Foto de José Carlos da Costa

José
Carlos
da Costa

? - 1973
Estância, SE
OperárioOperatorOperador

A vida e a morte de José Carlos da Costa ficaram ocultas desde 3 de dezembro de 1973, quando foi preso em Belém (PA) e levado para um Quartel do Exército, de onde desapareceu. A denúncia foi feita em 1980, mas a testemunha nunca mais foi localizada e não quis se identificar por medo de represálias. Seu nome nunca constou do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de 1964 porque era conhecido apenas por apelidos: Baiano, Bira ou Maneco. Nenhum de seus companheiros sobreviventes, inclusive os que moraram com ele por muitos anos, souberam indicar seu nome verdadeiro. O nome José Carlos da Costa foi identificado por Suzana Lisboa a partir de um site mantido por antigos membros dos órgãos de repressão política, cujo conteúdo foi revelado em matéria dos jornalistas Mario Magalhães e Sérgio Torres, publicada em 5 de novembro de 2000 na Folha de S. Paulo. A reportagem revelou que o site trazia trechos e informações do livro conhecido como “Orvil”, trabalho encomendado em 1985 ao Centro de Informações do Exército (CIE), pelo então ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves. A intenção da publicação era dar uma resposta ao recém-publicado Brasil: Nunca Mais. Alguns trechos de Orvil –título criado a partir da palavra livro da direita para a esquerda- foram disponibilizados no site de ex-militares a partir de maio de 2000. O livro de resposta ao Brasil: Nunca Mais, parcialmente divulgado pelo jornalista Lucas Figueiredo no Correio Braziliense, em 2007, permitiu a localização do nome de José Carlos da Costa a partir de ações da Var-Palmares. Mais especificamente, na página 664 do Orvil é narrada a realização, em julho de 1971, da segunda parte do segundo congresso da VAR-Palmares. A primeira parte do congresso ocorrera em janeiro daquele ano, em Recife, sob o comando de Carlos Alberto Soares de Freitas (desaparecido em fevereiro de 1971) e de Mariano Joaquim da Silva, o Loyola (desaparecido em maio de 1971). James Alen Luz teria comandando esse encontro, que teve comparecimento considerado muito baixo: “Estiveram presentes à 2ª parte do II Congresso: James Alen Luz, Marco Antonio Batista de Carvalho, Ana Matilde Tenório da Mota, Irene Madeira de Carvalho, José Carlos da Costa, Geraldo Leite, Rosalina Santa Cruz Leite, Heitor Farias da Silva, Maria Regina Leite Lobo de Figueiredo, Ligia Maria Sagrado da Nóbrega, Antonio Moraes Prieto de Oliveira, Adão Vila Verde, e como convidado do PCBR, Luiz Alberto de Sá Benevides.” De acordo com o Orvil, José Carlos da Costa teria participado, em 22 de novembro de 1971, do assalto a um carro pagador, no Rio de Janeiro, em que foi morto um agente de segurança. Também teria participado do 3º e último congresso da VAR-Palmares, realizado em julho de 1972, na Ilha do Mosqueiro, em Belém (PA), quando se constituiu a última coordenação da organização, composta por James Alen Luz, José Carlos da Costa e Irene Madeira de Carvalho. Consta do livro produzido pelo CIE que, em 14/3/1973, José Carlos teria ferido a bala dois funcionários durante assalto a uma agência bancária no bairro Floresta, em Porto Alegre (RS), dois dias antes da morte de James Alen Luz em um acidente de carro. Por fim, José Carlos também é listado pelos órgãos de repressão como um dos envolvidos na execução do delegado de polícia Octavio Gonçalves Moreira Júnior, que atuou ativamente no DOPS/SP e no DOI/CODI do II Exército sob o codinome Otavinho. Em depoimentos prestados à Comissão Nacional da Verdade, em 8 de agosto de 2014 e em 1º de dezembro de 2014, Irene Madeira de Carvalho trouxe informações inéditas sobre o caso, que permitem compreender a prisão de José Carlos da Costa e o contexto de seu desaparecimento: No julgamento, na auditoria da Aeronáutica no Rio, denunciei as torturas e afirmei minhas ideias políticas, o que foi fundamental para mim. Depois fiz um depoimento sigiloso à Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, na década de 80, acho que entre 84, 85. E agora estou aqui porque, embora não saibamos o nome real do Maneco, é preciso encontrá-lo. Tenho a declarar que entreguei um ponto de encontro com ele em dezembro de 73, ao DOI-CODI do II Exército, ao major Ustra, que o prendeu em minha presença e que poderá esclarecer quem é Maneco, colaborando assim para a sua localização. Irene relatou à Comissão Nacional da Verdade as gravíssimas torturas a que foi submetida entre o final de novembro e o início de dezembro de 1973 e sublinhou a intenção de contribuir com a possível localização de Maneco: Ao ler, recentemente, o livro sobre a vida de Carlos Alberto Soares de Freitas, “Seu Amigo Esteve Aqui”, editora Zahar, me dei conta de que, embora não sabendo o seu nome real, seria possível sabê-lo através da instituição que o prendeu, o DOI-CODI do II Exército, porque na página 106 desse livro é citada a prisão do Maneco em 73 e “dele nada mais se soube até os dias de hoje, nem mesmo o nome verdadeiro, o que impede sua inclusão na lista de desaparecidos políticos e qualquer investigação oficial”. A autoria da operação montada para o sequestro e interrogatório de José Carlos da Costa também foi identificada por Margaret Moura Refkalefsky, e comprova a participação pessoal do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, do DOI/CODI do II Exército, na prisão e desaparecimento do líder da VARPalmares, em Belém do Pará, em 3 de dezembro de 1973. Margaret participou do ponto em que Baiano foi preso e revelou detalhes sobre o caso: Ele foi para Belém, e nós tínhamos um ponto, num domingo de manhã. Esse ponto era num lugar muito movimentado, na praça do Mercado que tem em Belém. E nós nos encontramos em um determinado lugar e ficamos andando ali pelo mercado até dar a hora do ponto. (…) De repente nós vimos a Sara, que era a Irene, e ela vinha acompanhada. Mas era muita gente, aquela confusão, aquele negócio, e o Baiano disse: olha a Sara. E nós fomos falar com ela. Aí ela disse: o ponto não é aqui. Nós não estranhamos aquilo, mas deveríamos ter estranhado. E ele me disse: vai para o ponto secundário e a gente encontra com ela lá (…). Quando eu cheguei lá, de repente encostou meu lado um Volks vermelho, abriu a porta e me empurrou para dentro. Muito rápido. Como eu conheço muito a cidade, eu senti para onde a gente foi e depois eu confirmei que era para lá mesmo. Nós fomos para um quartel, que era o 8º BIS, que era o quartel de infantaria de selva, que ficava numa rua muito movimentada, que era a Almirante Barroso. (…) E lá, de repetente, apareceu o Ustra. (…) Ele me deu um tapa assim na cara, sem nada, e me perguntou: como é o seu nome? (…) Depois de algum tempo que estava presa, na cela, eu ouvi que o Baiano também estava lá. Eu quis falar com ele mas o sentinela que estava lá disse “não pode”. Os depoimentos voluntariamente prestados à Comissão Nacional da Verdade esclareceram pontos essenciais sobre a prisão e o desaparecimento de José Carlos da Costa, apontando para possíveis caminhos de investigação que conduzam ao paradeiro dos restos mortais do dirigente da VAR-Palmares. A localização de testemunhas no 8º Batalhão de Infantaria de Selva (8º BIS) poderá conduzir a novas revelações importantes sobre caso. Da mesma forma, é preciso aprofundar e concluir a investigação sobre o planejamento e a execução da operação pelo DOI/CODI do II Exército, em São Paulo, pessoalmente conduzida pelo major Carlos Alberto Brilhante Ustra. Considerando a ocorrência de outro nome falso atribuído a Baiano ou Maneco, a Comissão Nacional da Verdade localizou documentos no Arquivo Nacional em nome de Vicente de Paula Serafim de Azevedo. A despeito dos pequenos avanços obtidos, muitos deles possíveis graças a um bilhete de papel com dados telegráficos, entregue a Sergio Xavier Ferreira e guardado por mais de trinta anos por Suzana Lisboa, a pouca informação sobre o caso até hoje intriga àqueles que conviveram com Maneco, Baiano, Bira ou José Carlos: Essa história do Baiano é um buraco na cabeça de todo mundo porque como é que uma pessoa que foi tão ativa, tão atuante, tão importante na organização, ninguém sabe dele. Ninguém sabe uma pista.

The life and death of José Carlos da Costa have been hidden since December 3, 1973, when he was arrested in Belém (PA) and taken to an Army Barracks, from where he disappeared. The complaint was made in 1980, but the witness was never located again and did not want to identify himself for fear of reprisals. His name was never included in the Dossier of Political Dead and Disappeared from 1964 onwards because he was known only by nicknames: Baiano, Bira or Maneco. None of his surviving companions, including those who lived with him for many years, were able to give his real name. The name José Carlos da Costa was identified by Suzana Lisboa from a website maintained by former members of political repression bodies, the contents of which were revealed in an article by journalists Mario Magalhães and Sérgio Torres, published on November 5, 2000 in Folha de S. Paulo. The report revealed that the website contained excerpts and information from the book known as “Orvil”, a work commissioned in 1985 from the Army Information Center (CIE), by the then Minister of the Army, General Leônidas Pires Gonçalves. The intention of the publication was to respond to the recently published Brasil: Nunca Mais. Some excerpts from Orvil – a title created from the word book from right to left – were made available on the ex-military website from May 2000 onwards. The book responding to Brazil: Never Again, partially published by journalist Lucas Figueiredo in Correio Braziliense, in 2007, allowed the name of José Carlos da Costa to be located based on actions by Var-Palmares. More specifically, on page 664 of Orvil, the holding, in July 1971, of the second part of the second VAR-Palmares congress is narrated. The first part of the congress took place in January of that year, in Recife, under the command of Carlos Alberto Soares de Freitas (disappeared in February 1971) and Mariano Joaquim da Silva, known as Loyola (disappeared in May 1971). James Alen Luz would have commanded this meeting, which had attendance considered very low: “The following were present at the 2nd part of the II Congress: James Alen Luz, Marco Antonio Batista de Carvalho, Ana Matilde Tenório da Mota, Irene Madeira de Carvalho, José Carlos da Costa, Geraldo Leite, Rosalina Santa Cruz Leite, Heitor Farias da Silva, Maria Regina Leite Lobo de Figueiredo, Ligia Maria Sagrado da Nóbrega, Antonio Moraes Prieto de Oliveira, Adão Vila Verde, and as a guest of PCBR, Luiz Alberto de Sá Benevides.” According to Orvil, José Carlos da Costa participated, on November 22, 1971, in the robbery of a paying car, in Rio de Janeiro, in which a security agent was killed. He would also have participated in the 3rd and last VAR-Palmares congress, held in July 1972, on Ilha do Mosqueiro, in Belém (PA), when the last coordination of the organization was formed, composed of James Alen Luz, José Carlos da Costa and Irene Madeira de Carvalho. The book produced by the CIE states that, on 3/14/1973, José Carlos allegedly injured two employees during a robbery at a bank branch in the Floresta neighborhood, in Porto Alegre (RS), two days before the death of James Alen Luz in a car accident. Finally, José Carlos is also listed by the repression bodies as one of those involved in the execution of police chief Octavio Gonçalves Moreira Júnior, who actively worked in the DOPS/SP and the DOI/CODI of the II Army under the code name Otavinho. In statements given to the National Truth Commission, on August 8, 2014 and December 1, 2014, Irene Madeira de Carvalho provided unprecedented information about the case, which allows us to understand José Carlos da Costa's arrest and the context of his disappearance: At the trial, during the Air Force audit in Rio, I denounced the torture and stated my political ideas, which was fundamental for me. Then I made a confidential statement to the OAB-RJ Human Rights Commission, in the 80s, I think between 84 and 85. And now I'm here because, although we don't know Maneco's real name, we need to find him. I have to declare that I handed over a meeting point with him in December 73, to the DOI-CODI of the II Army, to Major Ustra, who arrested him in my presence and who will be able to clarify who Maneco is, thus helping to locate him. Irene reported to the National Truth Commission the very serious torture to which she was subjected between the end of November and the beginning of December 1973 and highlighted her intention to contribute to the possible location of Maneco: When I recently read the book about the life of Carlos Alberto Soares de Freitas, “Seu Amigo Esteve Aqui”, published by Zahar, I realized that, although I did not know his real name, it would be possible to find out about him through the institution that arrested him, the DOI-CODI of the II Army, because on page 106 of that book Maneco's arrest in 73 is mentioned and “nothing else has been known about him to this day, not even his real name, which prevents his inclusion on the list of politically disappeared and any official investigation”. The authorship of the operation set up to kidnap and interrogate José Carlos da Costa was also identified by Margaret Moura Refkalefsky, and proves the personal participation of Colonel Carlos Alberto Brilhante Ustra, from the DOI/CODI of the II Army, in the arrest and disappearance of the leader of VARPalmares, in Belém do Pará, on December 3, 1973. Margaret participated at the point where Baiano was arrested and revealed details about the case: He went to Belém, and we had a point, on a Sunday morning. This point was in a very busy place, in the Market square in Belém. And we met at a certain place and walked around the market until it was time for the stop. (…) Suddenly we saw Sara, who was Irene, and she was accompanied. But there were a lot of people, that confusion, that business, and Baiano said: look at Sara. And we went to talk to her. Then she said: the point is not here. We didn't find it strange, but we should have. And he told me: go to the secondary point and we will meet her there (…). When I got there, suddenly a red Volkswagen pulled up next to me, opened the door and pushed me inside. Very fast. As I know the city a lot, I felt where we were going and then I confirmed that it was there. We went to a barracks, which was the 8th BIS, which was the jungle infantry barracks, which was on a very busy street, which was Almirante Barroso. (…) And there, suddenly, Ustra appeared. (…) He slapped me in the face like that, without anything, and asked me: what’s your name? (…) After I was trapped in the cell for some time, I heard that Baiano was also there. I wanted to talk to him but the sentry who was there said “I can’t”. The statements voluntarily given to the National Truth Commission clarified essential points about the arrest and disappearance of José Carlos da Costa, pointing to possible paths of investigation that lead to the whereabouts of the remains of the VAR-Palmares leader. The location of witnesses in the 8th Jungle Infantry Battalion (8th BIS) could lead to important new revelations about the case. Likewise, it is necessary to deepen and conclude the investigation into the planning and execution of the operation by the DOI/CODI of the II Army, in São Paulo, personally led by Major Carlos Alberto Brilhante Ustra. Considering the occurrence of another false name attributed to Baiano or Maneco, the National Truth Commission located documents in the National Archives in the name of Vicente de Paula Serafim de Azevedo. Despite the small advances made, many of them made possible thanks to a paper note with telegraphic data, given to Sergio Xavier Ferreira and kept for more than thirty years by Suzana Lisboa, the little information about the case to this day intrigues those who lived with Maneco, Baiano, Bira or José Carlos: This Baiano story is a hole in everyone's head because how come a person who was so active, so active, so important in the organization, no one knows about him. Nobody knows a clue.

La vida y la muerte de José Carlos da Costa están ocultas desde el 3 de diciembre de 1973, cuando fue detenido en Belém (PA) y trasladado a un Cuartel del Ejército, de donde desapareció. La denuncia se hizo en 1980, pero el testigo nunca más fue localizado y no quiso identificarse por temor a represalias. Su nombre nunca fue incluido en el Dossier de Muertos y Desaparecidos Políticos a partir de 1964 porque sólo se le conocía por apodos: Baiano, Bira o Maneco. Ninguno de sus compañeros supervivientes, incluidos los que vivieron con él durante muchos años, pudo dar su verdadero nombre. El nombre José Carlos da Costa fue identificado por Suzana Lisboa a partir de un sitio web mantenido por ex miembros de órganos de represión política, cuyo contenido fue revelado en un artículo de los periodistas Mario Magalhães y Sérgio Torres, publicado el 5 de noviembre de 2000 en Folha de S. Paulo. El informe reveló que el sitio contenía extractos e informaciones del libro conocido como “Orvil”, obra encargada en 1985 al Centro de Información del Ejército (CIE), por el entonces ministro del Ejército, general Leônidas Pires Gonçalves. La intención de la publicación fue responder al recientemente publicado Brasil: Nunca Mais. Algunos extractos de Orvil –un título creado a partir de la palabra libro de derecha a izquierda– estuvieron disponibles en el sitio web del exmilitar desde mayo de 2000 en adelante. El libro Respondiendo a Brasil: Nunca Más, publicado parcialmente por el periodista Lucas Figueiredo en Correio Braziliense, en 2007, permitió localizar el nombre de José Carlos da Costa a partir de acciones de Var-Palmares. Más concretamente, en la página 664 de Orvil se narra la celebración, en julio de 1971, de la segunda parte del segundo congreso VAR-Palmares. La primera parte del congreso tuvo lugar en enero de ese año, en Recife, bajo el mando de Carlos Alberto Soares de Freitas (desaparecido en febrero de 1971) y Mariano Joaquim da Silva, conocido como Loyola (desaparecido en mayo de 1971). James Alen Luz habría comandado esta reunión, que tuvo una asistencia considerada muy baja: “Estuvieron presentes en la 2ª parte del II Congreso: James Alen Luz, Marco Antonio Batista de Carvalho, Ana Matilde Tenório da Mota, Irene Madeira de Carvalho, José Carlos da Costa, Geraldo Leite, Rosalina Santa Cruz Leite, Heitor Farias da Silva, Maria Regina Leite Lobo de Figueiredo, Ligia Maria Sagrado da Nóbrega, Antonio Moraes Prieto de Oliveira, Adão Vila Verde y, como invitado de PCBR, Luiz Alberto de Sá Benevides”. Según Orvil, José Carlos da Costa participó, el 22 de noviembre de 1971, en el robo de un automóvil que pagaba, en Río de Janeiro, en el que murió un agente de seguridad. También habría participado del 3º y último congreso VAR-Palmares, realizado en julio de 1972, en Ilha do Mosqueiro, en Belém (PA), cuando se formó la última coordinación de la organización, compuesta por James Alen Luz, José Carlos da Costa e Irene Madeira de Carvalho. El libro elaborado por el CIE relata que, el 14/03/1973, José Carlos habría herido a dos empleados durante un robo en una sucursal bancaria del barrio de Floresta, en Porto Alegre (RS), dos días antes de la muerte de James Alen Luz en un accidente automovilístico. Finalmente, José Carlos también figura en la lista de los órganos de represión como uno de los involucrados en la ejecución del jefe de policía Octavio Gonçalves Moreira Júnior, quien trabajó activamente en el DOPS/SP y el DOI/CODI del II Ejército bajo el nombre clave de Otavinho. En declaraciones dadas ante la Comisión Nacional de la Verdad, el 8 de agosto de 2014 y el 1 de diciembre de 2014, Irene Madeira de Carvalho proporcionó información sin precedentes sobre el caso, que permite comprender la detención de José Carlos da Costa y el contexto de su desaparición: En el juicio, durante la auditoría de la Fuerza Aérea en Río, denuncié las torturas y expresé mis ideas políticas, lo cual era fundamental para mí. Luego hice una declaración confidencial ante la Comisión de Derechos Humanos de la OAB-RJ, en los años 80, creo que entre 84 y 85. Y ahora estoy aquí porque, aunque no sabemos el verdadero nombre de Maneco, necesitamos encontrarlo. Debo declarar que entregué un punto de encuentro con él en diciembre del 73, al DOI-CODI del II Ejército, al mayor Ustra, quien lo detuvo en mi presencia y quien podrá esclarecer quién es Maneco, ayudando así a localizarlo. Irene denunció ante la Comisión Nacional de la Verdad las gravísimas torturas a las que fue sometida entre finales de noviembre y principios de diciembre de 1973 y destacó su intención de contribuir a la posible localización de Maneco: Cuando leí recientemente el libro sobre la vida de Carlos Alberto Soares de Freitas, “Seu Amigo Esteve Aqui”, publicado por Zahar, me di cuenta de que, aunque no sabía su verdadero nombre, sería posible saber de él a través de la institución que lo detuvo, el DOI-CODI de el II Ejército, porque en la página 106 de ese libro se menciona la detención de Maneco en el 73 y “no se sabe nada más de él hasta el día de hoy, ni siquiera su verdadero nombre, lo que impide su inclusión en la lista de desaparecidos políticos y cualquier investigación oficial”. La autoría de la operación montada para secuestrar e interrogar a José Carlos da Costa también fue identificada por Margaret Moura Refkalefsky, y prueba la participación personal del coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, del DOI/CODI del II Ejército, en la detención y desaparición del líder del VARPalmares, en Belém do Pará, el 3 de diciembre de 1973. Margaret participó en el punto donde Baiano fue detenido y reveló detalles del caso: Fue a Belém, y teníamos razón, un domingo por la mañana. Este punto estaba en un lugar muy concurrido, en la plaza del Mercado de Belém. Y nos encontramos en un lugar determinado y caminamos por el mercado hasta que llegó la hora de la parada. (…) De repente vimos a Sara, que era Irene, y estaba acompañada. Pero había mucha gente, esa confusión, ese negocio, y Baiano dijo: mira a Sara. Y fuimos a hablar con ella. Luego dijo: el punto no está aquí. No nos pareció extraño, pero deberíamos haberlo hecho. Y me dijo: ve al punto secundario y allí la encontraremos (…). Cuando llegué, de repente un Volkswagen rojo se detuvo a mi lado, abrió la puerta y me empujó dentro. Muy rápido. Como conozco mucho la ciudad, sentí hacia dónde íbamos y luego confirmé que era allí. Fuimos a un cuartel, que era el 8° BIS, que era el cuartel de infantería de selva, que estaba en una calle muy transitada, que era Almirante Barroso. (…) Y allí, de repente, apareció Ustra. (…) Me dio una bofetada así, sin nada, y me preguntó: ¿cómo te llamas? (…) Después de estar atrapado en la celda por un tiempo, escuché que Baiano también estaba allí. Quería hablar con él pero el centinela que estaba ahí me dijo “no puedo”. Las declaraciones prestadas voluntariamente ante la Comisión Nacional de la Verdad aclararon puntos esenciales sobre la detención y desaparición de José Carlos da Costa, señalando posibles vías de investigación que conduzcan al paradero de los restos del líder del VAR-Palmares. La localización de testigos en el 8.º Batallón de Infantería de Selva (8.º BIS) podría dar lugar a nuevas revelaciones importantes sobre el caso. Asimismo, es necesario profundizar y concluir la investigación sobre la planificación y ejecución de la operación por parte del DOI/CODI del II Ejército, en São Paulo, dirigido personalmente por el mayor Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ante la aparición de otro nombre falso atribuido a Baiano o Maneco, la Comisión Nacional de la Verdad localizó documentos en el Archivo Nacional a nombre de Vicente de Paula Serafim de Azevedo. A pesar de los pequeños avances logrados, muchos de ellos posibles gracias a una nota en papel con datos telegráficos, entregada a Sergio Xavier Ferreira y conservada durante más de treinta años por Suzana Lisboa, la poca información sobre el caso hasta el día de hoy intriga a quienes convivieron con Maneco, Baiano, Bira o José Carlos: Esta historia de Baiano es un agujero en la cabeza de todos porque cómo es que de una persona que era tan activa, tan activa, tan importante en la organización, nadie sabe de él. Nadie sabe una pista.

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Baiano, Maneco ou Bira, de nome oficial mais provável José Carlos da Costa, foi preso e desapareceu pela ação de agentes do Estado, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar, implantada no país a partir de abril de 1964. Recomenda-se a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a localização de seus restos mortais e identificação e responsabilização dos agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Baiano, Maneco or Bira, most likely officially named José Carlos da Costa, was arrested and disappeared by the actions of State agents, in the context of systematic human rights violations promoted by the military dictatorship, implemented in the country from April 1964. It is recommended that investigations continue into the circumstances of the case, in order to locate their remains and identify and hold the agents involved accountable.

De las investigaciones realizadas, se concluye que Baiano, Maneco o Bira, muy probablemente llamado oficialmente José Carlos da Costa, fue detenido y desaparecido por acción de agentes del Estado, en el contexto de violaciones sistemáticas a los derechos humanos promovidas por la dictadura militar, implementada en el país a partir de abril de 1964. Se recomienda continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso, a fin de localizar sus restos e identificar y responsabilizar a los agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO