Foto de Izis Dias de Oliveira

Izis
Dias
de Oliveira

12/1/1942 - 1972
São Paulo, SP
Professora, UniversitáriaProfessor, UniversityProfesor, Universidad

Izis Dias de Oliveira desapareceu no dia 30 de janeiro de 1972. Com ela, também desapareceu Paulo Cesar Botelho Massa. Na época, viviam juntos em um “aparelho” da Ação Libertadora Nacional (ALN), na cidade do Rio de Janeiro.

No dia 4 de fevereiro de 1972, Aurora Maria Nascimento Furtado, amiga de Izis, entrou em contato com seus pais, afirmando que sua filha havia sido presa pelo I Exército e que era urgente empreender uma busca, pois, segundo Aurora, Izis estava em perigo. Assim que receberam a ligação, a família Oliveira mobilizou-se para buscar informações sobre a filha desaparecida.

Procuraram-na em todas as unidades das Forças Armadas nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, em diversos hospitais e também nos arquivos dos cemitérios cariocas, de Caxias, de Nilópolis, de São João do Meriti, de Nova Iguaçu, de São Gonçalo, de Itaguaí e de outros cemitérios em São Paulo. A mãe de Izis, Felícia Mardini, também escreveu cartas para autoridades políticas e religiosas, inclusive para o então presidente militar, general Emílio Garrastazu Médici.

Cinco habeas corpus foram impetrados, sem resultado, muito dos quais foram respondidos com a afirmação oficial de que Izis, na verdade, estava “foragida”. Oficiosamente, familiares souberam que Izis esteve nos Destacamentos de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do Rio de Janeiro e de São Paulo; que, em março de 1972, esteve hospitalizada por conta de problemas renais; que passou pela base aérea de Cumbica, em São Paulo, pelo Centro de Informações da Aeronáutica (Cenimar) e pelo Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro – fatos que nunca puderam ser devidamente apurados.

Novas informações surgiram nos anos seguintes. Em 28 de janeiro de 1979, em matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo pelo jornalista Antônio Henrique Lago, o general Adyr Fiúza confirmou a morte de Izis, Paulo Cesar e outros dez militantes. Quase dez anos depois, em abril de 1987, em matéria publicada pela revista IstoÉ, o médico Amilcar Lobo – acusado de ter participado de torturas durante a ditadura militar – declarou ter reconhecido Izis como uma das presas do DOI-CODI do Rio de Janeiro, sem precisar a data do encontro.

Outra possibilidade para o desaparecimento de Izis pode ser levantada a partir da leitura do documento nº 4057/16/1975/ASP/SNI, de 11 de setembro de 1975, expedido pelo Serviço Nacional de Informações (SNI); uma lista com nomes de militantes, cada qual associado a uma data e uma sigla. É possível inferir que as datas grafadas referem-se a data da morte de cada um. Nesse documento aparece o nome de “Isis de Oliveira Del Rey”, referindo-se, provavelmente, ao nome de casada de Izis.

Associado a ela aparece a data do dia 31 de janeiro de 1972 e “estado da Guanabara”. Segundo esse documento, imagina-se, Izis teria falecido no dia seguinte à prisão. Hipótese defendida por seu ex-marido, José Luiz Del Roio, que sempre manteve a esperança de que ela não tenha se deixado prender. Segundo o próprio, durante depoimento à Comissão Estadual Rubens Paiva, Izis “estava absolutamente decidida a não se entregar viva”.

Izis Dias de Oliveira disappeared on January 30, 1972. With her, Paulo Cesar Botelho Massa also disappeared. At the time, they lived together in an “apparatus” of Ação Libertadora Nacional (ALN), in the city of Rio de Janeiro.

On February 4, 1972, Aurora Maria Nascimento Furtado, a friend of Izis, contacted her parents, stating that her daughter had been arrested by the 1st Army and that it was urgent to carry out a search, as, according to Aurora, Izis was in danger. As soon as they received the call, the Oliveira family mobilized to seek information about their missing daughter.

They looked for it in all units of the Armed Forces in the cities of Rio de Janeiro and São Paulo, in several hospitals and also in the archives of the cemeteries in Rio de Janeiro, Caxias, Nilópolis, São João do Meriti, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Itaguaí and other cemeteries in São Paulo. Izis' mother, Felícia Mardini, also wrote letters to political and religious authorities, including the then military president, General Emílio Garrastazu Médici.

Five habeas corpus were filed, without result, many of which were answered with the official statement that Izis, in fact, was “at large”. Unofficially, family members learned that Izis was in the Information Operations Detachments – Internal Defense Operations Center (DOI-CODI) in Rio de Janeiro and São Paulo; who, in March 1972, was hospitalized due to kidney problems; which passed through the Cumbica air base, in São Paulo, the Aeronautical Information Center (Cenimar) and Campo dos Afonsos, in Rio de Janeiro – facts that could never be properly investigated.

New information emerged in the following years. On January 28, 1979, in an article published in the newspaper Folha de S. Paulo by journalist Antônio Henrique Lago, General Adyr Fiúza confirmed the death of Izis, Paulo Cesar and ten other militants. Almost ten years later, in April 1987, in an article published by IstoÉ magazine, doctor Amilcar Lobo – accused of having participated in torture during the military dictatorship – declared that he recognized Izis as one of the prisoners of DOI-CODI in Rio de Janeiro, without specifying the date of the meeting.

Another possibility for Izis' disappearance can be raised by reading document nº 4057/16/1975/ASP/SNI, dated September 11, 1975, issued by the National Information Service (SNI); a list with the names of activists, each associated with a date and an acronym. It is possible to infer that the dates written refer to the date of each person’s death. The name “Isis de Oliveira Del Rey” appears in this document, probably referring to Izis’ married name.

Associated with it appears the date of January 31, 1972 and “state of Guanabara”. According to this document, it is believed that Izis would have died the day after his arrest. Hypothesis defended by her ex-husband, José Luiz Del Roio, who always maintained the hope that she had not allowed herself to be trapped. According to him, during his testimony to the Rubens Paiva State Commission, Izis “was absolutely determined not to give herself up alive”.

Izis Dias de Oliveira desapareció el 30 de enero de 1972. Con ella también desapareció Paulo Cesar Botelho Massa. En ese momento vivían juntos en un “aparato” de la Ação Libertadora Nacional (ALN), en la ciudad de Río de Janeiro.

El 4 de febrero de 1972, Aurora María Nascimento Furtado, amiga de Izis, se comunicó con sus padres, manifestándoles que su hija había sido detenida por el 1.º Ejército y que era urgente realizar una búsqueda, ya que, según Aurora, Izis estaba en peligro. Tan pronto como recibieron la llamada, la familia Oliveira se movilizó para buscar información sobre su hija desaparecida.

Lo buscaron en todas las unidades de las Fuerzas Armadas en las ciudades de Río de Janeiro y São Paulo, en varios hospitales y también en los archivos de los cementerios de Río de Janeiro, Caxias, Nilópolis, São João do Meriti, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Itaguaí y otros cementerios de São Paulo. La madre de Izis, Felícia Mardini, también escribió cartas a autoridades políticas y religiosas, incluido el entonces presidente militar, general Emílio Garrastazu Médici.

Se interpusieron cinco hábeas corpus, sin resultado, muchos de los cuales fueron respondidos con la declaración oficial de que Izis, en efecto, estaba “en libertad”. Extraoficialmente, los familiares conocieron que Izis se encontraba en los Destacamentos de Operaciones de Información – Centro de Operaciones de Defensa Interna (DOI-CODI) en Río de Janeiro y São Paulo; quien, en marzo de 1972, fue hospitalizado por problemas renales; que pasó por la base aérea de Cumbica, en São Paulo, el Centro de Información Aeronáutica (Cenimar) y el Campo dos Afonsos, en Río de Janeiro, hechos que nunca pudieron ser investigados adecuadamente.

Nueva información surgió en los años siguientes. El 28 de enero de 1979, en un artículo publicado en el diario Folha de S. Paulo por el periodista Antônio Henrique Lago, el general Adyr Fiúza confirmó la muerte de Izis, Paulo Cesar y otros diez militantes. Casi diez años después, en abril de 1987, en un artículo publicado por la revista IstoÉ, el médico Amílcar Lobo –acusado de haber participado en torturas durante la dictadura militar– declaró que reconocía a Izis como uno de los prisioneros del DOI-CODI en Río de Janeiro, sin precisar la fecha del encuentro.

Otra posibilidad de la desaparición de Izis se puede plantear con la lectura del documento nº 4057/16/1975/ASP/SNI, de fecha 11 de septiembre de 1975, emitido por el Servicio Nacional de Información (SNI); una lista con los nombres de los activistas, cada uno asociado a una fecha y una sigla. Es posible inferir que las fechas escritas se refieren a la fecha del fallecimiento de cada persona. En este documento aparece el nombre “Isis de Oliveira Del Rey”, probablemente haciendo referencia al apellido de casada de Izis.

Asociado a él aparece la fecha del 31 de enero de 1972 y “estado de Guanabara”. Según este documento, se cree que Izis habría muerto al día siguiente de su detención. Hipótesis defendida por su exmarido, José Luiz Del Roio, quien siempre mantuvo la esperanza de que ella no se hubiera dejado atrapar. Según él, durante su testimonio ante la Comisión Estatal Rubens Paiva, Izis “estaba absolutamente decidida a no entregarse viva”.

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Izis Dias de Oliveira desapareceu, capturada por agentes do Estado, no dia 30 de janeiro de 1972, na cidade do Rio de Janeiro. A ação foi perpetrada em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar, implantada no país a partir de 1964.

Recomenda-se a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso para a localização de seus restos mortais, identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Izis Dias de Oliveira disappeared, captured by State agents, on January 30, 1972, in the city of Rio de Janeiro. The action was perpetrated in the context of systematic human rights violations promoted by the military dictatorship, implemented in the country since 1964.

It is recommended that investigations into the circumstances of the case continue to locate his remains, identify and hold the other agents involved accountable.

De las investigaciones realizadas se concluye que Izis Dias de Oliveira desapareció, capturada por agentes del Estado, el 30 de enero de 1972, en la ciudad de Río de Janeiro. La acción fue perpetrada en el contexto de violaciones sistemáticas a los derechos humanos promovidas por la dictadura militar, implementada en el país desde 1964.

Se recomienda continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso para localizar sus restos, identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO