Gerardo
Magela
Fernandes
Torres
da Costa
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
Gerardo Magela Fernandes Torres da Costa morreu no dia 28 de maio de 1973, em São Paulo. Segundo a versão que consta em seu laudo de necropsia, teria se suicidado pulando do alto do Viaduto do Chá, em São Paulo, sendo a causa de morte traumatismo cranioencefálico.
Contudo, apesar de registrar um ferimento de dois centímetros na cabeça, o laudo não aponta outras lesões no corpo de Gerardo, que seriam comuns ao tipo de queda que teria ocasionado a sua morte. Conforme consta em notícia do Diário Popular de 7 de abril de 1991, o irmão de Gerardo questionou a versão de suicídio.
Em denúncia ao Fórum Nacional de Direitos Humanos, Carlos Lineu Fernandes Torres da Costa teria afirmado que Gerardo foi preso e morto por agentes da Operação Bandeirantes (Oban)/DOI-CODI do II Exército. Na reportagem, seu irmão também explicou que não fez a denúncia na época da morte porque a família havia feito um acordo com Exército de ficar em silêncio e, em troca, teria o corpo de Gerardo devolvido em dois anos, o que não aconteceu.
Apesar de o laudo necroscópico afirmar ter havido suicídio, a sua credibilidade é questionada também por ter sido assinado por Otávio D’Andreia e Antonio Valentini, médicos-legistas conhecidos por firmarem laudos falsos de mortes de presos políticos. Maria Amélia Teles acentuou, na 102ª Audiência Pública realizada pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva, que o laudo de Gerardo no Instituto Médico-Legal (IML) estava marcado com um “T”, símbolo costumeiramente utilizado pelos agentes da repressão para identificar que se tratava do corpo de um militante, que era depreciativamente chamado por eles de terrorista.
Conforme consta no laudo, Gerardo foi enterrado no Cemitério de Perus, com a grafia de seu nome equivocada (Geraldo), tendo sido exumado em 27 de outubro de 1977 e posteriormente reinumado em cova mais profunda no mesmo cemitério.
Gerardo Magela Fernandes Torres da Costa died on May 28, 1973, in São Paulo. According to the version contained in his autopsy report, he committed suicide by jumping from the top of Viaduto do Chá, in São Paulo, with the cause of death being traumatic brain injury.
However, despite recording a two-centimeter wound to the head, the report does not indicate other injuries to Gerardo's body, which would be common to the type of fall that would have caused his death. As stated in news from Diário Popular on April 7, 1991, Gerardo's brother questioned the suicide version.
In a complaint to the National Human Rights Forum, Carlos Lineu Fernandes Torres da Costa stated that Gerardo was arrested and killed by agents of Operation Bandeirantes (Oban)/DOI-CODI of the II Army. In the report, his brother also explained that he did not report it at the time of the death because the family had made an agreement with the Army to remain silent and, in exchange, would have Gerardo's body returned within two years, which did not happen.
Although the autopsy report states that there was suicide, its credibility is also questioned because it was signed by Otávio D’Andreia and Antonio Valentini, coroners known for issuing false reports of the deaths of political prisoners. Maria Amélia Teles highlighted, at the 102nd Public Hearing held by the Truth Commission of the State of São Paulo Rubens Paiva, that Gerardo's report at the Medical-Legal Institute (IML) was marked with a “T”, a symbol commonly used by agents of repression to identify that it was the body of a militant, who was derogatorily called by them a terrorist.
As stated in the report, Gerardo was buried in the Perus Cemetery, with the wrong spelling of his name (Geraldo), having been exhumed on October 27, 1977 and later reinhumed in a deeper grave in the same cemetery.
Gerardo Magela Fernandes Torres da Costa murió el 28 de mayo de 1973 en São Paulo. Según la versión contenida en el informe de la autopsia, se suicidó lanzándose desde lo alto del Viaduto do Chá, en São Paulo, siendo la causa de la muerte un traumatismo craneoencefálico.
Sin embargo, a pesar de registrar una herida de dos centímetros en la cabeza, el informe no indica otras lesiones en el cuerpo de Gerardo, que serían comunes al tipo de caída que habría causado su muerte. Según consta en una noticia del Diário Popular del 7 de abril de 1991, el hermano de Gerardo cuestionó la versión del suicidio.
En denuncia ante el Foro Nacional de Derechos Humanos, Carlos Lineu Fernandes Torres da Costa afirmó que Gerardo fue detenido y asesinado por agentes de la Operación Bandeirantes (Oban)/DOI-CODI del II Ejército. En el informe, su hermano también explicó que no lo denunció al momento de la muerte porque la familia había hecho un acuerdo con el Ejército para guardar silencio y, a cambio, le devolverían el cuerpo de Gerardo dentro de dos años, lo cual no sucedió.
Aunque el informe de la autopsia afirma que hubo suicidio, su credibilidad también está en duda porque fue firmada por Otávio D’Andreia y Antonio Valentini, médicos forenses conocidos por emitir informes falsos sobre la muerte de presos políticos. Maria Amélia Teles destacó, en la 102ª Audiencia Pública realizada por la Comisión de la Verdad del Estado de São Paulo Rubens Paiva, que el informe de Gerardo en el Instituto Médico Legal (IML) estaba marcado con una “T”, símbolo comúnmente utilizado por los agentes de represión para identificar que se trataba del cuerpo de un militante, que era llamado despectivamente por ellos terrorista.
Según consta en el informe, Gerardo fue enterrado en el Cementerio de Perus, con su nombre mal escrito (Geraldo), habiendo sido exhumado el 27 de octubre de 1977 y posteriormente reinhumado en una fosa más profunda en el mismo cementerio.
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br