José
Gomes
Teixeira
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
José Gomes Teixeira morreu no dia 23 de junho de 1971, por volta das 8 horas, no Depósito de Presos da Base Aérea do Galeão. Em abril de 1971, Carlos Lamarca havia deixado de atuar pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e passado a integrar o Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), organização em que José atuava. Pouco antes de ir para a Bahia, Lamarca teve que se esconder em diferentes lugares do Rio de Janeiro e passou pela residência de José Gomes Teixeira, um dos poucos militantes que sabia da localização de Lamarca. Em 11 de junho de 1971, foi preso por agentes do Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica (CISA) e encaminhado para a Base Aérea do Galeão. Neste local, foi torturado com a finalidade de delatar a localização de Lamarca. Durante este período foi levado à sua casa, momento em que seu cunhado, Rubens Luiz da Silva, o viu pela última vez com vida. No dia 23 de junho de 1971, morreu no Depósito de Presos da Base Aérea do Galeão. A versão oficial divulgada foi a de que José teria cometido suicídio no período em que era prisioneiro. O exame necroscópico assinado pelos legistas Olympio Pereira da Silva e Ivan Nogueira Bastos confirma a versão produzida pelos órgãos de repressão. Laudo e fotos de perícia de local do Instituto Carlos Éboli apresentam José Gomes Teixeira enforcado com um lençol, no interior da cela do Depósito de Presos do Galeão. O laudo ressalta alguns elementos que supostamente confirmariam a versão de suicídio, tais como: a ausência de sinais de luta; a presença de suportes utilizados na suspensão; e, por fim, o fato de que não havia indícios de ação criminosa. Documento do CISA datado de 2 de julho do mesmo ano apresenta o depoimento de José, logo depois de sua prisão. Apesar de os órgãos de segurança emitirem, em 23 de junho de 1971, uma nota oficial de divulgação sobre a morte de José, há documentação do CISA, datada de abril de 1975, na qual o nome de Teixeira aparece como desaparecido político. Apesar das Forças Armadas conhecerem todas as suas informações pessoais e a localização de sua família, o corpo de José Gomes Teixeira foi sepultado como indigente no cemitério de Ricardo de Albuquerque, no Rio de Janeiro. Sua certidão de óbito, registrada sob o nº 739, foi assinada por José Severino Teixeira. Em 15 de junho de 1976, seus restos mortais foram levados para o ossário geral e, entre 1980 e 1981, para uma vala clandestina, localizada no mesmo cemitério, composta de cerca de 2.100 ossadas de indigentes sepultados no cemitério entre 1971 e janeiro de 1974, que apenas foram descobertas nos anos 1990. Diante da morte e ausência de identificação plena de seus restos mortais, a Comissão Nacional da Verdade, ao conferir tratamento jurídico consoante com o Direito Internacional dos Direitos Humanos, entende que José Gomes Teixeira permanece desaparecido.
José Gomes Teixeira died on June 23, 1971, around 8 am, in the Prisoner Deposit at Galeão Air Base. In April 1971, Carlos Lamarca had stopped working for the Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) and joined the Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), an organization in which José worked. Shortly before going to Bahia, Lamarca had to hide in different places in Rio de Janeiro and passed by the residence of José Gomes Teixeira, one of the few militants who knew of Lamarca's location. On June 11, 1971, he was arrested by agents from the Air Force Information and Security Center (CISA) and taken to Galeão Air Base. There, he was tortured with the aim of revealing Lamarca's location. During this period he was taken to his home, when his brother-in-law, Rubens Luiz da Silva, saw him alive for the last time. On June 23, 1971, he died in the Prisoner Deposit at Galeão Air Base. The official version released was that José had committed suicide while he was a prisoner. The necroscopic examination signed by coroners Olympio Pereira da Silva and Ivan Nogueira Bastos confirms the version produced by the repression bodies. The local forensic report and photos from the Instituto Carlos Éboli show José Gomes Teixeira hanging with a sheet, inside the cell at the Galeão Prisoner Deposit. The report highlights some elements that would supposedly confirm the suicide version, such as: the absence of signs of struggle; the presence of supports used in the suspension; and, finally, the fact that there was no evidence of criminal action. CISA document dated July 2 of the same year presents José's testimony, shortly after his arrest. Although the security agencies issued an official statement announcing José's death on June 23, 1971, there is documentation from CISA, dated April 1975, in which Teixeira's name appears as a missing politician. Despite the Armed Forces knowing all his personal information and the location of his family, José Gomes Teixeira's body was buried as a pauper in the Ricardo de Albuquerque cemetery, in Rio de Janeiro. His death certificate, registered under number 739, was signed by José Severino Teixeira. On June 15, 1976, his remains were taken to the general ossuary and, between 1980 and 1981, to a clandestine grave, located in the same cemetery, made up of around 2,100 bones of indigents buried in the cemetery between 1971 and January 1974, which were only discovered in the 1990s. Given his death and the lack of full identification of his remains, the National Truth Commission, when granting legal treatment in accordance with International Human Rights Law, understands that José Gomes Teixeira remains missing.
José Gomes Teixeira murió el 23 de junio de 1971, alrededor de las 8 de la mañana, en el Depósito de Prisioneros de la Base Aérea de Galeão. En abril de 1971, Carlos Lamarca había dejado de trabajar en la Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) y se había unido al Movimento Revolucionário 8 de Octubre (MR-8), organización en la que trabajaba José. Poco antes de dirigirse a Bahía, Lamarca tuvo que esconderse en diferentes lugares de Río de Janeiro y pasó por la residencia de José Gomes Teixeira, uno de los pocos militantes que conocía la ubicación de Lamarca. El 11 de junio de 1971 fue detenido por agentes del Centro de Información y Seguridad de la Fuerza Aérea (CISA) y trasladado a la Base Aérea de Galeão. Allí fue torturado con el objetivo de revelar el paradero de Lamarca. Durante este período fue llevado a su casa, cuando su cuñado, Rubens Luiz da Silva, lo vio con vida por última vez. El 23 de junio de 1971 falleció en el Depósito de Prisioneros de la Base Aérea de Galeão. La versión oficial difundida fue que José se había suicidado mientras estaba preso. El examen necroscópico firmado por los forenses Olympio Pereira da Silva e Ivan Nogueira Bastos confirma la versión arrojada por los órganos de represión. El informe forense local y fotografías del Instituto Carlos Éboli muestran a José Gomes Teixeira colgado con una sábana, dentro de la celda del Depósito de Prisioneros de Galeão. El informe destaca algunos elementos que supuestamente confirmarían la versión del suicidio, como: la ausencia de signos de lucha; la presencia de soportes utilizados en la suspensión; y, finalmente, el hecho de que no existían indicios de acción criminal. Documento de CISA del 2 de julio del mismo año presenta el testimonio de José, poco después de su arresto. Aunque los organismos de seguridad emitieron un comunicado oficial anunciando la muerte de José el 23 de junio de 1971, existe documentación del CISA, fechada en abril de 1975, en la que aparece el nombre de Teixeira como político desaparecido. A pesar de que las Fuerzas Armadas conocían todos sus datos personales y la ubicación de su familia, el cuerpo de José Gomes Teixeira fue enterrado como indigente en el cementerio Ricardo de Albuquerque, en Río de Janeiro. Su certificado de defunción, registrado con el número 739, estaba firmado por José Severino Teixeira. El 15 de junio de 1976 sus restos fueron llevados al osario general y, entre 1980 y 1981, a una fosa clandestina, ubicada en el mismo cementerio, compuesta por alrededor de 2.100 huesos de indigentes enterrados en el cementerio entre 1971 y enero de 1974, que recién fueron descubiertos en la década de 1990. Ante su muerte y la falta de identificación plena de sus restos, la Comisión Nacional de la Verdad, al otorgar tratamiento legal conforme al Derecho Internacional de los Derechos Humanos, entiende que José Gomes Teixeira continúa desaparecido.
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br