Foto de Honestino Monteiro Guimarães

Honestino
Monteiro
Guimarães

28/3/1947 - 1973
Itaberaí, GO
EstudanteStudentAlumno

Honestino Monteiro Guimarães foi um importante líder estudantil no período da ditadura, desaparecido político em 10 de outubro de 1973, após ser preso pela sexta vez, no Rio de Janeiro. Iniciou sua militância no movimento secundarista e filiou-se à Ação Popular (AP). Aluno da Universidade de Brasília (UnB), Honestino foi eleito para o Diretório Acadêmico de Geologia e, em 1967, mesmo estando preso, foi eleito presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (Feub).

Em agosto de 1968, forças do Exército e da polícia política invadiram a UnB para cumprir mandados de prisão contra Honestino e mais sete lideranças estudantis. Foi arrancado da sede da Feub e ficou preso até novembro.

Em setembro do mesmo ano, como punição por ter liderado a expulsão de um falso professor da UnB, foi desligado da universidade. Em dezembro de 1968, com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), saiu de Brasília e passou a viver clandestinamente em São Paulo. Quando foi preso o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Jean Marc von der Weid, Honestino assumiu a presidência interina.

No congresso da entidade realizado em 1971, no Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense, foi eleito presidente da UNE. Transferiu-se para o Rio, onde continuou vivendo clandestinamente. Em outubro de 1973, foi preso pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar), após cinco anos de clandestinidade. Supõe-se que tenha sido transferido para o Pelotão de Investigações Criminais de Brasília, onde sua mãe foi autorizada a visitá-lo no Natal, mas no dia da visita disseram a ela que ele não estava ali. Seu desaparecimento foi denunciado pelos presos políticos de São Paulo, em documento datado de 1976.

Vinte anos depois, em 1996, o Estado reconheceu a responsabilidade por seu desaparecimento, quando a família de Guimarães recebeu um atestado de óbito do estudante emitido pelo poder judiciário do Rio de Janeiro, sem mencionar a causa da morte. Em abril de 2014, Honestino Guimarães foi oficialmente anistiado político post mortem pelo governo federal. O Ministério da Justiça determinou a retificação do atestado de óbito para que constasse como causa da morte “atos de violência praticados pelo Estado”.

Honestino foi declarado anistiado em setembro de 2013, em solenidade na UnB, onde estudou Geologia.

Honestino Monteiro Guimarães was an important student leader during the dictatorship, who disappeared on October 10, 1973, after being arrested for the sixth time, in Rio de Janeiro. He began his activism in the secondary movement and joined the Popular Action (AP). A student at the University of Brasília (UnB), Honestino was elected to the Geology Academic Directory and, in 1967, despite being in prison, he was elected president of the Federation of University Students of Brasília (Feub).

In August 1968, Army and political police forces invaded UnB to serve arrest warrants against Honestino and seven other student leaders. He was taken from Feub headquarters and was imprisoned until November.

In September of the same year, as punishment for leading the expulsion of a false professor from UnB, he was dismissed from the university. In December 1968, with Institutional Act nº 5 (AI-5), he left Brasília and began living clandestinely in São Paulo. When the president of the National Union of Students (UNE), Jean Marc von der Weid, was arrested, Honestino assumed the interim presidency.

At the entity's congress held in 1971, in Rio de Janeiro, in Baixada Fluminense, he was elected president of UNE. He moved to Rio, where he continued living clandestinely. In October 1973, he was arrested by the Navy Information Center (Cenimar), after five years of hiding. It is assumed that he was transferred to the Brasília Criminal Investigations Squad, where his mother was allowed to visit him at Christmas, but on the day of the visit she was told that he was not there. His disappearance was reported by political prisoners in São Paulo, in a document dated 1976.

Twenty years later, in 1996, the State recognized responsibility for his disappearance, when Guimarães' family received a death certificate for the student issued by the Rio de Janeiro judiciary, without mentioning the cause of death. In April 2014, Honestino Guimarães was officially granted post-mortem political amnesty by the federal government. The Ministry of Justice ordered the rectification of the death certificate to include “acts of violence carried out by the State” as the cause of death.

Honestino was declared amnestied in September 2013, in a ceremony at UnB, where he studied Geology.

Honestino Monteiro Guimarães fue un importante dirigente estudiantil durante la dictadura, desaparecido el 10 de octubre de 1973, tras ser detenido por sexta vez, en Río de Janeiro. Inició su activismo en el movimiento secundario y se integró a Acción Popular (AP). Estudiante de la Universidad de Brasilia (UnB), Honestino fue elegido miembro del Directorio Académico de Geología y, en 1967, a pesar de estar en prisión, fue elegido presidente de la Federación de Estudiantes Universitarios de Brasilia (Feub).

En agosto de 1968, el Ejército y fuerzas de la policía política invadieron la UnB para cumplir órdenes de arresto contra Honestino y otros siete líderes estudiantiles. Lo sacaron del cuartel general de Feub y estuvo encarcelado hasta noviembre.

En septiembre del mismo año, como castigo por liderar la expulsión de un falso profesor de la UnB, fue expulsado de la universidad. En diciembre de 1968, con el Acto Institucional nº 5 (AI-5), abandonó Brasilia y pasó a vivir clandestinamente en São Paulo. Cuando el presidente de la Unión Nacional de Estudiantes (UNE), Jean Marc von der Weid, fue detenido, Honestino asumió la presidencia interina.

En el congreso de la entidad realizado en 1971, en Río de Janeiro, en la Baixada Fluminense, fue elegido presidente de la UNE. Se mudó a Río, donde continuó viviendo clandestinamente. En octubre de 1973 fue detenido por el Centro de Información de la Marina (Cenimar), luego de cinco años de ocultamiento. Se supone que fue trasladado a la Brigada de Investigaciones Criminales de Brasilia, donde a su madre se le permitió visitarlo en Navidad, pero el día de la visita le dijeron que él no estaba. Su desaparición fue denunciada por presos políticos en São Paulo, en un documento fechado en 1976.

Veinte años después, en 1996, el Estado reconoció la responsabilidad por su desaparición, cuando la familia Guimarães recibió un certificado de defunción del estudiante emitido por la justicia de Río de Janeiro, sin mencionar la causa de la muerte. En abril de 2014, el gobierno federal concedió oficialmente a Honestino Guimarães una amnistía política post mortem. El Ministerio de Justicia ordenó la rectificación del certificado de defunción para incluir como causa de muerte “actos de violencia realizados por el Estado”.

Honestino fue declarado amnistiado en septiembre de 2013, en un acto en la UnB, donde estudiaba Geología.

Honestino Monteiro Guimarães foi preso por agentes do Estado brasileiro no dia 10 de outubro de 1973. Passados mais de quarenta anos, ainda não é possível apresentar conclusão irrefutável acerca dos eventos que culminaram no desaparecimento desse militante da APML.

Ao longo dos anos de clandestinidade, Honestino conseguiu manter contatos periódicos com sua mãe, dona Maria Rosa Leite Monteiro. Mãe e filho combinaram um código de comunicação, que seria utilizado caso Honestino fosse preso. Ela receberia um recado, que viria de fonte imprevisível, lhe comunicando que “seu filho fora internado no Hospital de (nome da cidade onde ocorrera a prisão)”. No final de 1971, Honestino transferiu-se para o Rio de Janeiro.

Nos meses seguintes, a militância política na Ação Popular (AP) sofreu intensa fragilização. A violenta repressão desencadeada ao longo dos últimos três anos reduziu os recursos materiais e pessoais à disposição das organizações de combate ao regime militar. Em decorrência desse cenário, os debates acerca da incorporação da AP ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) levaram Honestino Guimarães, e outras lideranças, a desligar-se da Ação Popular. Junto com Paulo Wright e Umberto Câmara Neto, Honestino se incorpora à Ação Popular Marxista-Leninista (APML).

No dia 13 de outubro de 1973, momento em que a APML estava sendo desbaratada pelas forças da repressão, a senhora Maria Rosa Leite recebeu o bilhete que tanto temia. De acordo com depoimento prestado em 22 de dezembro de 1982, ela relembra que nessa data, “recebi em minha casa um bilhete lacônico”. O texto do bilhete, curto e direto não deixava dúvidas: “seu filho foi internado no hospital do Rio”.

A senhora Maria Rosa acrescenta: “Não tive dúvida, fui imediatamente tomar todas as medidas possíveis, pois sabia que nova prisão teria ocorrido. Busquei Honestino desesperadamente por longo tempo. Lancei mão de todos os meios e recursos: contratei advogados no Rio, São Paulo e Brasília. Recorri aos Direitos Humanos, à ABI, à Ordem dos Advogados, à Maçonaria, até ao Papa escrevi. Tudo que me foi possível fazer fiz. Mantive contatos com as autoridades políticas e militares do meu País, inclusive uma entrevista coletiva com familiares de outros desaparecidos junto ao então ministro Golbery, de quem recebi pessoalmente uma promessa de resposta, nunca vinda.”

A prisão de Honestino havia ocorrido três dias antes. Apesar dos esforços da família de Honestino, as autoridades militares se negaram a fornecer maiores informações sobre seu paradeiro. Maria Rosa Monteiro relatou que no Natal de 1973 autoridades militares prometeram-lhe uma visita ao filho no Pelotão de Investigações Criminais (PIC) de Brasília, mas a promessa nunca foi cumprida. Ela faleceu em 2012, sem informações sobre o que aconteceu com seu filho depois de longos anos de busca.

A documentação consultada demonstra que os órgãos de segurança mantiveram extenso monitoramento sobre Honestino durante a clandestinidade. Seus passos foram acompanhados de perto pelo serviço de informações, que sabia da sua militância em São Paulo, onde mantinha contato mais frequente e suas atividades principais. Os órgãos da repressão tinham conhecimento, inclusive, de que Honestino já se encontrava na Guanabara em meados de 1973.

Um documento da Auditoria da 11ª CJM listou Honestino numa relação de sentenciados condenados à revelia, indicando que o seu mandado de prisão, expedido pelo Departamento de Polícia Federal em 21 de julho de 1972, não tinha sido cumprido até a data de 8 de outubro de 1973. Em dois documentos oficiais, produzidos por órgãos de segurança distintos, há menção explícita à data e ao local da última prisão de Honestino, que resultou em seu desaparecimento.

O primeiro documento foi localizado pela Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (Pernambuco) e analisado em conjunto com a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (CEV-Rio). Produzido pela 2ª Seção do Quartel-General do Comando Costeiro do Ministério da Aeronáutica, a Resposta de Pedido de Busca nº 655/A2/COMCOS/78, de 22 de setembro de 1978, respondeu à Agência de Salvador do SNI sobre o “regresso ao país de banidos, asilados, autoexilados ou/e elementos comprometidos com a subversão”.

Entre outras informações, registra que Honestino foi preso em 10 de outubro de 1973 no Rio de Janeiro. Outro documento, de 8 de maio de 1981, também confirma a ocorrência da prisão e a data. Trata-se do Encaminhamento nº 002/116/NAGO/SNI/81 remetido à Agência Central do SNI pela Agência de Goiânia, em que informa dados sobre os “elementos atingidos por atos da revolução de 1964 em Goiás” e consta, sobre Honestino, que foi preso em outubro de 1973 e “desaparecido” na mesma época.

Um terceiro documento identificado pela CNV reproduz troca de informações entre órgãos de segurança, questionando a presença do tio de Honestino, Sebastião Norton da Fonseca, como membro da Subcomissão Geral de Investigações em Goiás (SubCGI/GO). Em resposta à solicitação da Agência Central do SNI, o Núcleo da Agência de Goiânia (NAGO/SNI) registrou, no dia 24 de janeiro de 1974, que Honestino havia sido “preso por órgão de segurança”, razão pela qual recomendou, inclusive, que fosse indagado a respeito de “suas eventuais ligações” com seu tio.

Até a presente data, Honestino Monteiro Guimarães permanece desaparecido.

Honestino Monteiro Guimarães was arrested by agents of the Brazilian State on October 10, 1973. More than forty years later, it is still not possible to present an irrefutable conclusion about the events that culminated in the disappearance of this APML militant.

Throughout the years of hiding, Honestino managed to maintain periodic contact with his mother, Maria Rosa Leite Monteiro. Mother and son agreed on a communication code, which would be used if Honestino was arrested. She would receive a message, which would come from an unpredictable source, informing her that “her son had been admitted to the Hospital in (name of the city where the arrest had occurred)”. At the end of 1971, Honestino moved to Rio de Janeiro.

In the following months, political activism in Ação Popular (AP) suffered an intense weakening. The violent repression unleashed over the last three years has reduced the material and personal resources available to organizations combating the military regime. As a result of this scenario, debates about the incorporation of the AP into the Communist Party of Brazil (PCdoB) led Honestino Guimarães, and other leaders, to disconnect from Ação Popular. Along with Paulo Wright and Umberto Câmara Neto, Honestino joins the Marxist-Leninist Popular Action (APML).

On October 13, 1973, at a time when the APML was being defeated by the forces of repression, Mrs. Maria Rosa Leite received the note she feared so much. According to a statement given on December 22, 1982, she recalls that on that date, “I received a laconic note at my house”. The text of the note, short and direct, left no doubt: “your son was admitted to the hospital in Rio”.

Mrs. Maria Rosa adds: "I had no doubt, I immediately took all possible measures, as I knew that a new arrest would have occurred. I searched for Honestino desperately for a long time. I used all means and resources: I hired lawyers in Rio, São Paulo and Brasília. I turned to Human Rights, the ABI, the Bar Association, Freemasonry, I even wrote to the Pope. I did everything I could do. I maintained contacts with the political and military authorities of my country, including a press conference with family members of other disappeared people with the then minister Golbery, from whom I personally received a promise of a response, which never came.”

Honestino's arrest had taken place three days earlier. Despite the efforts of Honestino's family, military authorities refused to provide further information about his whereabouts. Maria Rosa Monteiro reported that at Christmas 1973, military authorities promised her a visit to her son at the Criminal Investigations Squad (PIC) in Brasília, but the promise was never fulfilled. She passed away in 2012, with no information about what happened to her son after long years of searching.

The documentation consulted shows that security agencies maintained extensive monitoring of Honestino during his clandestinity. His steps were closely monitored by the intelligence service, which knew of his activism in São Paulo, where he had more frequent contact and his main activities. The repression bodies were even aware that Honestino was already in Guanabara in mid-1973.

A document from the Audit of the 11th CJM listed Honestino in a list of convicts sentenced in absentia, indicating that his arrest warrant, issued by the Federal Police Department on July 21, 1972, had not been executed by October 8, 1973. In two official documents, produced by different security agencies, there is explicit mention of the date and place of Honestino's last arrest, which resulted in his disappearance.

The first document was located by the State Commission for Memory and Truth Dom Helder Câmara (Pernambuco) and analyzed together with the State Commission for Truth of Rio de Janeiro (CEV-Rio). Produced by the 2nd Section of the Headquarters of the Coastal Command of the Ministry of Aeronautics, Search Request Response No. 655/A2/COMCOS/78, of September 22, 1978, responded to the Salvador Agency of the SNI about the “return to the country of banished, asylum seekers, self-exiles or/and elements committed to subversion”.

Among other information, it records that Honestino was arrested on October 10, 1973 in Rio de Janeiro. Another document, dated May 8, 1981, also confirms the occurrence of the arrest and the date. This is Referral No. 002/116/NAGO/SNI/81 sent to the SNI Central Agency by the Goiânia Agency, which provides data on the “elements affected by acts of the 1964 revolution in Goiás” and states that Honestino was arrested in October 1973 and “disappeared” at the same time.

A third document identified by the CNV reproduces the exchange of information between security agencies, questioning the presence of Honestino's uncle, Sebastião Norton da Fonseca, as a member of the General Subcommission of Investigations in Goiás (SubCGI/GO). In response to the request from the SNI Central Agency, the Goiânia Agency Center (NAGO/SNI) registered, on January 24, 1974, that Honestino had been “arrested by a security agency”, which is why it even recommended that he be questioned about “his possible connections” with his uncle.

To date, Honestino Monteiro Guimarães remains missing.

Honestino Monteiro Guimarães fue detenido por agentes del Estado brasileño el 10 de octubre de 1973. Más de cuarenta años después, aún no es posible presentar una conclusión irrefutable sobre los hechos que culminaron con la desaparición de este militante de la APML.

A lo largo de los años de ocultamiento, Honestino logró mantener contacto periódico con su madre, María Rosa Leite Monteiro. Madre e hijo acordaron un código de comunicación, que se utilizaría si arrestaban a Honestino. Recibiría un mensaje, proveniente de una fuente impredecible, informándole que “su hijo había sido ingresado en el Hospital de (nombre de la ciudad donde se había producido el arresto)”. A finales de 1971, Honestino se mudó a Río de Janeiro.

En los meses siguientes, el activismo político en Ação Popular (AP) sufrió un intenso debilitamiento. La violenta represión desatada durante los últimos tres años ha reducido los recursos materiales y personales disponibles para las organizaciones que luchan contra el régimen militar. Como resultado de este escenario, los debates sobre la incorporación de la AP al Partido Comunista de Brasil (PCdoB) llevaron a Honestino Guimarães, y a otros dirigentes, a desconectarse de Ação Popular. Junto con Paulo Wright y Umberto Câmara Neto, Honestino se une a la Acción Popular Marxista-Leninista (APML).

El 13 de octubre de 1973, en momentos en que la APML estaba siendo derrotada por las fuerzas de represión, la señora María Rosa Leite recibió la nota que tanto temía. Según declaración dada el 22 de diciembre de 1982, recuerda que en esa fecha “recibí en mi casa una nota lacónica”. El texto de la nota, breve y directo, no dejaba dudas: “su hijo fue internado en el hospital de Río”.

La señora María Rosa añade: "No tenía ninguna duda, inmediatamente tomé todas las medidas posibles, porque sabía que se produciría una nueva detención. Busqué desesperadamente a Honestino durante mucho tiempo. Utilicé todos los medios y recursos: contraté abogados en Río, São Paulo y Brasilia. Recurrí a los Derechos Humanos, a la ABI, al Colegio de Abogados, a la Masonería, incluso escribí al Papa. Hice todo lo que pude. Mantuve contactos con las autoridades políticas y militares de mi país, incluida una conferencia de prensa. con familiares de otros desaparecidos con el entonces ministro Golbery, de quien personalmente recibí una promesa de respuesta, que nunca llegó”.

La detención de Honestino se había producido tres días antes. A pesar de los esfuerzos de la familia de Honestino, las autoridades militares se negaron a proporcionar más información sobre su paradero. María Rosa Monteiro relató que en la Navidad de 1973, las autoridades militares le prometieron una visita a su hijo en el Equipo de Investigaciones Criminales (PIC) de Brasilia, pero la promesa nunca se cumplió. Falleció en 2012, sin información sobre lo que le pasó a su hijo después de largos años de búsqueda.

La documentación consultada muestra que los organismos de seguridad mantuvieron un amplio seguimiento a Honestino durante su clandestinidad. Sus pasos fueron seguidos de cerca por los servicios de inteligencia, que conocían su activismo en São Paulo, donde tenía contactos más frecuentes y sus principales actividades. Incluso los órganos de represión tenían conocimiento de que Honestino ya se encontraba en Guanabara a mediados de 1973.

Un documento de la Auditoría del 11º CJM incluyó a Honestino en una lista de condenados sentenciados en rebeldía, indicando que su orden de arresto, emitida por el Departamento de la Policía Federal el 21 de julio de 1972, no había sido ejecutada hasta el 8 de octubre de 1973. En dos documentos oficiales, elaborados por diferentes organismos de seguridad, se menciona explícitamente la fecha y el lugar del último arresto de Honestino, que resultó en su desaparición.

El primer documento fue localizado por la Comisión Estatal para la Memoria y la Verdad Dom Helder Câmara (Pernambuco) y analizado junto con la Comisión Estatal para la Verdad de Río de Janeiro (CEV-Rio). Elaborado por la Sección 2da del Cuartel General del Comando Costero del Ministerio de Aeronáutica, la Respuesta a Solicitud de Búsqueda No. 655/A2/COMCOS/78, de 22 de septiembre de 1978, respondió a la Agencia Salvador del SNI sobre el “regreso al país de desterrados, solicitantes de asilo, autoexiliados y/o elementos comprometidos con la subversión”.

Entre otros datos, registra que Honestino fue detenido el 10 de octubre de 1973 en Río de Janeiro. Otro documento, fechado el 8 de mayo de 1981, también confirma la ocurrencia de la detención y la fecha. Se trata del Recurso No. 002/116/NAGO/SNI/81 enviado a la Agencia Central SNI por la Agencia de Goiânia, que proporciona datos sobre los “elementos afectados por los actos de la revolución de 1964 en Goiás” y afirma que Honestino fue arrestado en octubre de 1973 y “desaparecido” al mismo tiempo.

Un tercer documento identificado por la CNV reproduce el intercambio de información entre organismos de seguridad, cuestionando la presencia del tío de Honestino, Sebastião Norton da Fonseca, como miembro de la Subcomisión General de Investigaciones en Goiás (SubCGI/GO). En respuesta a la solicitud de la Agencia Central SNI, el Centro Agencia Goiânia (NAGO/SNI) registró, el 24 de enero de 1974, que Honestino había sido “detenido por un organismo de seguridad”, por lo que incluso recomendó interrogarlo sobre “sus posibles conexiones” con su tío.

Hasta la fecha, Honestino Monteiro Guimarães sigue desaparecido.

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Honestino Monteiro Guimarães desapareceu depois de ter sido preso por forças de segurança do Estado no dia 10 de outubro de 1973, no Rio de Janeiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar, implantada no país a partir de 1964.

Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de Honestino Monteiro Guimarães, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a localização de seus restos mortais, identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Honestino Monteiro Guimarães disappeared after being arrested by State security forces on October 10, 1973, in Rio de Janeiro, in the context of systematic human rights violations promoted by the military dictatorship, implemented in the country from 1964 onwards.

It is recommended that Honestino Monteiro Guimarães' death certificate be corrected, as well as the continuation of investigations into the circumstances of the case, to locate his remains, identify and hold the other agents involved accountable.

A la vista de las investigaciones realizadas, se concluye que Honestino Monteiro Guimarães desapareció luego de ser detenido por fuerzas de seguridad del Estado el 10 de octubre de 1973, en Río de Janeiro, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos promovidas por la dictadura militar, implementada en el país a partir de 1964.

Se recomienda subsanar el certificado de defunción de Honestino Monteiro Guimarães, así como continuar las investigaciones sobre las circunstancias del caso, para localizar sus restos, identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO