Iara
Iavelberg
BIOGRAFIA
Iara Iavelberg foi psicóloga, docente e militante. Filha de uma tradicional família judia de São Paulo, casou-se aos 16 anos. Três anos depois, já mostrando seu perfil libertário e feminista, desafiou as tradições e se separou. Iniciou-se na política no movimento estudantil, em 1963, ao entrar na Faculdade de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), cujo centro acadêmico hoje leva seu nome.
Militou na Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop), na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), na VAR-Palmares e, finalmente, no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), ao qual ingressou junto a seu companheiro, Carlos Lamarca. Iara e Lamarca se conheceram em abril de 1969, dois meses após a deserção do ex-capitão. O casal era um dos mais buscados pela ditadura militar, com fotos espalhadas por todo o país.
Após passarem alguns meses no Rio de Janeiro, ambos foram à Bahia. Lamarca foi mandado para o sertão e Iara para a capital. Em agosto de 1971, policiais cercaram o apartamento onde a militante estava escondida, no bairro de Pituba, junto a outros militantes. Iara conseguiu se refugiar no apartamento vizinho, mas posteriormente foi encurralada pela polícia.
Na versão do regime militar, Iara deu um tiro contra o próprio peito quando se viu diante da impossibilidade de fugir. O laudo – que posteriormente desapareceu – foi assinado pelo legista Charles Pittex, e o corpo foi entregue à família apenas um mês após sua morte. Seguindo as tradições judaicas, Iara foi enterrada em uma área específica do cemitério destinada a suicidas, com os pés voltados para a lápide, tradição entendida como uma desonra.
A teoria de suicídio, entretanto, nunca convenceu a família, incluindo seus dois irmãos, Samuel e Raul, também militantes. Após uma longa batalha a família pôde, em 2003, reiniciar um processo de investigação e realizar uma exumação do corpo de Iara. O legista Daniel Muñoz concluiu que a morte de Iara por suicídio era “improvável”, e seu corpo foi finalmente retirado da ala de suicidas do cemitério israelita. Mariana Pamplona, sobrinha de Iara, roteirizou o documentário Em busca de Iara, no qual, além de um perfil da tia, busca desvendar as circunstâncias de sua morte.
Iara Iavelberg was a psychologist, teacher and activist. Daughter of a traditional Jewish family in São Paulo, she married at the age of 16. Three years later, already showing its libertarian and feminist profile, it defied traditions and separated. He started in politics in the student movement in 1963, when he entered the Faculty of Psychology at the University of São Paulo (USP), whose academic center today bears his name.
He was active in the Revolutionary Marxist Political Workers' Organization (Polop), in the Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), in VAR-Palmares and, finally, in the Revolutionary Movement October 8 (MR-8), which he joined with his companion, Carlos Lamarca. Iara and Lamarca met in April 1969, two months after the former captain's desertion. The couple was one of the most sought after by the military dictatorship, with photos spread across the country.
After spending a few months in Rio de Janeiro, they both went to Bahia. Lamarca was sent to the hinterland and Iara to the capital. In August 1971, police surrounded the apartment where the militant was hiding, in the Pituba neighborhood, along with other militants. Iara managed to take refuge in the neighboring apartment, but was later cornered by the police.
In the military regime's version, Iara shot himself in the chest when he found it impossible to escape. The report – which later disappeared – was signed by coroner Charles Pittex, and the body was handed over to the family just a month after his death. Following Jewish traditions, Iara was buried in a specific area of the cemetery designated for suicides, with her feet facing the tombstone, a tradition seen as a dishonor.
The suicide theory, however, never convinced the family, including his two brothers, Samuel and Raul, also militants. After a long battle, the family was able, in 2003, to restart the investigation process and carry out an exhumation of Iara's body. Coroner Daniel Muñoz concluded that Iara's death by suicide was “unlikely”, and her body was finally removed from the suicide ward of the Israeli cemetery. Mariana Pamplona, Iara's niece, wrote the documentary In Search of Iara, in which, in addition to a profile of her aunt, she seeks to uncover the circumstances of her death.
Iara Iavelberg fue psicóloga, docente y activista. Hija de una familia judía tradicional de São Paulo, se casó a los 16 años. Tres años después, mostrando ya su perfil libertario y feminista, desafió las tradiciones y se separó. Se inició en la política en el movimiento estudiantil en 1963, cuando ingresó a la Facultad de Psicología de la Universidad de São Paulo (USP), cuyo centro académico hoy lleva su nombre.
Militó en la Organización Política Obrera Marxista Revolucionaria (Polop), en la Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), en el VAR-Palmares y, finalmente, en el Movimiento Revolucionario 8 de Octubre (MR-8), al que integró junto a su compañero, Carlos Lamarca. Iara y Lamarca se conocieron en abril de 1969, dos meses después de la deserción del ex capitán. La pareja fue una de las más buscadas por la dictadura militar, con fotografías difundidas por todo el país.
Después de pasar unos meses en Río de Janeiro, ambos se dirigieron a Bahía. Lamarca fue enviada al interior y Iara a la capital. En agosto de 1971, la policía rodeó el apartamento donde se escondía el militante, en el barrio de Pituba, junto con otros militantes. Iara logró refugiarse en el apartamento vecino, pero luego fue acorralada por la policía.
En la versión del régimen militar, Iara se pegó un tiro en el pecho cuando le resultó imposible escapar. El informe -que luego desapareció- fue firmado por el forense Charles Pittex, y el cuerpo fue entregado a la familia apenas un mes después de su muerte. Siguiendo las tradiciones judías, Iara fue enterrada en una zona específica del cementerio destinada a los suicidas, con los pies mirando hacia la lápida, una tradición vista como una deshonra.
La teoría del suicidio, sin embargo, nunca convenció a la familia, incluidos sus dos hermanos, Samuel y Raúl, también militantes. Después de una larga batalla, la familia pudo, en 2003, reiniciar el proceso de investigación y realizar una exhumación del cuerpo de Iara. El forense Daniel Muñoz concluyó que la muerte de Iara por suicidio era “improbable” y su cuerpo finalmente fue retirado de la sala de suicidas del cementerio israelí. Mariana Pamplona, sobrina de Iara, escribió el documental En busca de Iara, en el que además de un perfil de su tía, busca develar las circunstancias de su muerte.
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
Iara Iavelberg foi morta no dia 20 de agosto de 1971.
De acordo com a narrativa apresentada pelas forças de segurança do Estado, especificamente no relatório da Operação Pajussara, o apartamento em que Iara se encontrava, no bairro da Pituba, em Salvador (BA), foi cercado por agentes militares e policiais comandados pelo DOICODI de Salvador, tendo à frente o então major do Exército Nilton de Albuquerque Cerqueira. Ao perceber o cerco ao apartamento, Iara se refugiou no apartamento vizinho.
Segundo a versão do DOI-CODI, na iminência de ser capturada, Iara teria cometido suicídio, como consta no relatório da Operação Pajussara: “no dia 19/08/1971 foi montada uma operação pelo CODI/06 para estourar este aparelho (…). Iara Iavelberg, a fim de evitar sua prisão e sofrendo a ação dos gases lacrimogêneos, suicidou-se”. Sabe-se que no início da década de 1970, Iara era uma das pessoas mais procuradas pelos órgãos de segurança do Estado em decorrência de seu envolvimento com Carlos Lamarca.
A montagem da Operação Pajussara começou a ganhar contornos mais claros a partir da descoberta do diário de Lamarca e de cartas que ele havia escrito para Iara, encontradas em poder de militantes do MR-8. As informações extraídas a partir das páginas do diário de Lamarca, associadas às declarações de militantes que haviam sido presos e torturados em Salvador, permitiram que os órgãos de repressão localizassem o apartamento de Nilda Carvalho Cunha e de Jaileno Sampaio Filho, no qual Iara estava escondida em Salvador.
Presa neste cerco ao apartamento, Nilda Carvalho Cunha, de apenas 17 anos, mais tarde, em 14 de novembro, morreu, vítima das torturas que sofreu por mais de dois meses. A verdade sobre a morte de Iara foi perseguida por seus familiares, que nunca se conformaram com a versão divulgada à época, de que ela teria cometido suicídio. Em parecer favorável ao deferimento do caso na CEMDP, Suzana Keniger Lisbôa afirmou que havia indícios de que Iara teria sido executada no próprio local do cerco policial.
Esta informação foi dada em depoimento prestado à CEMDP pelo jornalista Bernardino Furtado, em 23 de setembro de 1997, no gabinete do então secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Belisário dos Santos Jr., no qual afirmou: “[…] quando entrevistou o dr. Lamartine [Lima] visando obter informações sobre o laudo cadavérico de Lamarca; nessa ocasião o médico lhe relatou o seguinte: o sargento Rubem Otero confidenciou-lhe que […] participou do cerco ao apartamento de Iara Iavelberg; que quando já se encontravam dentro do apartamento, sem que tivessem encontrado qualquer pessoa, perceberam que a porta de um dos cômodos se encontrava fechada; o sargento teria disparado uma rajada de metralhadora contra essa porta, não tendo havido qualquer reação dentro do referido cômodo, o sargento chutou a porta e ali encontrou uma mulher agonizando […]”.
O depoente ouviu de Leônia Cunha, irmã de Lúcia Bernardete Cunha, que era hospedeira de Iara naquela época, a seguinte informação: “a senhora Evandir Rocha, conhecida por Vanda, zeladora do edifício naquela época, relatou a Leônia que ouviu Iara gritar que se entregava às forças da repressão, tendo em seguida ouvido os tiros”. O contra-almirante Lamartine Lima declarou que Rubem Otero não lhe confessara ter atirado em ninguém, e dissera apenas que disparara sua arma.
A proprietária do apartamento 202, Shirlei Freitas Silveira, também foi ouvida pela CEMDP, pois oito dias após a morte de Iara esteve no local para verificar o estado do apartamento, e afirmou que havia outros três tiros no banheiro onde Iara supostamente teria se suicidado com um único tiro. Ivan Pugliese, uma das pessoas que prestou depoimento à CEMDP, sobre o caso de Iara, declarou: “quando saía para o trabalho, ouvi os tiros que mataram Iara. Atiro desde os 12 anos e reconheço estampido de armas. Eram armas diferentes, de cano curto. Provavelmente uma pistola automática e um revólver”.
O caso de Iara foi apresentado inicialmente em 2 de dezembro de 1997, na CEMDP, com voto favorável da relatora, Suzana Keniger Lisbôa, no entanto, o general Oswaldo Pereira Gomes pediu vista. Ao ser colocado em votação em 5 de maio de 1998, com voto do general pelo indeferimento, foi incluído pela relatora um “Adendo ao Voto” inicial, contendo parecer criminalístico elaborado pelo perito Celso Nenevê.
As versões oficiais sobre o fato foram contestadas, por causa das contradições existentes e os indícios que indicavam a intenção de falsear a causa de sua morte, entre eles a divulgação do “suicídio” um mês depois da morte de Iara, em escassas linhas, com o anúncio das mortes de Carlos Lamarca e de José Campos Barreto, e o desaparecimento dos documentos relativos ao episódio.
Não foi realizada à época nenhuma perícia de local, nem exames papiloscópicos para comprovar a causa mortis de Iara. As fotos do local (constantes do documento 2/1971, do Serviço de Informações da Polícia Federal), onde Iara supostamente teria cometido suicídio, não apresentam indícios que comprovam a versão oficial. Não foram divulgadas fotos da arma utilizada no suicídio, e não foi localizado o projétil que provocou a morte da militante, bem como o banheiro no qual Iara foi morta encontrava-se limpo logo após o evento, tampouco foi produzido um relatório dos eventos que ocorreram no cerco policial.
Outra contradição em relação à versão de suicídio está nos relatórios das Forças Armadas que, em 1993, foram encaminhados ao ministro da Justiça, e apresentavam divergências nas versões sobre a morte de Iara: enquanto o da Marinha afirmou “[…] foi morta em Salvador (BA), em ação de segurança” o da Aeronáutica asseverou que “[…] se suicidou em Salvador (BA) […] no interior de uma residência, quando esta foi cercada pela polícia”. O laudo necroscópico de Iara não foi encontrado no Instituto Médico Legal (IML) Nina Rodrigues, da Bahia, e não há sequer o registro de entrada do corpo. A CEMDP buscou exaustivamente os documentos relativos à morte de Iara.
Nilmário Miranda esteve pessoalmente em Salvador e colheu vários depoimentos. Em diversos contatos telefônicos com o diretor do IML em 1971, Lamartine Lima, foi informado de que havia duas vias do laudo de Iara, uma entregue à Polícia Federal (PF) e outra enviada ao comando da 6ª Região Militar. Em 1997, o diretor do IML afirmou em ofício para a CEMDP que o órgão não dispunha de cópia e que o laudo original fora entregue à PF, enviando à Comissão Especial cópia dos rascunhos, feitos por Charles Pittex por ocasião da necropsia.
O laudo descrevia com minúcias até as roupas que Iara usava, mas não incluiu informações precisas capazes de esclarecer se Iara se suicidou ou foi assassinada. Não fez qualquer referência quanto ao tipo, à descrição e à localização dos ferimentos. Apenas citou a lesão característica de disparo a curta distância, na região mamária esquerda e a saída próxima à região lombar. Na descrição detalhada das vestes, não mencionou os vestígios que caracterizariam o disparo, nem tampouco manchas de sangue. Tanto em seu rascunho quanto no atestado de óbito, o legista colocou uma interrogação ao lado da versão de suicídio.
A Comissão da Verdade Rubens Paiva de São Paulo realizou audiência pública sobre o caso Iara Iavelberg no dia 4 de março de 2013, com a participação de Samuel Iavelberg (irmão); Mariana Pamplona (sobrinha e roteirista do documentário Em busca de Iara); Flávio Frederico (diretor do documentário Em busca de Iara); Daniel Muñoz (médico) e Luiz Eduardo Grenhalgh (advogado da família de Iara). Os depoimentos revelaram que a sociedade Chevra Kadisha, responsável pelo Cemitério Israelita do Butantã, dificultou ao máximo a exumação dos restos mortais de Iara.
Em 2003, finalmente o corpo foi exumado, sendo responsável pela necropsia dos restos mortais o médico Daniel Romero Muñoz, e o novo laudo confirmou que Iara foi assassinada. “A descrição do laudo necroscópico oficial não é compatível com suicídio”, disse Muñoz, professor da Faculdade de Medicina da USP. Na audiência pública, Munõz fez uma detalhada exposição dos exames que comprovam que Iara foi assassinada.
Iara Iavelberg was killed on August 20, 1971.
According to the narrative presented by the State security forces, specifically in the Operation Pajussara report, the apartment in which Iara was located, in the Pituba neighborhood, in Salvador (BA), was surrounded by military and police agents commanded by DOICODI of Salvador, led by the then Army Major Nilton de Albuquerque Cerqueira. Upon noticing the siege of the apartment, Iara took refuge in the neighboring apartment.
According to the DOI-CODI version, on the verge of being captured, Iara would have committed suicide, as stated in the Operation Pajussara report: “on 08/19/1971 an operation was mounted by CODI/06 to blow up this device (…). Iara Iavelberg, in order to avoid her arrest and suffering the action of tear gas, committed suicide”. It is known that at the beginning of the 1970s, Iara was one of the most wanted people by state security agencies due to her involvement with Carlos Lamarca.
The setup of Operation Pajussara began to gain clearer outlines following the discovery of Lamarca's diary and letters he had written to Iara, found in the possession of MR-8 militants. The information extracted from the pages of Lamarca's diary, associated with the statements of militants who had been arrested and tortured in Salvador, allowed the repression bodies to locate the apartment of Nilda Carvalho Cunha and Jaileno Sampaio Filho, in which Iara was hiding in Salvador.
Caught in this siege of the apartment, Nilda Carvalho Cunha, just 17 years old, later, on November 14, died, a victim of the torture she suffered for more than two months. The truth about Iara's death was pursued by her family, who never accepted the version published at the time, that she had committed suicide. In an opinion in favor of granting the case at CEMDP, Suzana Keniger Lisbôa stated that there was evidence that Iara had been executed at the very site of the police siege.
This information was given in a statement given to CEMDP by journalist Bernardino Furtado, on September 23, 1997, in the office of the then Secretary of Justice of the State of São Paulo, Belisário dos Santos Jr., in which he stated: “[…] when he interviewed Dr. Lamartine [Lima] in order to obtain information about Lamarca's cadaver report; on that occasion the doctor reported the following to him: Sergeant Rubem Otero confided to him that […] he participated in the siege of Iara Iavelberg's apartment; when they were already inside the apartment, without having found anyone, they realized that the door to one of the rooms was closed; the sergeant allegedly fired a machine gun at the door, and there was no reaction inside that room, the sergeant kicked the door and found a woman in agony [...]”.
The deponent heard from Leônia Cunha, sister of Lúcia Bernardete Cunha, who was Iara's host at the time, the following information: “Mrs. Evandir Rocha, known as Vanda, caretaker of the building at the time, reported to Leônia that she heard Iara scream that she was surrendering herself to the forces of repression, and then heard the shots”. Rear Admiral Lamartine Lima declared that Rubem Otero had not confessed to him that he had shot anyone, and had only said that he had fired his weapon.
The owner of apartment 202, Shirlei Freitas Silveira, was also interviewed by CEMDP, as eight days after Iara's death she was there to check the condition of the apartment, and stated that there were three other gunshots in the bathroom where Iara allegedly committed suicide with a single shot. Ivan Pugliese, one of the people who gave a statement to CEMDP about Iara's case, stated: "when I was leaving for work, I heard the shots that killed Iara. I have been shooting since I was 12 years old and I recognize gunshots. They were different weapons, with short barrels. Probably an automatic pistol and a revolver."
Iara's case was initially presented on December 2, 1997, at CEMDP, with a favorable vote from the rapporteur, Suzana Keniger Lisbôa, however, General Oswaldo Pereira Gomes requested a review. When put to vote on May 5, 1998, with the general's vote for rejection, the rapporteur included an initial “Addendum to the Vote”, containing a criminal opinion prepared by expert Celso Nenevê.
The official versions of the incident were contested, due to existing contradictions and evidence that indicated the intention to falsify the cause of her death, including the publication of the “suicide” a month after Iara's death, in a few lines, with the announcement of the deaths of Carlos Lamarca and José Campos Barreto, and the disappearance of documents relating to the episode.
At the time, no site investigation or papilloscopic examinations were carried out to prove Iara's cause of death. The photos of the place (contained in document 2/1971, from the Federal Police Information Service), where Iara allegedly committed suicide, do not present evidence that proves the official version. No photos of the weapon used in the suicide were released, and the projectile that caused the activist's death was not located, nor was the bathroom in which Iara was killed found clean immediately after the event, nor was a report produced on the events that occurred during the police siege.
Another contradiction in relation to the suicide version is in the Armed Forces reports that, in 1993, were sent to the Minister of Justice, and presented divergences in the versions of Iara's death: while the Navy's report stated “[…] she was killed in Salvador (BA), in a security action”, the Air Force's report stated that “[…] she committed suicide in Salvador (BA) […] inside a residence, when it was surrounded by the police”. Iara's autopsy report was not found at the Nina Rodrigues Legal Medical Institute (IML), in Bahia, and there is not even a record of the body's entry. CEMDP exhaustively searched for documents relating to Iara's death.
Nilmário Miranda was personally in Salvador and took several testimonies. In several telephone contacts with the director of the IML in 1971, Lamartine Lima, he was informed that there were two copies of Iara's report, one delivered to the Federal Police (PF) and the other sent to the command of the 6th Military Region. In 1997, the director of the IML stated in a letter to the CEMDP that the body did not have a copy and that the original report had been delivered to the PF, sending a copy of the drafts, made by Charles Pittex at the time of the autopsy, to the Special Commission.
The report even described in detail the clothes Iara wore, but did not include precise information capable of clarifying whether Iara committed suicide or was murdered. He made no reference to the type, description or location of the injuries. He only mentioned the characteristic injury from a close-range shot, in the left breast region and the exit close to the lumbar region. In the detailed description of the clothes, he did not mention the traces that would characterize the shooting, nor blood stains. Both in his draft and in the death certificate, the coroner placed a question mark next to the suicide version.
The Rubens Paiva Truth Commission of São Paulo held a public hearing on the Iara Iavelberg case on March 4, 2013, with the participation of Samuel Iavelberg (brother); Mariana Pamplona (niece and screenwriter of the documentary In Search of Iara); Flávio Frederico (director of the documentary In Search of Iara); Daniel Muñoz (doctor) and Luiz Eduardo Grenhalgh (lawyer for Iara’s family). The statements revealed that the Chevra Kadisha society, responsible for the Butantã Israeli Cemetery, made the exhumation of Iara's remains as difficult as possible.
In 2003, the body was finally exhumed, with doctor Daniel Romero Muñoz responsible for the autopsy of the remains, and the new report confirmed that Iara was murdered. “The description in the official autopsy report is not compatible with suicide,” said Muñoz, professor at the USP Faculty of Medicine. At the public hearing, Munõz gave a detailed presentation of the tests that prove that Iara was murdered.
Iara Iavelberg fue asesinada el 20 de agosto de 1971.
Según el relato presentado por las fuerzas de seguridad del Estado, específicamente en el informe de la Operación Pajussara, el apartamento en el que se encontraba Iara, en el barrio de Pituba, en Salvador (BA), fue rodeado por agentes militares y policiales comandados por el DOICODI de Salvador, encabezados por el entonces Mayor del Ejército Nilton de Albuquerque Cerqueira. Al notar el asedio del departamento, Iara se refugió en el departamento vecino.
Según la versión del DOI-CODI, a punto de ser capturada, Iara se habría suicidado, tal como consta en el informe de la Operación Pajussara: “el 19/08/1971 se montó un operativo por parte del CODI/06 para hacer estallar este artefacto (…) Iara Iavelberg, para evitar su detención y sufrir la acción de los gases lacrimógenos, se suicidó”. Se sabe que a principios de la década de 1970, Iara era una de las personas más buscadas por los organismos de seguridad del Estado debido a su vinculación con Carlos Lamarca.
La configuración de la Operación Pajussara comenzó a adquirir líneas más claras tras el descubrimiento del diario de Lamarca y las cartas que había escrito a Iara, encontradas en posesión de militantes del MR-8. Las informaciones extraídas de las páginas del diario de Lamarca, asociadas a las declaraciones de militantes detenidos y torturados en Salvador, permitieron a los órganos de represión localizar el apartamento de Nilda Carvalho Cunha y Jaileno Sampaio Filho, en el que Iara se escondía en Salvador.
Atrapada en este asedio al apartamento, Nilda Carvalho Cunha, de apenas 17 años, murió más tarde, el 14 de noviembre, víctima de las torturas que sufrió durante más de dos meses. La verdad sobre la muerte de Iara fue perseguida por su familia, quienes nunca aceptaron la versión publicada en su momento, de que ella se había suicidado. En un dictamen a favor de la admisión del caso en el CEMDP, Suzana Keniger Lisbôa afirmó que había pruebas de que Iara había sido ejecutada en el mismo lugar del asedio policial.
Esta información fue dada en declaración al CEMDP por el periodista Bernardino Furtado, el 23 de septiembre de 1997, en el despacho del entonces Secretario de Justicia del Estado de São Paulo, Belisário dos Santos Jr., en la que afirmó: “[…] cuando entrevistó al Dr. Lamartine [Lima] para obtener información sobre el informe del cadáver de Lamarca; en esa ocasión el médico le informó lo siguiente: El sargento Rubem Otero le confió que […] participaba en el asedio al departamento de Iara Iavelberg; cuando ya estaban dentro del departamento, sin haber encontrado a nadie, se dieron cuenta que la puerta de una de las habitaciones estaba cerrada; el sargento presuntamente disparó una ametralladora contra la puerta, y dentro de esa habitación no hubo reacción, el sargento pateó la puerta y encontró a una mujer en agonía […]”.
El declarante escuchó de Leônia Cunha, hermana de Lúcia Bernardete Cunha, quien era la anfitriona de Iara en ese momento, la siguiente información: “La señora Evandir Rocha, conocida como Vanda, guardiana del edificio en ese momento, informó a Leônia que escuchó a Iara gritar que se estaba entregando a las fuerzas de la represión, y luego escuchó los disparos”. El contraalmirante Lamartine Lima declaró que Rubem Otero no le había confesado haber disparado a nadie, y sólo había dicho que había disparado su arma.
La propietaria del apartamento 202, Shirlei Freitas Silveira, también fue entrevistada por el CEMDP, ya que ocho días después de la muerte de Iara estuvo allí para comprobar el estado del apartamento, y afirmó que había otros tres disparos en el baño donde Iara supuestamente se suicidó de un solo tiro. Ivan Pugliese, una de las personas que brindó declaración al CEMDP sobre el caso de Iara, afirmó: "cuando salía a trabajar, escuché los disparos que mataron a Iara. Tiro desde que tenía 12 años y reconozco disparos. Eran armas diferentes, con cañones cortos. Probablemente una pistola automática y un revólver".
El caso de Iara fue presentado inicialmente el 2 de diciembre de 1997, en el CEMDP, con voto favorable de la relatora, Suzana Keniger Lisbôa, sin embargo, el general Oswaldo Pereira Gomes solicitó una revisión. Cuando se sometió a votación el 5 de mayo de 1998, con el voto de rechazo del general, el relator incluyó una “Adenda a la votación” inicial, que contenía un dictamen penal elaborado por el experto Celso Nenevê.
Las versiones oficiales del hecho fueron cuestionadas, por contradicciones existentes y pruebas que indicaban la intención de falsear la causa de su muerte, incluida la publicación del “suicidio” un mes después de la muerte de Iara, en unas pocas líneas, con el anuncio de la muerte de Carlos Lamarca y José Campos Barreto, y la desaparición de documentos relacionados con el episodio.
En ese momento, no se llevó a cabo ninguna investigación del lugar ni exámenes papiloscópicos para demostrar la causa de la muerte de Iara. Las fotografías del lugar (contenidas en el documento 2/1971, del Servicio de Información de la Policía Federal), donde supuestamente se suicidó Iara, no presentan pruebas que acrediten la versión oficial. No se difundieron fotografías del arma utilizada en el suicidio, ni se localizó el proyectil que provocó la muerte de la activista, ni se encontró limpio el baño en el que Iara fue asesinada inmediatamente después del hecho, ni se elaboró un informe sobre los hechos ocurridos durante el asedio policial.
Otra contradicción con relación a la versión del suicidio está en los informes de las Fuerzas Armadas que, en 1993, fueron enviados al Ministro de Justicia, y presentaban divergencias en las versiones sobre la muerte de Iara: mientras el informe de la Marina señalaba “[…] fue asesinada en Salvador (BA), en una acción de seguridad”, el informe de la Fuerza Aérea señalaba que “[…] se suicidó en Salvador (BA) […] dentro de una residencia, cuando estaba rodeada por la policía”. El informe de la autopsia de Iara no fue encontrado en el Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IML), de Bahía, y ni siquiera consta el ingreso del cadáver. El CEMDP buscó exhaustivamente documentos relacionados con la muerte de Iara.
Nilmário Miranda estuvo personalmente en Salvador y tomó varios testimonios. En varios contactos telefónicos con el director del IML en 1971, Lamartine Lima, le informaron que había dos copias del informe de Iara, una entregada a la Policía Federal (PF) y la otra enviada al comando de la VI Región Militar. En 1997, el director del IML manifestó en carta al CEMDP que el organismo no contaba con copia y que el informe original había sido entregado a la PF, enviando copia de los borradores, realizados por Charles Pittex en el momento de la autopsia, a la Comisión Especial.
El informe incluso describía en detalle la ropa que vestía Iara, pero no incluía información precisa capaz de esclarecer si Iara se suicidó o fue asesinada. No hizo referencia al tipo, descripción o ubicación de las lesiones. Sólo mencionó la lesión característica por un disparo a corta distancia, en la región del pecho izquierdo y la salida cercana a la región lumbar. En la descripción detallada de la ropa no mencionó las huellas que caracterizarían el tiroteo, ni manchas de sangre. Tanto en su borrador como en el certificado de defunción, el forense colocó un signo de interrogación junto a la versión del suicidio.
La Comisión de la Verdad Rubens Paiva de São Paulo realizó una audiencia pública sobre el caso Iara Iavelberg el 4 de marzo de 2013, con la participación de Samuel Iavelberg (hermano); Mariana Pamplona (sobrina y guionista del documental En busca de Iara); Flávio Frederico (director del documental En busca de Iara); Daniel Muñoz (médico) y Luiz Eduardo Grenhalgh (abogado de la familia de Iara). Las declaraciones revelaron que la sociedad Chevra Kadisha, responsable del Cementerio Israelí de Butantã, dificultó al máximo la exhumación de los restos de Iara.
En 2003, el cuerpo fue finalmente exhumado, siendo el médico Daniel Romero Muñoz el responsable de la autopsia de los restos, y el nuevo informe confirmó que Iara fue asesinada. “La descripción que figura en el informe oficial de la autopsia no es compatible con el suicidio”, afirmó Muñoz, docente de la Facultad de Medicina de la USP. En la audiencia pública, Muñoz hizo una presentación detallada de las pruebas que acreditan que Iara fue asesinada.
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br