Elvaristo
Alves
da Silva
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
Elvaristo Alves da Silva morreu em 10 de abril de 1965, quando se encontrava detido no quartel do 1o Regimento de Cavalaria Motorizada de Santa Rosa, após período de detenção em quartel na cidade de Três Passos (RS). Em março do mesmo ano, o coronel Jefferson Cardin Alencar Osório, com o objetivo de organizar um movimento armado contra o regime militar, preparou uma ação de guerrilha a partir da cidade de Três Passos. Ainda que tal iniciativa não tenha obtido apoio popular maciço, desencadeou medidas severas de repressão, como as prisões de inúmeras pessoas para averiguar se tinham ou não relação com o grupo guerrilheiro. Comerciantes, profissionais liberais, funcionários públicos e agricultores foram presos em suas casas ou quando estavam em seus trabalhos, acusados de cumplicidade com a “subversão”. Depois de presos, eram conduzidos para o quartel do 1o Regimento de Cavalaria Motorizada de Santa Rosa. Norberto da Silva, filho de Elvaristo Alves da Silva, apontou, em declaração sobre os fatos, que estava em casa com seu irmão mais velho quando aproximadamente duas horas após a saída de seu pai, este retornou na companhia de militares que estavam em três veículos do Exército. De acordo com seu relato, sua casa foi cercada e revistada. Segundo afirma, no instante em que seu pai foi até o quarto para trocar de roupa antes de ser levado preso, um tenente se aproximou dele e disse que considerava uma mentira a denúncia contra ele e sugeriu que, para ser liberado imediatamente, negasse sua associação com as ideias de Leonel Brizola, então ex-governador do Rio Grande do Sul e considerado um inimigo da ditadura. Elvaristo respondeu que não teria essa atitude e que, por sua militância no PTB, lutaria até o fim. Em seguida, foi levado para a cidade de Três Passos, onde ficou alguns dias preso, sendo encaminhado posteriormente para o quartel do 1o Regimento de Cavalaria Motorizada. Conforme relatou Fernando do Canto, ex-deputado gaúcho, Elvaristo apresentou-se como o mais inconformado com a situação de prisão. Em função disso, tentou fugir do cárcere em que se encontrava, o que fez com que fosse retirado da companhia dos demais presos. A versão oficial sobre sua morte foi a de que teria se suicidado. Os demais presos souberam no mesmo dia sua morte. De acordo com relato de seu filho, sua mãe, Eva, assim que soube da morte de Elvaristo foi para o referido quartel em Santa Rosa. Após esperar alguns instantes, foi chamada para uma sala do local onde lhe contaram que seu marido teria pedido para ir ao banheiro, mas, como demorou muito, um militar foi verificar o que ocorria. Segundo a versão oficial, Elvaristo teria sido chamado e, como não respondia, os militares arrombaram a porta e o encontraram enforcado. Ela considerou estranha e suspeita, contudo, a presença de dois cortes em seu corpo, sendo um localizado acima e o outro abaixo do peito. Quando questionou os agentes da repressão sobre este fato, recebeu como resposta que tais marcas se referiam ao fato de que eles teriam tentando reanimá-lo ao realizar uma operação. Elvaristo foi enterrado no Cemitério de Lageado Bonito, município de Três Passos (RS).
Elvaristo Alves da Silva died on April 10, 1965, when he was detained in the barracks of the 1st Motorized Cavalry Regiment of Santa Rosa, after a period of detention in a barracks in the city of Três Passos (RS). In March of the same year, Colonel Jefferson Cardin Alencar Osório, with the aim of organizing an armed movement against the military regime, prepared a guerrilla action from the city of Três Passos. Although this initiative did not obtain massive popular support, it triggered severe repression measures, such as the arrests of countless people to determine whether or not they had any relationship with the guerrilla group. Merchants, independent professionals, public servants and farmers were arrested in their homes or while at work, accused of complicity in “subversion”. After being arrested, they were taken to the barracks of the 1st Motorized Cavalry Regiment in Santa Rosa. Norberto da Silva, son of Elvaristo Alves da Silva, pointed out, in a statement about the facts, that he was at home with his older brother when approximately two hours after his father left, he returned in the company of soldiers who were in three Army vehicles. According to his report, his house was surrounded and searched. According to him, the moment his father went to his room to change his clothes before being taken into custody, a lieutenant approached him and said that he considered the accusation against him to be a lie and suggested that, in order to be released immediately, he deny his association with the ideas of Leonel Brizola, then former governor of Rio Grande do Sul and considered an enemy of the dictatorship. Elvaristo replied that he would not have that attitude and that, due to his activism in the PTB, he would fight until the end. He was then taken to the city of Três Passos, where he was detained for a few days, and was later sent to the barracks of the 1st Motorized Cavalry Regiment. As reported by Fernando do Canto, a former deputy from Rio Grande do Sul, Elvaristo presented himself as the most unhappy with the prison situation. As a result, he tried to escape from the prison he was in, which led to him being removed from the company of the other prisoners. The official version of his death was that he committed suicide. The other prisoners learned of his death on the same day. According to her son's report, her mother, Eva, as soon as she found out about Elvaristo's death, went to the aforementioned barracks in Santa Rosa. After waiting a few moments, she was called to a room where she was told that her husband had asked to go to the bathroom, but, as it took too long, a soldier went to check what was happening. According to the official version, Elvaristo had been called and, as he did not respond, the military broke down the door and found him hanging. However, she considered the presence of two cuts on her body strange and suspicious, one located above and the other below her chest. When he questioned the repression agents about this fact, he received the answer that these marks referred to the fact that they had tried to revive him when carrying out an operation. Elvaristo was buried in the Lageado Bonito Cemetery, municipality of Três Passos (RS).
Elvaristo Alves da Silva murió el 10 de abril de 1965, cuando estaba detenido en el cuartel del 1.º Regimiento de Caballería Motorizada de Santa Rosa, después de un período de detención en un cuartel de la ciudad de Três Passos (RS). En marzo del mismo año, el coronel Jefferson Cardin Alencar Osório, con el objetivo de organizar un movimiento armado contra el régimen militar, preparó una acción guerrillera desde la ciudad de Três Passos. Si bien esta iniciativa no obtuvo un apoyo popular masivo, desencadenó severas medidas de represión, como la detención de innumerables personas para determinar si tenían o no alguna relación con el grupo guerrillero. Comerciantes, profesionales independientes, funcionarios públicos y agricultores fueron detenidos en sus domicilios o mientras trabajaban, acusados de complicidad en “subversión”. Luego de ser detenidos, fueron trasladados al cuartel del 1.° Regimiento de Caballería Motorizada en Santa Rosa. Norberto da Silva, hijo de Elvaristo Alves da Silva, señaló, en un comunicado sobre los hechos, que se encontraba en casa con su hermano mayor cuando aproximadamente dos horas después de la salida de su padre, regresó en compañía de militares que se encontraban en tres vehículos del Ejército. Según su informe, su casa fue rodeada y registrada. Según él, en el momento en que su padre fue a su habitación para cambiarse de ropa antes de ser detenido, un teniente se le acercó y le dijo que consideraba mentira la acusación en su contra y le sugirió que, para ser liberado inmediatamente, negara su vinculación con las ideas de Leonel Brizola, entonces ex gobernador de Rio Grande do Sul y considerado enemigo de la dictadura. Elvaristo respondió que él no tendría esa actitud y que, por su activismo en el PTB, lucharía hasta el final. Luego fue conducido a la ciudad de Três Passos, donde permaneció detenido durante algunos días, y luego enviado al cuartel del 1.er Regimiento de Caballería Motorizada. Según informó Fernando do Canto, exdiputado de Rio Grande do Sul, Elvaristo se presentó como el más descontento con la situación carcelaria. A raíz de ello, intentó escapar del centro penitenciario en el que se encontraba, lo que motivó que fuera apartado de la compañía de los demás presos. La versión oficial de su muerte fue que se suicidó. Los demás presos se enteraron de su muerte ese mismo día. Según el relato de su hijo, su madre, Eva, apenas se enteró de la muerte de Elvaristo, acudió al citado cuartel de Santa Rosa. Luego de esperar unos momentos, la llamaron a una habitación donde le dijeron que su esposo había pedido ir al baño, pero, como demoraba demasiado, un soldado fue a comprobar qué estaba pasando. Según la versión oficial, Elvaristo había sido llamado y, al no responder, los militares derribaron la puerta y lo encontraron colgado. Sin embargo, consideró extraña y sospechosa la presencia de dos cortes en su cuerpo, uno ubicado arriba y otro debajo de su pecho. Al cuestionar a los agentes represores sobre este hecho, recibió como respuesta que dichas marcas se referían a que habían intentado reanimarlo al realizar un operativo. Elvaristo fue enterrado en el Cementerio Lageado Bonito, municipio de Três Passos (RS).
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br