Foto de José Inocêncio Barreto

José
Inocêncio
Barreto

16/10/1940 - 1972
Escada, PE
CamponêsPeasantCampesino

José Inocêncio Barreto foi morto a tiros por agentes do Departamento de Ordem Política e Social de Pernambuco (DOPS/PE) em 5 de outubro de 1972 no Engenho Matapiruna, na cidade pernambucana de Escada, conforme foi denunciado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em nota oficial da arquidiocese de Olinda/Recife. Na época da denúncia, o nome de José Inocêncio foi divulgado como José Inocêncio Pereira. Quando de seu assassinato, os agentes do DOPS/PE – como afirma relatório produzido pelo próprio órgão – foram até local de trabalho de José, no Engenho Matapiruna, cumprindo ordem de busca e apreensão do próprio José e seus dois irmãos João e Luiz Inocêncio Barreto. O motivo da investida policial contra os irmãos teria se dado pelo envolvimento dos três em atividades políticas ocorridas no engenho, como declara a Portaria expedida pelo DOPS/PE e assinada pelo delegado Redivaldo Oliveira Acioly. As “atividades subversivas” citadas na Portaria diziam respeito à reivindicação dos trabalhadores pelo cumprimento da decisão da Justiça de Trabalho referente ao cumprimento de direitos básicos dos trabalhadores do engenho, como o pagamento de férias e de 13º salário. O dono do engenho, José Metódio Pereira, não cumpriu a decisão judicial e, respondendo aos protestos dos trabalhadores, que permaneceram parados por 40 dias, contratou um vigia, Severino Fernando da Silva. O funcionário era responsável por monitorar e castigar com espancamentos os trabalhadores rurais que não se “adequassem” aos desmandos do dono do engenho. Segundo a descrição da ação, presente no Relatório emitido pelo DOPS, os “Carneiros”, como eram conhecidos os três irmãos José, João e Luiz Inocêncio Barreto, estavam trabalhando no canavial quando chegou uma viatura (Rural Willys) da Polícia Estadual a procura deles. Os policiais, como relata o documento, conversaram com o vigia do Engenho, Severino Fernandes da Silva, que lhes informou que os “Carneiros” eram perigosos e se propôs a chamá-los. Ainda segundo o mesmo documento, os policiais teriam visto quando os três irmãos negaram-se a acompanhar o vigia. Então, os agentes teriam se encaminhado ao canavial e anunciado que eram da polícia, momento em que os irmãos teriam iniciado uma resistência com suas foices. Em reação, os agentes fizeram alguns disparos que vitimaram José Inocêncio Barreto e o vigia. João Inocêncio ficou ferido e Luiz Inocêncio empreitou fuga pelo meio do canavial. Luiz e João, sobreviventes na ocasião, foram arrolados como réus no caso, enquanto o irmão assassinado foi considerado vítima, assim como Severino, como se pode observar no mesmo documento. O Relatório foi assinado por Izaías Silva, Antônio Sérgio Gomes Campello e Geraldo Pacifer Sampaio, os quais admitem a autoria da morte de José e afirmam que ele foi “alvejado por nós”. Em desconstrução de tal versão, o depoimento de Luiz Inocêncio Barreto apresenta novos indícios sobre a ocorrência. Segundo ele, os agentes agiram de má fé, escondendo-se “nas canas ali existentes”. Relata ainda que o vigia Severino lançou mão de um revólver no momento em que fora “avisar” os irmãos sobre a chegada de pessoas que os procuravam. A ação de Severino teria chamado a atenção dos policias que, com objetivo de capturar os três irmãos, abriram fogo e iniciaram o tiroteio que vitimou José.

José Inocêncio Barreto was shot dead by agents of the Department of Political and Social Order of Pernambuco (DOPS/PE) on October 5, 1972 at Engenho Matapiruna, in the Pernambuco city of Escada, as denounced by the National Conference of Brazilian Bishops (CNBB) in an official note from the archdiocese of Olinda/Recife. At the time of the complaint, José Inocêncio's name was disclosed as José Inocêncio Pereira. At the time of his murder, DOPS/PE agents – as stated in a report produced by the agency itself – went to José's workplace, at Engenho Matapiruna, carrying out a search and seizure order for José himself and his two brothers João and Luiz Inocêncio Barreto. The reason for the police raid against the brothers was due to the involvement of the three in political activities that took place at the mill, as stated in the Ordinance issued by DOPS/PE and signed by delegate Redivaldo Oliveira Acioly. The “subversive activities” mentioned in the Ordinance concerned the workers’ demand for compliance with the decision of the Labor Court regarding the fulfillment of basic rights of mill workers, such as vacation pay and 13th salary. The owner of the mill, José Metódio Pereira, did not comply with the court decision and, responding to protests from the workers, who remained idle for 40 days, hired a watchman, Severino Fernando da Silva. The employee was responsible for monitoring and punishing rural workers who did not “adapt” to the mill owner's abuses by beating them. According to the description of the action, present in the Report issued by the DOPS, the “Carneiros”, as the three brothers José, João and Luiz Inocêncio Barreto were known, were working in the sugarcane field when a State Police vehicle (Rural Willys) arrived looking for them. The police officers, as the document reports, spoke with the Engenho watchman, Severino Fernandes da Silva, who informed them that the “Carneiros” were dangerous and proposed to call them. Still according to the same document, the police would have seen when the three brothers refused to accompany the guard. Then, the agents would have gone to the sugarcane field and announced that they were from the police, at which point the brothers would have started resistance with their scythes. In reaction, the agents fired some shots that killed José Inocêncio Barreto and the guard. João Inocêncio was injured and Luiz Inocêncio fled through the sugarcane field. Luiz and João, survivors at the time, were listed as defendants in the case, while the murdered brother was considered a victim, as was Severino, as can be seen in the same document. The Report was signed by Izaías Silva, Antônio Sérgio Gomes Campello and Geraldo Pacifer Sampaio, who admit responsibility for José's death and state that he was “shot by us”. In deconstruction of this version, Luiz Inocêncio Barreto's testimony presents new evidence about the occurrence. According to him, the agents acted in bad faith, hiding “in the reeds there”. He also reports that the watchman Severino used a revolver when he went to “warn” the brothers about the arrival of people who were looking for them. Severino's action would have caught the attention of the police who, with the aim of capturing the three brothers, opened fire and started the shooting that killed José.

José Inocêncio Barreto fue asesinado a tiros por agentes del Departamento de Orden Político y Social de Pernambuco (DOPS/PE) el 5 de octubre de 1972 en Engenho Matapiruna, en la ciudad pernambucana de Escada, según lo denunció la Conferencia Nacional de Obispos de Brasil (CNBB) en una nota oficial de la archidiócesis de Olinda/Recife. En el momento de la denuncia, se reveló el nombre de José Inocêncio como José Inocêncio Pereira. En el momento de su asesinato, agentes del DOPS/PE – como consta en un informe elaborado por la propia agencia – se dirigieron al lugar de trabajo de José, en Engenho Matapiruna, cumpliendo una orden de registro e incautación del propio José y de sus dos hermanos João y Luiz Inocêncio Barreto. El motivo de la redada policial contra los hermanos se debió a la participación de los tres en actividades políticas que se desarrollaban en la fábrica, según consta en la Ordenanza emitida por el DOPS/PE y firmada por el delegado Redivaldo Oliveira Acioly. Las "actividades subversivas" mencionadas en la Ordenanza se referían a la exigencia de los trabajadores de que se cumpliera la decisión del Tribunal Laboral relativa al cumplimiento de los derechos básicos de los trabajadores de las fábricas, como el pago de vacaciones y el decimotercer salario. El propietario del ingenio, José Metódio Pereira, no cumplió la decisión judicial y, ante las protestas de los trabajadores, que permanecieron inactivos durante 40 días, contrató a un vigilante, Severino Fernando da Silva. El empleado era responsable de vigilar y castigar a los trabajadores rurales que no se “adaptaban” a los abusos del dueño del molino golpeándolos. Según la descripción de la acción, presente en el Informe emitido por el DOPS, los “Carneiros”, como eran conocidos los tres hermanos José, João y Luiz Inocêncio Barreto, se encontraban trabajando en el cañaveral cuando un vehículo de la Policía Estatal (Willys Rural) llegó buscándolos. Los policías, según consta en el documento, hablaron con el vigilante de Engenho, Severino Fernandes da Silva, quien les informó que los “Carneiros” eran peligrosos y propuso llamarlos. Aún según el mismo documento, la policía habría visto cuando los tres hermanos se negaron a acompañar al guardia. Luego, los agentes habrían acudido al cañaveral y habrían anunciado que eran policías, momento en el que los hermanos habrían iniciado resistencia con sus guadañas. En reacción, los agentes realizaron algunos disparos que mataron a José Inocêncio Barreto y al guardia. João Inocêncio resultó herido y Luiz Inocêncio se dio a la fuga por el cañaveral. Luiz y João, supervivientes en ese momento, figuraban como imputados en el caso, mientras que el hermano asesinado era considerado víctima, al igual que Severino, como se puede comprobar en el mismo documento. El Informe fue firmado por Izaías Silva, Antônio Sérgio Gomes Campello y Geraldo Pacifer Sampaio, quienes admiten responsabilidad por la muerte de José y afirman que fue “fusilado por nosotros”. En la desconstrucción de esta versión, el testimonio de Luiz Inocêncio Barreto presenta nuevas evidencias sobre el suceso. Según él, los agentes actuaron de mala fe, escondiéndose “entre los juncos”. También relata que el vigilante Severino utilizó un revólver cuando fue a “advertir” a los hermanos sobre la llegada de personas que los buscaban. La acción de Severino habría llamado la atención de los policías quienes, con el objetivo de capturar a los tres hermanos, abrieron fuego e iniciaron el tiroteo que mató a José.

Diante das investigações realizadas, conclui-se que José Inocêncio Barreto morreu em decorrência de ação praticada por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos perpetradas pela ditadura militar, implantada no país a partir de abril de 1964. Recomenda-se a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a completa identificação e responsabilização agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that José Inocêncio Barreto died as a result of actions carried out by agents of the Brazilian State, in the context of systematic human rights violations perpetrated by the military dictatorship, implemented in the country from April 1964. It is recommended that investigations continue into the circumstances of the case, in order to fully identify and hold the agents involved accountable.

En vista de las investigaciones realizadas, se concluye que José Inocêncio Barreto murió como consecuencia de acciones realizadas por agentes del Estado brasileño, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos perpetradas por la dictadura militar, implementada en el país a partir de abril de 1964. Se recomienda continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso, a fin de identificar plenamente y responsabilizar a los agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO