Foto de Issami Nakamura Okano

Issami
Nakamura
Okano

25/11/1945 - 1974
Cravinhos, SP
EstudanteStudentAlumno

Em 14 de maio de 1974, Issami Nakamura Okano foi preso por agentes do Destacamento de Operações e Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) no trajeto para sua casa, no bairro de Pinheiros, em São Paulo (SP), em decorrência de sua militância política.

De acordo com documento do SNI, datado de 27 de fevereiro de 1975, com origem no CIE, Issami “pertencia a um grupo que estava se estruturando, não tendo chegado a realizar nenhuma ação”. Em resposta à interpelação apresentada na faculdade de direito da USP, quando, conforme depoimento do advogado Idibal Piveta prestado à Comissão Estadual da Verdade de São Paulo, no dia 10 de abril de 2013, “pela primeira vez foi denunciada uma relação de vinte cinco pessoas torturadas, lista encaminhada ao ministro da justiça, ao presidente da república e distribuído por meio de papeis mimeografados”, o então ministro da justiça Armando Falcão afirmou, por meio de anúncio à imprensa, datado de 7 de fevereiro de 1975, que Issami havia sido preso, teria sido processado e estava foragido.

Tal declaração foi contestada por Piveta, que alegou que Issami jamais esteve foragido, uma vez que, após o cumprimento de sua pena, foi solto e retornou às suas atividades laborais e acadêmicas. Corroborando com o argumentado por Piveta, relatório do Ministério da Marinha, encaminhado ao ministro da Justiça, Maurício Corrêa em 1993, indica que Issami havia “desaparecido em 14/5/74 quando se dirigia de casa para o trabalho”.

Nesse contexto, o ex-agente Marival Chaves Dias do Canto, em depoimento prestado à CNV no dia 21 de novembro de 2012, afirma que tal expediente somente foi possível em razão da infiltração na Ação Libertadora Nacional (ALN) a partir de 1973, de João Henrique Ferreira de Carvalho, hoje médico pediatra, que vive em Brasília, então conhecido no DOI-CODI de São Paulo como “Jota”. Ainda, conforme depoimento de Marival Chaves ratificado por Idibal Piveta, Issami, após sequestro e prisão capitaneada pelos agentes do DOI–CODI de São Paulo, foi levado para o estado do Rio de Janeiro, mais especificamente para a Casa da Morte de Petrópolis, onde teria sido torturado e morto.

Ao ser confrontado com a fotografia de Issami Nakamura Okano durante depoimento prestado à CNV em 25 de março de 2014, o agente do CIE coronel Paulo Malhães deixou transparecer conhecimento sobre o caso:

José Carlos Dias (Comissão Nacional da Verdade) – Certo. Posso fazer umas perguntas de algumas pessoas que passaram pela casa de Petrópolis? Para ver se o senhor se lembra? […] Issami Nakamura Okano?

O Sr. Paulo Malhães – Um momento, por favor. Como é o nome de japonês? Eu estou aqui pensando que já escutei o nome japonês, certo? Se é Otami ou se é Sujiaki. Mas existe um nome japonês, isso eu me lembro. […]

On May 14, 1974, Issami Nakamura Okano was arrested by agents from the Operations and Information Detachment – ​​Internal Defense Operations Center (DOI-CODI) on the way to his home, in the Pinheiros neighborhood, in São Paulo (SP), as a result of his political activism.

According to an SNI document, dated February 27, 1975, originating from the CIE, Issami “belonged to a group that was structuring itself, having never taken any action.” In response to the question presented at the USP law school, when, according to the testimony of lawyer Idibal Piveta given to the State Truth Commission of São Paulo, on April 10, 2013, “for the first time a list of twenty-five tortured people was reported, a list forwarded to the minister of justice, the president of the republic and distributed through mimeographed papers”, the then minister of justice Armando Falcão stated, through an announcement to the press, dated February 7, 1975, that Issami had been arrested, had been prosecuted and was at large.

This statement was contested by Piveta, who claimed that Issami was never on the run, since, after serving his sentence, he was released and returned to his work and academic activities. Corroborating what Piveta argued, a report from the Ministry of the Navy, sent to the Minister of Justice, Maurício Corrêa in 1993, indicates that Issami had “disappeared on 5/14/74 when he was heading from home to work”.

In this context, former agent Marival Chaves Dias do Canto, in a statement given to the CNV on November 21, 2012, states that such an expedient was only possible due to the infiltration of Ação Libertadora Nacional (ALN) from 1973, by João Henrique Ferreira de Carvalho, now a pediatrician, who lives in Brasília, then known at DOI-CODI in São Paulo as “Jota”. Furthermore, according to Marival Chaves' testimony ratified by Idibal Piveta, Issami, after being kidnapped and arrested by DOI–CODI agents in São Paulo, was taken to the state of Rio de Janeiro, more specifically to the House of Death in Petrópolis, where he was allegedly tortured and killed.

When confronted with the photograph of Issami Nakamura Okano during a statement given to the CNV on March 25, 2014, CIE agent Colonel Paulo Malhães revealed his knowledge about the case:

José Carlos Dias (National Truth Commission) – Right. Can I ask some questions from some people who visited the Petrópolis house? To see if you remember? […] Issami Nakamura Okano?

Mr. Paulo Malhães – One moment, please. What is the Japanese name? I'm here thinking I've heard the Japanese name, right? If it's Otami or if it's Sujiaki. But there is a Japanese name, I remember that. […]

El 14 de mayo de 1974, Issami Nakamura Okano fue detenido por agentes del Destacamento de Operaciones e Información – Centro de Operaciones de Defensa Interna (DOI-CODI) cuando se dirigía a su domicilio, en el barrio de Pinheiros, en São Paulo (SP), como resultado de su activismo político.

Según un documento del SNI, fechado el 27 de febrero de 1975, procedente del CIE, Issami “pertenecía a un grupo que se estaba estructurando, sin haber tomado nunca medida alguna”. En respuesta a la pregunta formulada en la Facultad de Derecho de la USP, cuando, según el testimonio del abogado Idibal Piveta ante la Comisión Estatal de la Verdad de São Paulo, el 10 de abril de 2013, “por primera vez fue denunciada una lista de veinticinco personas torturadas, remitida al Ministro de Justicia, al Presidente de la República y distribuida mediante papeles mimeografiados”, afirmó el entonces ministro de Justicia, Armando Falcão, en un comunicado a la prensa, del 7 de febrero: en 1975, que Issami había sido detenido, procesado y en libertad.

Esta afirmación fue contestada por Piveta, quien afirmó que Issami nunca estuvo prófugo, ya que, luego de cumplir su condena, fue liberado y retornó a sus actividades laborales y académicas. Corroborando lo argumentado por Piveta, un informe del Ministerio de Marina, enviado al Ministro de Justicia, Maurício Corrêa, en 1993, indica que Issami había “desaparecido el 14/05/74 cuando se dirigía de su casa al trabajo”.

En este contexto, el ex agente Marival Chaves Dias do Canto, en declaración dada a la CNV el 21 de noviembre de 2012, afirma que tal expediente sólo fue posible gracias a la infiltración en la Asociación Libertadora Nacional (ALN) desde 1973, de João Henrique Ferreira de Carvalho, hoy pediatra, residente en Brasilia, entonces conocido en el DOI-CODI de São Paulo como “Jota”. Además, según el testimonio de Marival Chaves ratificado por Idibal Piveta, Issami, luego de ser secuestrado y arrestado por agentes del DOI-CODI en São Paulo, fue trasladado al estado de Río de Janeiro, más específicamente a la Casa de la Muerte en Petrópolis, donde presuntamente fue torturado y asesinado.

Ante la fotografía de Issami Nakamura Okano durante una declaración ante la CNV el 25 de marzo de 2014, el agente del CIE coronel Paulo Malhães reveló su conocimiento sobre el caso:

José Carlos Dias (Comisión Nacional de la Verdad) – Derecha. ¿Puedo hacer algunas preguntas a algunas personas que visitaron la casa de Petrópolis? ¿Para ver si te acuerdas? […] ¿Issami Nakamura Okano?

Sr. Paulo Malhães – Un momento, por favor. ¿Cuál es el nombre japonés? Estoy aquí pensando que escuché el nombre japonés, ¿verdad? Si es Otami o si es Sujiaki. Pero hay un nombre japonés, lo recuerdo. […]

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Issami Nakamura Okano desapareceu em decorrência de ação perpetrada por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar, implantada no país a partir de abril de 1964.

Recomenda-se a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso para a localização de seus restos mortais, identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Issami Nakamura Okano disappeared as a result of actions perpetrated by agents of the Brazilian State, in the context of systematic human rights violations promoted by the military dictatorship, implemented in the country from April 1964.

It is recommended that investigations into the circumstances of the case continue to locate his remains, identify and hold the other agents involved accountable.

A la vista de las investigaciones realizadas, se concluye que Issami Nakamura Okano desapareció como consecuencia de acciones perpetradas por agentes del Estado brasileño, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos promovidas por la dictadura militar, implementada en el país a partir de abril de 1964.

Se recomienda continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso para localizar sus restos, identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO