido emboscada. Por fim, Sinésio Martins Ribeiro em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), conforme registra o livro Dossiê Ditadura, indica que Dinalva teria pedido a um camponês que lhe comprasse roupas. A informação teria sido repassada ao Exército, que efetuou a prisão da guerrilheira. Sobre esta versão, o militar Raimundo Antônio Pereira de Melo também contou ao MPF que os eventos teriam sucedido em outubro de 1974 e que o referido camponês seria um funcionário da fazenda de Miguel Pernambuco, no Taurizinho. O camponês teria ido ao 52º Batalhão de Infantaria da Selva e, à noite, acompanhado de paraquedistas, presenciou a prisão de Dinalva e sua condução ao DNER. A passagem de Dinalva pela Casa Azul teria sido testemunhada, também, pelo Sargento do Exército João Santa Cruz Sacramento, que, em oitiva realizada pela CNV, em 19/11/2013, alega tê-la visto presa naquele local e que o Curió participou da sua prisão. Também em depoimento ao MPF, no dia 5 de março de 2004, Raimundo Antônio Pereira de Melo afirma que em outubro de 1974, um vaqueiro da fazenda do Sr. Miguel Pernambuco denunciou o paradeiro de Dina ao Exército, que a teria prendido numa emboscada e levado para Marabá (PA) com vida e sem ferimentos. Dina teria passado pelo quartel do 52 BIS e, em seguida, levada para a Casa Azul, centro clandestino de detenção e tortura de guerrilheiros, em Marabá (PA).

The last record referring to Dinalva in the Arroyo Report dates back to December 25, 1973, in the episode that became known as The Christmas Wallowing. According to the report, the guerrilla was suffering from a fever when the guerrilla's Military Commission camp was attacked. However, other information indicates that she was killed at a later time, in 1974. The report from the CIE, Ministry of the Army, lists Dinalva in a list of participants in the Araguaia Guerrilla and states that she died on July 16, 1974. Xambioá (TO). v Second lieutenant João Alves de Souza, in a statement to the National Truth Commission (CNV) on March 20, 2014, states that he commanded the attack on the guerrilla, shortly after she had killed men in his contingent. The soldier stated that Dinalva died from a machine gun and that she was pregnant at the time. The book “Dossiê Ditadura” and the CEMDP report also allude to testimonies from residents of the region and that of Colonel-Aviator Pedro Corrêa Cabral to confirm the guerrilla's pregnancy at the time of her arrest. These narratives differ, however, regarding whether she was detained in Serra das Andorinhas or in the Taurizinho stream, close to Marabá, and whether she was in the company of Telma Regina Cordeiro Corrêa and Luiza Augusta Garlippe in the episode. In a statement to journalist Leonencio Nossa, Lieutenant Colonel Sebastião Rodrigues de Moura, Major Curió, stated that the guerrillas Tuca (Luisa Augusta Garlippe) and Dina (Dinalva Oliveira Teixeira) were arrested by the military and handed over alive to the care of Lieutenant Colonel Leo Frederico Cinelli. The same book states that Colonel José Brant Teixeira, Doctor César, was responsible for taking Dina on a flight from Marabá to the point in the jungle where she would have been shot, remembering that the agent had been persecuting her since her work in the student movement in Salvador (BA). Curió also stated, in an interview with the newspaper Estado de São Paulo, on 3/4/2004, that the meeting that defined the strategy for the capture and execution of the guerrillas Oswaldo Orlando da Costa and Dinalva Oliveira Teixeira would have been held with the presence of then president Emílio Garrastazu Médici, in addition to the country's top military leadership. In this interview, he states that Dina was killed on July 24, 1974, in combat, after being ambushed. Finally, Sinésio Martins Ribeiro in a statement to the Federal Public Ministry (MPF), as recorded in the book Dossier Ditadura, indicates that Dinalva had asked a peasant to buy him clothes. The information would have been passed on to the Army, which arrested the guerrilla. Regarding this version, military officer Raimundo Antônio Pereira de Melo also told the MPF that the events took place in October 1974 and that the aforementioned peasant was an employee of Miguel Pernambuco's farm, in Taurizinho. The peasant would have gone to the 52nd Jungle Infantry Battalion and, at night, accompanied by paratroopers, he witnessed Dinalva's arrest and his taking to the DNER. Dinalva's passage through Casa Azul would also have been witnessed by Army Sergeant João Santa Cruz Sacramento, who, in a hearing carried out by the CNV, on 11/19/2013, claims to have seen her arrested there and that Curió participated in her arrest. Also in a statement to the MPF, on March 5, 2004, Raimundo Antônio Pereira de Melo states that in October 1974, a cowboy from Mr. Miguel Pernambuco's farm reported Dina's whereabouts to the Army, who had arrested her in an ambush and taken her to Marabá (PA) alive and without injuries. Dina would have passed through the 52 BIS barracks and then taken to Casa Azul, a clandestine detention and torture center for guerrillas, in Marabá (PA).

El último registro referido a Dinalva en el Informe Arroyo se remonta al 25 de diciembre de 1973, en el episodio que pasó a conocerse como El revolcarse de Navidad. Según el informe, el guerrillero padecía fiebre cuando el campamento de la Comisión Militar de la guerrilla fue atacado. Sin embargo, otras informaciones indican que fue asesinada más tarde, en 1974. El informe del CIE, Ministerio del Ejército, incluye a Dinalva en una lista de participantes de la Guerrilla de Araguaia y afirma que murió el 16 de julio de 1974. Xambioá (TO). El segundo teniente João Alves de Souza, en declaración ante la Comisión Nacional de la Verdad (CNV) el 20 de marzo de 2014, afirma que él comandó el ataque a la guerrilla, poco después de que ella hubiera matado a hombres de su contingente. El soldado afirmó que Dinalva murió a causa de una ametralladora y que en ese momento estaba embarazada. El libro “Dossiê Ditadura” y el informe del CEMDP también aluden a testimonios de vecinos de la región y del coronel aviador Pedro Corrêa Cabral para confirmar el embarazo de la guerrillera en el momento de su detención. Estos relatos, sin embargo, difieren en cuanto a si fue detenida en Serra das Andorinhas o en el arroyo Taurizinho, cerca de Marabá, y si estuvo en compañía de Telma Regina Cordeiro Corrêa y Luiza Augusta Garlippe en el episodio. En declaraciones al periodista Leonencio Nossa, el teniente coronel Sebastião Rodrigues de Moura, mayor Curió, afirmó que los guerrilleros Tuca (Luisa Augusta Garlippe) y Dina (Dinalva Oliveira Teixeira) fueron detenidos por militares y entregados vivos al cuidado del teniente coronel Leo Frederico Cinelli. El mismo libro relata que el coronel José Brant Teixeira, doctor César, fue el responsable de llevar a Dina en un vuelo desde Marabá hasta el punto de la selva donde habría sido fusilada, recordando que el agente la perseguía desde su trabajo en el movimiento estudiantil en Salvador (BA). Curió también afirmó, en entrevista con el diario Estado de São Paulo, el 4/3/2004, que la reunión que definió la estrategia para la captura y ejecución de los guerrilleros Oswaldo Orlando da Costa y Dinalva Oliveira Teixeira se habría realizado con la presencia del entonces presidente Emílio Garrastazu Médici, además de la máxima dirección militar del país. En esta entrevista afirma que Dina fue asesinada el 24 de julio de 1974, en combate, luego de ser emboscada. Finalmente, Sinésio Martins Ribeiro en declaraciones al Ministerio Público Federal (MPF), según consta en el libro Dossier Ditadura, indica que Dinalva le había pedido a un campesino que le comprara ropa. La información habría sido pasada al Ejército, que detuvo al guerrillero. Sobre esta versión, el militar Raimundo Antônio Pereira de Melo también dijo al MPF que los hechos ocurrieron en octubre de 1974 y que el citado campesino era empleado de la hacienda de Miguel Pernambuco, en Taurizinho. El campesino se habría dirigido al 52 Batallón de Infantería de Selva y, por la noche, acompañado de paracaidistas, presenció la detención de Dinalva y su traslado al DRNA. El paso de Dinalva por Casa Azul también habría sido presenciado por el sargento del Ejército João Santa Cruz Sacramento, quien, en audiencia realizada por la CNV, el 19/11/2013, afirma haberla visto detenida allí y que Curió participó en su detención. También en declaración al MPF, del 5 de marzo de 2004, Raimundo Antônio Pereira de Melo afirma que en octubre de 1974, un vaquero de la hacienda del señor Miguel Pernambuco denunció el paradero de Dina al Ejército, quien la detuvo en una emboscada y la llevó viva y ilesa a Marabá (PA). Dina habría pasado por el cuartel 52 del BIS y luego conducida a la Casa Azul, un centro clandestino de detención y tortura de guerrilleros, en Marabá (PA).

Dinalva Oliveira Teixeira é considerada desaparecida política por não terem sido entregues os restos mortais aos seus familiares, o que não permitiu o seu sepultamento até os dias de hoje. Conforme o exposto na Sentença da Corte Interamericana no caso Gomes Lund e outros, “o ato de desaparecimento e sua execução se iniciam com a privação da liberdade da pessoa e a subsequente falta de informação sobre seu destino, e permanece enquanto não se conheça o paradeiro da pessoa desaparecida e se determine com certeza sua identidade”, sendo que o Estado “tem o dever de investigar e, eventualmente, punir os responsáveis”. Recomenda-se a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso de Dinalva Oliveira Teixeira, localização de seus restos mortais, retificação da certidão de óbito, identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos no caso, conforme sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos que obriga o Estado brasileiro “a investigar os fatos, julgar e, se for o caso, punir os responsáveis e de determinar o paradeiro das vítimas”.

Dinalva Oliveira Teixeira is considered a politically missing person because her remains were not handed over to her family, which has not allowed her burial to this day. As stated in the Judgment of the Inter-American Court in the case of Gomes Lund and others, “the act of disappearance and its execution begin with the deprivation of the person's liberty and the subsequent lack of information about their fate, and continues until the whereabouts of the missing person are known and their identity is determined with certainty”, and the State “has the duty to investigate and, eventually, punish those responsible”. It is recommended that investigations continue into the circumstances of Dinalva Oliveira Teixeira's case, the location of her mortal remains, rectification of the death certificate, identification and accountability of the other agents involved in the case, in accordance with the ruling of the Inter-American Court of Human Rights that obliges the Brazilian State “to investigate the facts, judge and, if applicable, punish those responsible and determine the whereabouts of the victims”.

Dinalva Oliveira Teixeira es considerada una persona desaparecida políticamente porque sus restos no fueron entregados a su familia, que no ha permitido su sepultura hasta el día de hoy. Como lo señala la Sentencia de la Corte Interamericana en el caso Gomes Lund y otros, “el acto de desaparición y su ejecución comienzan con la privación de la libertad de la persona y la posterior falta de información sobre su suerte, y continúa hasta que se conoce el paradero de la persona desaparecida y se determina con certeza su identidad”, y el Estado “tiene el deber de investigar y, eventualmente, sancionar a los responsables”. Se recomienda continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso de Dinalva Oliveira Teixeira, la ubicación de sus restos mortales, la rectificación del certificado de defunción, la identificación y responsabilidad de los demás agentes involucrados en el caso, de conformidad con la sentencia de la Corte Interamericana de Derechos Humanos que obliga al Estado brasileño “a investigar los hechos, juzgar y, en su caso, sancionar a los responsables y determinar el paradero de las víctimas”.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO