João
Batista
Rita
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
Documentos do Centro de Informações do Exterior (CIEX), do Ministério das Relações Exteriores, abertos à consulta pública pelo Arquivo Nacional no ano de 2012, lançaram luz sobre os desaparecimentos dos brasileiros João Batista Rita e Joaquim Pires Cerveira em Buenos Aires no dia 5 de dezembro de 1973, assim como sobre sua conexão com os sequestros do francês Jean Henri Raya Ribard e do argentino Antonio Luciano Pregoni, ocorridos no Brasil no final de novembro do mesmo ano.
Há informações circunstanciais, que não puderam ser confirmadas pela CNV, de que o desaparecimento de Joaquim Pires Cerveira, João Batista Rita, Juan Raya e Antonio Pregoni estaria relacionado também ao desaparecimento, em 21 de novembro de 1973, em Copacabana, no Rio de Janeiro, de Caiupy Alves de Castro, que teria mantido contatos com Cerveira no ano de 1971 no Chile. Desde antes do seu banimento para o Chile até o momento em que desapareceu em Buenos Aires, João Batista Rita era espionado pelos órgãos da repressão brasileira.
Documento secreto do SNI, de 18 de maio de 1971, com o título “Asilados brasileiros no Chile. Documentação de viagem” inclui o nome de João Batista Rita e o de Edmur Péricles Camargo como requerentes de passaportes. O nome de João Batista Rita é identificado em outro documento do SNI, datado de 8 de outubro de 1973, em que são listados os brasileiros que solicitaram asilo político na Embaixada da Argentina no Chile.
O Informe de 17 de outubro de 1973 menciona João Batista Rita como um dos exilados que se encontravam na Embaixada da Argentina em Santiago à espera do asilo político. Assim, em continuidade à espionagem de João Rita, o CIEX, por meio do documento de número 608/73, solicita seus antecedentes. No arquivo da Prefectura Naval Argentina, zona Atlántico norte, encontra-se uma lista de nomes de cidadãos brasileiros que precisava ser incorporada ao documento “Nómina de Personas Buscadas de lacuales se solicita su captura”, João Batista Rita aparece neste arquivo junto com Joaquim Pires Cerveira e Sidney Fix Marques dos Santos.
O caso de desaparecimento de João Batista Rita demonstra a coordenação de ações repressivas existentes entre Brasil e Argentina para sistematizar a perseguição política aos opositores dos regimes autoritários. A documentação do arquivo da Prefectura Naval Argentina referenciada pelo nº 16600 registra a entrada de João Rita no país e a de n° 2858, intitulada “Elementos Subversivos de Brasil”, aponta para a vigilância realizada pelos órgãos de repressão argentinos ao militante brasileiro.
Documentos do Centro de Informações do Exterior (CIEX), do Ministério das Relações Exteriores revelam a ligação do desaparecimento de João Batista Rita e Joaquim Pires Cerveira, ocorrido em Buenos Aires no dia 5 de dezembro de 1973. Em informe de 14 de dezembro de 1973, o agente Alberto Octávio Conrado Avegno (codinome “Altair”) relatou que estivera “várias vezes” com Cerveira no Chile.
Conrado se refere à denúncia do sequestro de Joaquim Pires Cerveira e João Batista Rita em Buenos Aires e à batida realizada na casa de Cerveira por um grupo de policiais argentinos que tinha à frente um brasileiro, “dizendo-se da Interpol”. O agente do CIEX também indica que o “coronel Floriano” – coronel Floriano Aguilar Chagas, adido do Exército junto à Embaixada do Brasil em Buenos Aires à época – estaria vinculado tanto à operação de sequestro de Joaquim Pires Cerveira em Buenos Aires como à “penetração” no Brasil de um “comando argentino” de “peronistas de esquerda”.
No dia 9 de fevereiro de 1974, o jornalista Patrick Keatley, correspondente estrangeiro do jornal londrino The Guardian, publicou uma matéria com o título “Brazilian rebels tortured after being abducted” registrando o testemunho dos sofrimentos vividos por João Batista Rita e Joaquim Pires Cerveira no DOI do I Exército. De acordo com a matéria, Rita e Cerveira foram sequestrados em Buenos Aires e, em seguida, trazidos para o Brasil onde foram “torturados na prisão da Rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro”.
Segundo o relato de um refugiado político brasileiro obtido por Keatley, Rita e Cerveira foram vistos “chegando à prisão em uma ambulância da polícia no dia 13 de janeiro”. Segundo o relato, Rita e Cerveira foram “raptados por membros do ‘Esquadrão da Morte’, trajando roupas comuns da polícia, que esteve também ativa no Chile desde o golpe.”
As informações sobre a prisão ilegal e as torturas sofridas por João Batista Rita e Joaquim Pires Cerveira no DOI-CODI/I Exército são reforçadas em telegrama confidencial expedido pela Embaixada do Brasil em Buenos Aires em 14 de fevereiro de 1974 e assinado pelo encarregado de negócios Paulo Cabral de Melo:
“[…] Em longa conversa em que assumiu tom cordial e informal, sem entregar nenhum documento, o senhor Haselman [Oldrich] se referiu ao assunto do suposto desaparecimento de dois exilados brasileiros, já amplamente comentado pela imprensa local e objeto de comunicações anteriores da Embaixada, cujos nomes o visitante declinou como sendo Valter de Moura ou Joaquim Pires Cerveira e seu acompanhante, João Batista Rita. Segundo o visitante, sua intervenção amigável e informal se deveu a duas razoes: a) ‘alguns refugiados brasileiros sem ideologia marxista’ o procuraram para informar que haviam recebido de fonte segura a notícia de que os dois desaparecidos se encontrariam numa prisão brasileira situada ‘em barão de mesquita’; b) a esposa de João Batista Rita também o procurou para lhe pedir que intercedesse junto às autoridades competentes com o fim de descobrir o paradeiro de seu marido ‘que não é comunista e nem possui antecedentes, tendo desaparecido quando se achava por acaso em companhia do outro desaparecido’.
O conselheiro prometeu levar o assunto aos seus superiores, como o fez imediatamente, perguntando, porém, ao visitante por que razão havia declinado dois nomes para um dos cidadãos brasileiros, ao que o senhor Haselman respondeu que provavelmente o exilado Valter de Moura ou Joaquim Cerveira também usava um nome falso devido a circunstâncias próprias de um exilado político. Evitou, por outro lado, manifestar sua opinião pessoal acerca das hipóteses levantadas pela imprensa argentina a propósito do suposto desaparecimento dos dois exilados. Essa gestão informal ocorrida no dia 4 do corrente mês, não foi comunicada imediatamente, inclusive porque o próprio funcionário que o atendeu, conselheiro Augusto Estellita Lins, pediu-me alguns dias para pesquisar se teria transpirado na imprensa qualquer comentário que pudesse corroborar o sentido das gestões do senhor Haselman, verificando porém que até hoje, não houve nenhuma outra menção à presença de qualquer dos dois exilados numa prisão no Brasil”.
De acordo com o ex-delegado Cláudio Guerra, o agente do DOPS Sérgio Paranhos Fleury foi responsável pelo sequestro de João Batista e Joaquim Cerveira em Buenos Aires e pelo translado destes ao Brasil. Em depoimento à CNV em 25 de março de 2014, Paulo Malhães diz acreditar que Cerveira tenha sido morto no DOI-CODI/I Exército, mesmo local indicado para a prisão do francês Jean Henri Raya Ribard.
Documents from the Foreign Information Center (CIEX), of the Ministry of Foreign Affairs, opened for public consultation by the National Archives in 2012, shed light on the disappearances of Brazilians João Batista Rita and Joaquim Pires Cerveira in Buenos Aires on December 5, 1973, as well as on their connection with the kidnappings of Frenchman Jean Henri Raya Ribard and Argentinean Antonio Luciano Pregoni, which took place in Brazil at the end of November of the same year.
There is circumstantial information, which could not be confirmed by the CNV, that the disappearance of Joaquim Pires Cerveira, João Batista Rita, Juan Raya and Antonio Pregoni would also be related to the disappearance, on November 21, 1973, in Copacabana, Rio de Janeiro, of Caiupy Alves de Castro, who would have maintained contacts with Cerveira in 1971 in Chile. From before his banishment to Chile until the moment he disappeared in Buenos Aires, João Batista Rita was spied on by Brazilian repression agencies.
Secret SNI document, dated May 18, 1971, with the title “Brazilian asylum seekers in Chile. Travel documentation” includes the names of João Batista Rita and Edmur Péricles Camargo as passport applicants. The name of João Batista Rita is identified in another SNI document, dated October 8, 1973, which lists the Brazilians who requested political asylum at the Argentine Embassy in Chile.
The Report of October 17, 1973 mentions João Batista Rita as one of the exiles who were at the Argentine Embassy in Santiago waiting for political asylum. Thus, in continuation of João Rita's espionage, CIEX, through document number 608/73, requests his antecedents. In the file of the Argentine Naval Prefecture, North Atlantic zone, there is a list of names of Brazilian citizens that needed to be incorporated into the document “Nómina de Personas Buscadas de lacuales se requested su captivation”, João Batista Rita appears in this file together with Joaquim Pires Cerveira and Sidney Fix Marques dos Santos.
The case of João Batista Rita's disappearance demonstrates the coordination of repressive actions between Brazil and Argentina to systematize the political persecution of opponents of authoritarian regimes. Documentation from the Argentine Naval Prefecture archive referenced by No. 16600 records João Rita's entry into the country and No. 2858, entitled “Elementos Subversivos de Brasil”, points to the surveillance carried out by Argentine repression bodies against the Brazilian militant.
Documents from the Foreign Information Center (CIEX) of the Ministry of Foreign Affairs reveal the connection between the disappearance of João Batista Rita and Joaquim Pires Cerveira, which occurred in Buenos Aires on December 5, 1973. In a report dated December 14, 1973, agent Alberto Octávio Conrado Avegno (codename “Altair”) reported that he had been “several times” with Cerveira in Chile.
Conrado refers to the report of the kidnapping of Joaquim Pires Cerveira and João Batista Rita in Buenos Aires and the raid carried out on Cerveira's house by a group of Argentine police officers led by a Brazilian, “claiming to be from Interpol”. The CIEX agent also indicates that “Colonel Floriano” – Colonel Floriano Aguilar Chagas, Army attaché at the Brazilian Embassy in Buenos Aires at the time – would be linked both to the kidnapping operation of Joaquim Pires Cerveira in Buenos Aires and to the “penetration” in Brazil of an “Argentine command” of “left-wing Peronists”.
On February 9, 1974, journalist Patrick Keatley, foreign correspondent for the London newspaper The Guardian, published an article with the title “Brazilian rebels tortured after being abducted” recording the testimony of the suffering experienced by João Batista Rita and Joaquim Pires Cerveira at the DOI of the 1st Army. According to the article, Rita and Cerveira were kidnapped in Buenos Aires and then brought to Brazil where they were “tortured in the prison on Rua Barão de Mesquita, in Rio de Janeiro”.
According to the account of a Brazilian political refugee obtained by Keatley, Rita and Cerveira were seen “arriving at the prison in a police ambulance on January 13th.” According to the report, Rita and Cerveira were “kidnapped by members of the ‘Death Squad’, wearing ordinary police clothes, which has also been active in Chile since the coup.”
Information about the illegal arrest and torture suffered by João Batista Rita and Joaquim Pires Cerveira at DOI-CODI/I Army is reinforced in a confidential telegram sent by the Brazilian Embassy in Buenos Aires on February 14, 1974 and signed by charge d'affaires Paulo Cabral de Melo:
“[…] In a long conversation in which he assumed a cordial and informal tone, without handing over any documents, Mr. Haselman [Oldrich] referred to the subject of the alleged disappearance of two Brazilian exiles, already widely commented on by the local press and the subject of previous communications from the Embassy, whose names the visitor declined as being Valter de Moura or Joaquim Pires Cerveira and their companion, João Batista Rita. According to the visitor, his friendly and informal intervention was due to two reasons: a) ‘some Brazilian refugees without Marxist ideology’ sought him out to inform him that they had received from a reliable source the news that the two missing men were in a Brazilian prison located ‘in a baron of a mosque’; b) João Batista’s wife Rita also sought him out to ask him to intercede with the competent authorities in order to discover the whereabouts of her husband ‘who is not a communist and has no antecedents, having disappeared when he happened to be in the company of the other missing man’.
The counselor promised to take the matter to his superiors, as he did immediately, asking the visitor, however, why he had declined two names for one of the Brazilian citizens, to which Mr. Haselman replied that probably the exiled Valter de Moura or Joaquim Cerveira also used a false name due to circumstances typical of a political exile. On the other hand, he avoided expressing his personal opinion regarding the hypotheses raised by the Argentine press regarding the supposed disappearance of the two exiles. This informal administration, which took place on the 4th of this month, was not communicated immediately, also because the employee who assisted him, counselor Augusto Estellita Lins, asked me for a few days to research whether any comment had appeared in the press that could corroborate the meaning of Mr. Haselman's actions, noting however that to date, there has been no other mention of the presence of either of the two exiles in a prison in Brazil.”
According to former police chief Cláudio Guerra, DOPS agent Sérgio Paranhos Fleury was responsible for the kidnapping of João Batista and Joaquim Cerveira in Buenos Aires and their transfer to Brazil. In a statement to the CNV on March 25, 2014, Paulo Malhães says he believes Cerveira was killed at DOI-CODI/I Army, the same place indicated for the arrest of Frenchman Jean Henri Raya Ribard.
Documentos del Centro de Información Exterior (CIEX), del Ministerio de Relaciones Exteriores, abiertos a consulta pública por el Archivo Nacional en 2012, arrojan luz sobre las desapariciones de los brasileños João Batista Rita y Joaquim Pires Cerveira en Buenos Aires el 5 de diciembre de 1973, así como sobre su conexión con los secuestros del francés Jean Henri Raya Ribard y del argentino Antonio Luciano Pregoni, ocurridos en Brasil a finales de noviembre de el mismo año.
Hay información circunstancial, que no pudo ser confirmada por la CNV, de que la desaparición de Joaquim Pires Cerveira, João Batista Rita, Juan Raya y Antonio Pregoni también estaría relacionada con la desaparición, el 21 de noviembre de 1973, en Copacabana, Río de Janeiro, de Caiupy Alves de Castro, quien habría mantenido contactos con Cerveira en 1971 en Chile. Desde antes de su destierro en Chile hasta el momento de su desaparición en Buenos Aires, João Batista Rita fue espiado por los organismos de represión brasileños.
Documento secreto del SNI, fechado el 18 de mayo de 1971, con el título "Brasileños solicitantes de asilo en Chile. Documentación de viaje" incluye los nombres de João Batista Rita y Edmur Péricles Camargo como solicitantes de pasaporte. El nombre de João Batista Rita está identificado en otro documento del SNI, fechado el 8 de octubre de 1973, que enumera los brasileños que solicitaron asilo político en la Embajada argentina en Chile.
El Informe del 17 de octubre de 1973 menciona a João Batista Rita como uno de los exiliados que se encontraban en la Embajada Argentina en Santiago esperando asilo político. Así, en continuación del espionaje a João Rita, el CIEX, mediante documento número 608/73, solicita sus antecedentes. En el expediente de la Prefectura Naval Argentina, zona Atlántico Norte, existe una lista de nombres de ciudadanos brasileños que debían ser incorporados al documento “Nómina de Personas Buscadas de lacuales se solicitó su cautiverio”, en este expediente aparece João Batista Rita junto con Joaquim Pires Cerveira y Sidney Fix Marques dos Santos.
El caso de la desaparición de João Batista Rita demuestra la coordinación de acciones represivas entre Brasil y Argentina para sistematizar la persecución política de los opositores a regímenes autoritarios. La documentación del archivo de la Prefectura Naval Argentina referenciada con el N° 16600 registra el ingreso de João Rita al país y la N° 2858, titulada “Elementos Subversivos de Brasil”, señala la vigilancia realizada por los órganos de represión argentinos contra el militante brasileño.
Documentos del Centro de Información Exterior (CIEX) del Ministerio de Relaciones Exteriores revelan la conexión entre la desaparición de João Batista Rita y Joaquim Pires Cerveira, ocurrida en Buenos Aires el 5 de diciembre de 1973. En un informe fechado el 14 de diciembre de 1973, el agente Alberto Octávio Conrado Avegno (nombre clave “Altair”) informó que había estado “varias veces” con Cerveira en Chile.
Conrado se refiere a la denuncia del secuestro de Joaquim Pires Cerveira y João Batista Rita en Buenos Aires y del allanamiento realizado en la casa de Cerveira por un grupo de policías argentinos encabezados por un brasileño, “que decían ser de Interpol”. El agente del CIEX también indica que el “coronel Floriano” –coronel Floriano Aguilar Chagas, entonces agregado del Ejército en la embajada de Brasil en Buenos Aires– estaría vinculado tanto con la operación de secuestro de Joaquim Pires Cerveira en Buenos Aires como con la “penetración” en Brasil de un “comando argentino” de “peronistas de izquierda”.
El 9 de febrero de 1974, el periodista Patrick Keatley, corresponsal en el extranjero del periódico londinense The Guardian, publicó un artículo con el título “Rebeldes brasileños torturados después de ser secuestrados” registrando el testimonio del sufrimiento vivido por João Batista Rita y Joaquim Pires Cerveira en el DOI del 1.er Ejército. Según el artículo, Rita y Cerveira fueron secuestradas en Buenos Aires y luego llevadas a Brasil, donde fueron “torturadas en la prisión de Rua Barão de Mesquita, en Río de Janeiro”.
Según el relato de un refugiado político brasileño obtenido por Keatley, Rita y Cerveira fueron vistos “llegando a la prisión en una ambulancia policial el 13 de enero”. Según el informe, Rita y Cerveira fueron "secuestrados por miembros del 'Escuadrón de la Muerte', vestidos con ropa policial común y corriente, que también ha estado activo en Chile desde el golpe".
La información sobre la detención ilegal y las torturas sufridas por João Batista Rita y Joaquim Pires Cerveira en el DOI-CODI/I Ejército está reforzada en un telegrama confidencial enviado por la Embajada de Brasil en Buenos Aires el 14 de febrero de 1974 y firmado por el encargado de negocios Paulo Cabral de Melo:
“[…] En una larga conversación en la que asumió un tono cordial e informal, sin entregar ningún documento, el señor Haselman [Oldrich] se refirió al tema de la supuesta desaparición de dos exiliados brasileños, ya ampliamente comentado por la prensa local y objeto de comunicaciones anteriores de la Embajada, cuyos nombres el visitante rechazó como Valter de Moura o Joaquim Pires Cerveira y su acompañante, João Batista Rita. Según el visitante, su intervención amable e informal se debió a dos motivos: a) “unos refugiados brasileños sin ideología marxista” lo buscaron para informarle que habían recibido de fuente confiable la noticia de que los dos desaparecidos se encontraban en una prisión brasileña ubicada “en medio de una mezquita”; b) Rita, esposa de João Batista, también se puso en contacto con él para pedirle que intercediera ante las autoridades competentes a fin de descubrir el paradero de su marido 'que no es comunista y no tiene antecedentes, habiendo desaparecido cuando casualmente se encontraba en compañía del otro desaparecido'.
El consejero prometió llevar el asunto a sus superiores, como lo hizo inmediatamente, pero preguntó al visitante por qué había rechazado dos nombres para uno de los ciudadanos brasileños, a lo que Haselman respondió que probablemente el exiliado Valter de Moura o Joaquim Cerveira también utilizaron un nombre falso debido a circunstancias propias de un exilio político. Por otro lado, evitó expresar su opinión personal respecto de las hipótesis planteadas por la prensa argentina sobre la supuesta desaparición de los dos exiliados. Esta administración informal, que tuvo lugar el día 4 de este mes, no fue comunicada inmediatamente, también porque el empleado que lo ayudó, el consejero Augusto Estellita Lins, me pidió unos días para investigar si había aparecido algún comentario en la prensa que pudiera corroborar el significado de las acciones del señor Haselman, señalando, sin embargo, que hasta la fecha no ha habido otra mención de la presencia de ninguno de los dos exiliados en una prisión en Brasil”.
Según el exjefe de policía Cláudio Guerra, el agente del DOPS Sérgio Paranhos Fleury fue responsable del secuestro de João Batista y Joaquim Cerveira en Buenos Aires y su traslado a Brasil. En una declaración a la CNV del 25 de marzo de 2014, Paulo Malhães dice creer que Cerveira fue asesinado en el Ejército DOI-CODI/I, el mismo lugar indicado para el arresto del francés Jean Henri Raya Ribard.
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br