Foto de Dorival Ferreira

Dorival
Ferreira

5/11/1931 - 1970
Osasco, SP
Operário da Construção CivilCivil Construction OperatorOperador de Construcción Civil

Dorival Ferreira morreu em 2 de abril de 1970, em Osasco, São Paulo. Na noite deste dia, sua casa foi invadida por policiais da Operação Bandeirante, ocasião em que foi ferido e preso. A falsa versão oficial aponta que Dorival foi morto em um tiroteio com agentes deste órgão. Contudo, Dorival se encontrava em sua casa quando, ao atender um chamado na porta, notou a presença de agentes de segurança, instante em que foi atingido por um tiro. Mesmo baleado no quadril, Dorival tentou fugir pelos fundos da casa. Antes, porém, avisou a sua esposa, Esterlita Ribeiro. Esta, então, pediu à filha que fosse informar ao avô, Domingos Antônio Ferreira, que morava próximo a eles, sobre o ocorrido. Domingos se dirigiu à casa do filho, encontrando-a cercada por policiais. Após chegar ao local, os agentes apontaram uma arma para sua cabeça e de sua neta, que à época dos fatos possuía apenas 14 anos de idade. Neste momento, ela e seus irmãos foram levados para um quarto localizado no imóvel e proibidos de sair, enquanto sua mãe e Domingos eram interrogados na cozinha. Posteriormente, os agentes informaram ao pai de Dorival que este teria sido preso. Apesar de os jornais da época confirmarem a versão oficial e afirmarem que ele teria sido morto em tiroteio em sua casa, documentos produzidos pelos órgãos de repressão permitem confirmar que Dorival, apesar de tentar fugir, foi preso sem haver registros de que teria sido direcionado a um hospital, apesar de estar baleado. O Relatório da Delegacia de Polícia de Itapeví do dia 10 de abril de 1970 afirma que Dorival foi executado no dia 3 de abril, um dia depois do suposto confronto ocorrido em sua casa. Tal informação coincide com o depoimento prestado pelo seu pai ao Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS) no dia 2 de abril, em que declara que os policiais que se encontravam no domicílio de seu filho teriam lhe comunicado que ele foi preso. No laudo do Instituto de Polícia Técnica (IPT), elaborado após a necropsia, identifica-se 11 tiros no seu corpo, sendo um deles no dedo anular esquerdo, o que poderia indicar uma posição de defesa da vítima e, por sua vez, uma provável execução. Entre os bens encontrados com Dorival não há registro de nenhuma arma de fogo, o que desconstrói a versão de que teria havido alguma troca de tiros entre ele e os agentes da repressão. Dorival foi enterrado no dia 4 de abril de sem que a família pudesse ver o corpo. Seu atestado de óbito foi falsificado de forma a constar que sua morte teria ocorrido no dia 2. O destino final dos restos mortais de Dorival Ferreira permanecem desconhecidos até a presente data.

Dorival Ferreira died on April 2, 1970, in Osasco, São Paulo. On the night of that day, his house was invaded by police officers from Operation Bandeirante, at which time he was injured and arrested. The false official version points out that Dorival was killed in a shootout with agents from this agency. However, Dorival was at home when, upon answering a call at the door, he noticed the presence of security agents, at which point he was shot. Even though he was shot in the hip, Dorival tried to escape through the back of the house. First, however, he informed his wife, Esterlita Ribeiro. She then asked her daughter to go and inform her grandfather, Domingos Antônio Ferreira, who lived close to them, about what had happened. Domingos went to his son's house, finding it surrounded by police officers. After arriving at the scene, the agents pointed a gun at his head and that of his granddaughter, who at the time of the events was only 14 years old. At this time, she and her brothers were taken to a room located in the property and prohibited from leaving, while her mother and Domingos were interrogated in the kitchen. Subsequently, the agents informed Dorival's father that he had been arrested. Although the newspapers at the time confirmed the official version and stated that he had been killed in a shootout at his home, documents produced by law enforcement agencies confirm that Dorival, despite trying to escape, was arrested without there being records that he had been taken to a hospital, despite being shot. The Report from the Itapeví Police Station on April 10, 1970 states that Dorival was executed on April 3, one day after the alleged confrontation that took place at his home. This information coincides with the statement given by his father to the State Department of Political and Social Order (DEOPS) on April 2, in which he states that the police officers who were at his son's home had informed him that he had been arrested. In the report from the Technical Police Institute (IPT), prepared after the autopsy, 11 gunshots were identified in his body, one of which was in the left ring finger, which could indicate the victim's defense position and, in turn, a probable execution. Among the assets found with Dorival there is no record of any firearm, which deconstructs the version that there had been an exchange of gunfire between him and the repression agents. Dorival was buried on April 4, without his family being able to see his body. His death certificate was falsified to state that his death occurred on the 2nd. The final destination of Dorival Ferreira's remains remains unknown to this day.

Dorival Ferreira murió el 2 de abril de 1970 en Osasco, São Paulo. La noche de ese día su casa fue invadida por policías de la Operación Bandeirante, momento en el que resultó herido y detenido. La falsa versión oficial señala que Dorival fue asesinado en un tiroteo con agentes de esta agencia. Sin embargo, Dorival se encontraba en su casa cuando, al atender un llamado en la puerta, notó la presencia de agentes de seguridad, momento en el que recibió un disparo. A pesar de que recibió un disparo en la cadera, Dorival intentó escapar por la parte trasera de la casa. Pero primero informó a su esposa, Esterlita Ribeiro. Luego pidió a su hija que fuera a informar a su abuelo, Domingos Antônio Ferreira, que vivía cerca de ellos, de lo sucedido. Domingos acudió a la casa de su hijo y la encontró rodeada de policías. Tras llegar al lugar, los agentes apuntaron con un arma a su cabeza y a la de su nieta, que en el momento de los hechos tenía solo 14 años. En ese momento, ella y sus hermanos fueron llevados a una habitación ubicada en el inmueble y se les prohibió salir, mientras su madre y Domingos eran interrogados en la cocina. Posteriormente, los agentes informaron al padre de Dorival que había sido detenido. Aunque los periódicos de la época confirmaron la versión oficial y afirmaron que había sido asesinado en un tiroteo en su casa, documentos presentados por las fuerzas del orden confirman que Dorival, a pesar de intentar escapar, fue detenido sin que constara que hubiera sido trasladado a un hospital, a pesar de recibir disparos. El Informe de la Comisaría de Itapeví del 10 de abril de 1970 señala que Dorival fue ejecutado el 3 de abril, un día después del presunto enfrentamiento ocurrido en su domicilio. Esta información coincide con la declaración prestada por su padre ante el Departamento de Estado de Orden Político y Social (DEOPS) el 2 de abril, en la que afirma que los policías que se encontraban en el domicilio de su hijo le habían informado que había sido detenido. En el informe del Instituto Técnico de Policía (IPT), elaborado luego de la autopsia, se identificaron 11 disparos de arma de fuego en su cuerpo, uno de ellos en el dedo anular izquierdo, lo que podría indicar la posición de defensa de la víctima y, a su vez, una probable ejecución. Entre los bienes encontrados con Dorival no consta ningún arma de fuego, lo que deconstruye la versión de que habría habido un intercambio de disparos entre él y los agentes de represión. Dorival fue enterrado el pasado 4 de abril, sin que su familia pudiera ver su cuerpo. Su certificado de defunción fue falsificado para indicar que su muerte ocurrió el día 2. Hasta el día de hoy se desconoce el destino final de los restos de Dorival Ferreira.

Diante das circunstâncias do caso e das investigações realizadas, conclui-se que Dorival Ferreira morreu em decorrência de ação perpetrada por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura implantada no país a partir de abril de 1964, sendo considerado desaparecido político para a CNV uma vez que seus restos mortais não foram identificados até os dias de hoje. Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de Dorival Ferreira, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

Given the circumstances of the case and the investigations carried out, it is concluded that Dorival Ferreira died as a result of an action perpetrated by agents of the Brazilian State, in the context of systematic human rights violations promoted by the dictatorship implemented in the country from April 1964, being considered a political missing person by the CNV since his remains have not been identified to this day. It is recommended that Dorival Ferreira's death certificate be corrected, as well as the continuation of investigations into the circumstances of the case, to identify and hold the other agents involved accountable.

Dadas las circunstancias del caso y las investigaciones realizadas, se concluye que Dorival Ferreira falleció como consecuencia de una acción perpetrada por agentes del Estado brasileño, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos promovidas por la dictadura implementada en el país a partir de abril de 1964, siendo considerado un desaparecido político por la CNV ya que sus restos no han sido identificados hasta el día de hoy. Se recomienda corregir el certificado de defunción de Dorival Ferreira, así como continuar las investigaciones sobre las circunstancias del caso, para identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO