Fernando
Borges
de Paula
Ferreira
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
Fernando Borges de Paula Ferreira morreu em São Paulo, no dia 30 de julho de 1969, em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas. De acordo com a versão oficial dos fatos apresentada pelos órgãos de repressão, Fernando teria sido morto em confronto armado com agentes de segurança no Largo da Banana, na Barra Funda (SP), durante uma ação realizada com o militante João Domingues da Silva.
Segundo informe confidencial do Centro de Informações do Exército (CIE), de 6 de agosto de 1969, a morte ocorreu em consequência de um confronto armado entre membros do Departamento Estadual de Investigações Criminais do Estado de São Paulo (Deic-SP) e “terroristas” que ocupavam um automóvel Aero Willys, placas SP-35-3789. De acordo com o documento, participaram do confronto o soldado José Roberto de Moura Salgado, o motorista policial Adriano Ramos e o funcionário da Prefeitura Municipal de São Paulo Osmar Antônio da Silva, membros do Deic.
O conflito armado teria resultado na morte de Fernando Borges e no ferimento de João Domingues, que conseguiu fugir. Em 13 de setembro de 1969, o folheto clandestino, de origem desconhecida, intitulado Resistência, denunciou crimes cometidos pelo regime militar contra militantes políticos de esquerda. Dentre os nomes citados, estava o de Fernando Borges de Paula Ferreira, que segundo o folheto foi “morto a tiros pela polícia paulista”.
A morte de Fernando teria se dado em função de uma emboscada, e não por conta de um tiroteio. O laudo de necropsia de Fernando, assinado pelos médicos-legistas Pérsio Carneiro e Antônio Valentini, descreve que Fernando foi vítima de agressão a tiro, e que morreu às 23h de 29 de julho. O fato de ter chegado despido ao Instituto Médico-Legal (IML) pode ser interpretado como um indício de que é falsa a versão oficial de morte por tiroteio em local público, e também como indício de que Fernando tenha sido submetido à tortura.
Segundo o laudo, a morte ocorreu em função de hemorragia interna traumática, “consequente à ação vulnerante de corpo contundente – a bala – que (…) transfixou a parede toráxica, se dirigindo para baixo, para trás e para a esquerda, transfixou o lobo superior do pulmão direito”. Outro aspecto que chama a atenção é a direção do tiro, que foi de cima para baixo, o que indica que o disparo possa ter ocorrido quando Fernando estava sentado ou deitado, ou mesmo em situação na qual não podia defender-se.
Também foram identificados ferimentos nos lados esquerdo e direito do crânio, o que pode ser interpretado como decorrente de agressões físicas, e não como resultado de queda, decorrente de impacto de projétil, posto que o choque seria apenas de um lado do corpo e não de ambos. Fernando foi sepultado pela família no cemitério da Paz, em São Paulo (SP).
Fernando Borges de Paula Ferreira died in São Paulo, on July 30, 1969, under circumstances that have not yet been fully explained. According to the official version of events presented by the repression bodies, Fernando was killed in an armed confrontation with security agents in Largo da Banana, in Barra Funda (SP), during an action carried out with the militant João Domingues da Silva.
According to a confidential report from the Army Information Center (CIE), dated August 6, 1969, the death occurred as a result of an armed confrontation between members of the State Department of Criminal Investigations of the State of São Paulo (Deic-SP) and “terrorists” who occupied an Aero Willys car, license plates SP-35-3789. According to the document, soldier José Roberto de Moura Salgado, police driver Adriano Ramos and São Paulo City Hall employee Osmar Antônio da Silva, members of Deic, participated in the confrontation.
The armed conflict resulted in the death of Fernando Borges and the injury of João Domingues, who managed to escape. On September 13, 1969, the clandestine leaflet, of unknown origin, entitled Resistência, denounced crimes committed by the military regime against left-wing political activists. Among the names mentioned was Fernando Borges de Paula Ferreira, who according to the leaflet was “shot dead by the São Paulo police”.
Fernando's death would have been due to an ambush, and not due to a shootout. Fernando's autopsy report, signed by coroners Pérsio Carneiro and Antônio Valentini, describes that Fernando was the victim of a shooting attack, and that he died at 11pm on July 29th. The fact that he arrived naked at the Instituto Médico-Legal (IML) can be interpreted as an indication that the official version of death by shooting in a public place is false, and also as an indication that Fernando was subjected to torture.
According to the report, death occurred as a result of traumatic internal bleeding, “consequent to the vulnerating action of a blunt body – the bullet – which (…) transfixed the chest wall, heading downwards, backwards and to the left, transfixing the upper lobe of the right lung”. Another aspect that draws attention is the direction of the shot, which was from top to bottom, which indicates that the shot may have occurred when Fernando was sitting or lying down, or even in a situation in which he could not defend himself.
Injuries were also identified on the left and right sides of the skull, which can be interpreted as resulting from physical aggression, and not as a result of a fall, resulting from a projectile impact, as the shock would only be on one side of the body and not both. Fernando was buried by his family in the Paz Cemetery, in São Paulo (SP).
Fernando Borges de Paula Ferreira murió en São Paulo, el 30 de julio de 1969, en circunstancias que aún no han sido completamente explicadas. Según la versión oficial presentada por los órganos de represión, Fernando fue asesinado en un enfrentamiento armado con agentes de seguridad en Largo da Banana, en Barra Funda (SP), durante una acción realizada con el militante João Domingues da Silva.
Según un informe confidencial del Centro de Información del Ejército (CIE), de fecha 6 de agosto de 1969, la muerte se produjo como resultado de un enfrentamiento armado entre miembros del Departamento Estatal de Investigaciones Criminales del Estado de São Paulo (Deic-SP) y “terroristas” que ocupaban un automóvil Aero Willys, placas SP-35-3789. Según el documento, en el enfrentamiento participaron el soldado José Roberto de Moura Salgado, el conductor policial Adriano Ramos y el empleado de la Municipalidad de São Paulo Osmar Antônio da Silva, miembros de Deic.
El conflicto armado se saldó con la muerte de Fernando Borges y el herido de João Domingues, quien logró escapar. El 13 de septiembre de 1969, el folleto clandestino, de origen desconocido, titulado Resistência, denunciaba crímenes cometidos por el régimen militar contra activistas políticos de izquierda. Entre los nombres mencionados estaba Fernando Borges de Paula Ferreira, quien según el folleto fue “asesinado a tiros por la policía de São Paulo”.
La muerte de Fernando se habría producido por una emboscada, y no por un tiroteo. El informe de la autopsia de Fernando, firmado por los forenses Pérsio Carneiro y Antônio Valentini, describe que Fernando fue víctima de un ataque a tiros y que murió a las 23 horas del 29 de julio. El hecho de que llegara desnudo al Instituto Médico-Legal (IML) puede interpretarse como un indicio de que la versión oficial sobre la muerte por disparos en un lugar público es falsa, y también como un indicio de que Fernando fue sometido a torturas.
Según el informe, la muerte se produjo como consecuencia de una hemorragia interna traumática, “como consecuencia de la acción vulnerante de un cuerpo contundente – la bala – que (…) atravesó la pared torácica, dirigiéndose hacia abajo, hacia atrás y hacia la izquierda, atravesando el lóbulo superior del pulmón derecho”. Otro aspecto que llama la atención es la dirección del disparo, que fue de arriba hacia abajo, lo que indica que el disparo pudo haber ocurrido cuando Fernando estaba sentado o acostado, o incluso en una situación en la que no podía defenderse.
También se identificaron lesiones en los lados izquierdo y derecho del cráneo, las cuales pueden interpretarse como producto de una agresión física, y no como resultado de una caída, producto del impacto de un proyectil, ya que el impacto sería solo en un lado del cuerpo y no en ambos. Fernando fue enterrado por su familia en el Cementerio de la Paz, en São Paulo (SP).
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br