Foto de José Silton Pinheiro

José
Silton
Pinheiro

31/5/1949 - 1972
São José de Mipibu, RN
EstudanteStudentAlumno

José Silton Pinheiro morreu no dia 29 de dezembro de 1972 em ação comandada pelo Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do I Exército, no Rio de Janeiro (RJ). De acordo com a versão oficial, José Silton e outros cinco militantes do PCBR teriam morrido em confronto armado com agentes das forças de segurança no dia 29 de dezembro de 1972. A nota, divulgada pelo serviço de Relações Públicas do I Exército somente na edição do Jornal do Brasil de 17 de janeiro de 1973, com o título Destruído o Grupo de Fogo Terrorista do PCBR/GB, informava que em ações simultâneas, realizadas em pontos diferentes da Guanabara, os órgãos de segurança, prosseguindo operações contra grupos terroristas remanescentes, desbarataram duas importantes células do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que atuavam coordenadas nos bairros de Grajaú e Bento Ribeiro. As operações contra o grupo teriam se viabilizado graças a informações obtidas a partir da prisão de lideranças regionais do PCBR e da consequente apreensão de documentos relativos ao planejamento de ações futuras. Particularmente, a prisão de Fernando Augusto da Fonseca, importante quadro do PCBR, em Recife, no dia 26 de dezembro de 1972, teria possibilitado o desmonte do chamado “Grupo de Fogo do PCBR”, do qual José Silton fazia parte. Segundo a versão oficial, em seu interrogatório, Fernando Augusto teria fornecido às equipes de investigação informações sobre dois aparelhos do PCBR, localizados no Rio de Janeiro. De posse dessas informações, os agentes do DOI-CODI do IV Exército, em Recife (PE), teriam conduzido Fernando até o Rio de Janeiro, onde ele teria acompanhado um grupo de agentes a um encontro marcado com outros quatro militantes, no bairro do Grajaú. No mesmo momento, outra equipe teria se deslocado para o bairro de Bento Ribeiro, onde se situaria um aparelho do PCBR. No Grajaú, ao se aproximar do carro no qual estavam outros quatro militantes do PCBR, Fernando teria sido baleado por seus próprios companheiros que, percebendo o cerco policial, decidiram abrir fogo. Na sequência, um intenso tiroteio com as forças de segurança teria resultado na morte de José Bartolomeu Rodrigues, Getúlio de Oliveira Cabral e José Silton Pinheiro, cujos corpos teriam sido carbonizados dentro do veículo, incendiado em decorrência da troca de tiros. Um quarto militante teria conseguido escapar, mas nunca chegou a ser identificado. No segundo confronto, travado no “aparelho” localizado em Bento Ribeiro, dois militantes teriam reagido ao cerco policial com suas armas, inclusive granadas de mão, e acabaram mortos no tiroteio. De acordo com a nota oficial, as duas vítimas seriam Valdir Salles Saboia e Luciana Ribeiro da Silva, nome falso de Lourdes Maria Wanderley Pontes. As investigações realizadas pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) revelaram a existência de indícios que permitem desconstituir a versão divulgada pelos órgãos da repressão. Documentos oficiais demonstram que, além de Fernando Augusto da Fonseca, cuja prisão foi oficialmente reconhecida, ao menos Valdir Salles Saboia também tinha sido detido pelos órgãos de segurança antes de morrer. Um Relatório do CISA sobre as atividades do PCBR lista, entre outras ações, um assalto a banco que teria ocorrido em outubro de 1972, na rua Marquês de Abrantes, no Rio de Janeiro. Segundo o relatório, as informações sobre essa ação tinham sido levantadas a partir de declarações de Fernando Augusto da Fonseca e Valdir Salles Saboia. Esse registro aponta para um contato de agentes da repressão com Valdir, anterior à morte do militante, o que indica que também fora detido e interrogado no final de 1972, contrariando a versão de tiroteio após o “estouro” de um aparelho. A prisão de Valdir Saboia é confirmada por outro documento do CISA, de 19 de março de 1973, que apresenta um extrato das declarações do militante, relacionando as ações do PCBR supostamente mapeadas a partir de seu interrogatório. Com relação à operação no Grajaú, que vitimou José Silton, a provável prisão anterior dos militantes e a encenação do tiroteio com a carbonização do veículo para encobrir suas mortes sob tortura ou execuções também são sustentadas pelo ex-preso político Rubens Manoel Lemos, que afirmou, em declaração prestada em 31 de janeiro de 1996, que Fernando Augusto da Fonseca (“Sandália”), José Silton Pinheiro e Getúlio de Oliveira Cabral “foram colocados, já mortos, dentro de um carro da marca Volkswagen, que foi incendiado (explodido) no Rio de Janeiro”. Em particular, Rubens Manoel declarou que José Silton “foi assassinado pela Ditadura Militar” e que não houve “enfrentamento, nem tampouco reação a qualquer ordem de prisão, pois José Silton Pinheiro já estava morto”. Essa declaração é endossada por outros testemunhos que chegaram ao conhecimento do então deputado federal Nilmário Miranda, enquanto membro da Comissão Externa para Mortos e Desaparecidos Políticos, e denunciaram a morte dos militantes no DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro. Soma-se a isso a análise dos registros fotográficos do local das mortes produzida pela equipe pericial da CNV, que concluiu que o carro foi carbonizado de dentro para fora, uma vez que o motor e o tanque de combustíveis estavam intactos. Segundo a avaliação dos peritos, tanto a distribuição da queima como a intensidade das chamas nos locais tingidos indicam que o fogo foi colocado no interior do veículo, tendo se propagado de dentro para fora. Além disso, é possível observar, pelas fotos, que o Fusca não apresentava perfurações de disparos em sua carroçaria. No caso das mortes de Valdir e Lourdes Maria no segundo suposto tiroteio, o caráter fantasioso do episódio narrado também se evidencia pela indicação do endereço da casa onde teriam sido mortos em Bento Ribeiro: trata-se da rua Sargento Valder Xavier de Lima, nome de um militar morto por militantes do PCBR, em 1970, em Salvador (BA). Além disso, como já observado pela CEMDP, as fotos da perícia técnica desmentem a versão de tiroteio, que teria envolvido inclusive o uso de granadas, no suposto aparelho em Bento Ribeiro. A análise das fotos demonstra que não há marcas de tiros na parede, e o corpo de Lourdes Maria aparece em um canto da sala, atrás de uma árvore de natal, que permanece com as bolas de vidrilho intactas. Outro indício de falsidade da versão oficial diz respeito ao encaminhamento dos corpos para o necrotério do Rio de Janeiro. De acordo com a versão divulgada pelos órgãos de segurança, os dois confrontos teriam ocorrido em horários distintos e em diferentes pontos da cidade: duas vítimas teriam morrido em Bento Ribeiro e as outras quatro no Grajaú, bairros que ficam a aproximadamente 15 quilômetros de distância um do outro. Seria esperado, portanto, que os corpos chegassem ao necrotério em momentos distintos. Não obstante, os documentos oficiais atestam que, ao contrário, todos os corpos deram entrada no Instituto Médico-Legal (IML), às 2h30 da madrugada do dia 30 de dezembro, em guias sequenciais, o que indica que foram recolhidos juntos. O corpo de José Silton foi carbonizado dentro do veículo e deu entrada no IML como desconhecido, embora os próprios órgãos de segurança tivessem conhecimento da sua identidade, posteriormente informada na nota oficial divulgada pela imprensa. O médico Roberto Blanco dos Santos, conhecido por assinar laudos fraudulentos, foi responsável pelo exame de necropsia dos seis militantes mortos. No verso da certidão de óbito de José Silton consta a frase manuscrita: “Inimigo da Pátria (terrorista)”. De acordo com a certidão, o corpo de José Silton foi enterrado no cemitério Ricardo de Albuquerque como indigente, em 6 de fevereiro de 1973. Seus restos mortais foram transferidos para um ossário-geral em 1978 e enterrados em uma vala clandestina entre 1980 e 1981, junto com 2.100 ossadas de indigentes sepultadas no mesmo cemitério. Embora não seja possível apontar as reais circunstâncias de morte dos seis integrantes do PCBR, fica demonstrada a falsidade da versão oficial divulgada à época com o intuito de encobrir a morte das vítimas por execução ou por decorrência de tortura. José Silton Pinheiro permanece sem seus restos mortais localizados e identificados sendo, portanto, desaparecido.

José Silton Pinheiro died on December 29, 1972 in an action commanded by the Information Operations Detachment – ​​Internal Defense Operations Center (DOI-CODI) of the 1st Army, in Rio de Janeiro (RJ). According to the official version, José Silton and five other PCBR militants died in an armed confrontation with security force agents on December 29, 1972. The note, published by the Public Relations service of the 1st Army only in the Jornal do Brasil edition of January 17, 1973, with the title PCBR/GB Terrorist Fire Group Destroyed, reported that in simultaneous actions, carried out in different parts of Guanabara, the security bodies, Continuing operations against remaining terrorist groups, they disbanded two important cells of the Brazilian Revolutionary Communist Party (PCBR), which operated in coordination in the neighborhoods of Grajaú and Bento Ribeiro. The operations against the group would have been made possible thanks to information obtained from the arrest of regional PCBR leaders and the consequent seizure of documents relating to the planning of future actions. In particular, the arrest of Fernando Augusto da Fonseca, an important member of the PCBR, in Recife, on December 26, 1972, would have made it possible to dismantle the so-called “PCBR Fire Group”, of which José Silton was part. According to the official version, during his interrogation, Fernando Augusto would have provided the investigation teams with information about two PCBR devices, located in Rio de Janeiro. Armed with this information, DOI-CODI agents from the IV Army, in Recife (PE), would have taken Fernando to Rio de Janeiro, where he would have accompanied a group of agents to a scheduled meeting with four other militants, in the Grajaú neighborhood. At the same time, another team would have moved to the Bento Ribeiro neighborhood, where a PCBR device would be located. In Grajaú, when approaching the car in which four other PCBR militants were, Fernando was allegedly shot by his own companions who, noticing the police siege, decided to open fire. Subsequently, an intense shootout with security forces resulted in the death of José Bartolomeu Rodrigues, Getúlio de Oliveira Cabral and José Silton Pinheiro, whose bodies were charred inside the vehicle, which was set on fire as a result of the exchange of gunfire. A fourth militant reportedly managed to escape, but was never identified. In the second confrontation, which took place in the “apparatus” located in Bento Ribeiro, two militants allegedly reacted to the police siege with their weapons, including hand grenades, and ended up dead in the shootout. According to the official note, the two victims were Valdir Salles Saboia and Luciana Ribeiro da Silva, false name Lourdes Maria Wanderley Pontes. The investigations carried out by the Special Commission on Political Deaths and Disappearances (CEMDP) and the National Truth Commission (CNV) revealed the existence of evidence that allows us to deconstruct the version released by the repression bodies. Official documents show that, in addition to Fernando Augusto da Fonseca, whose arrest was officially recognized, at least Valdir Salles Saboia had also been detained by security agencies before he died. A CISA Report on the activities of the PCBR lists, among other actions, a bank robbery that allegedly occurred in October 1972, on Rua Marquês de Abrantes, in Rio de Janeiro. According to the report, information about this action had been gathered from statements by Fernando Augusto da Fonseca and Valdir Salles Saboia. This record points to contact between repression agents and Valdir, prior to the militant's death, which indicates that he was also detained and interrogated at the end of 1972, contradicting the version of a shootout following the “explosion” of a device. Valdir Saboia's arrest is confirmed by another CISA document, dated March 19, 1973, which presents an extract from the militant's statements, listing the PCBR's actions supposedly mapped out based on his interrogation. Regarding the operation in Grajaú, which killed José Silton, the probable previous arrest of the militants and the staging of the shooting with the charring of the vehicle to cover up their deaths under torture or executions are also supported by former political prisoner Rubens Manoel Lemos, who stated, in a statement made on January 31, 1996, that Fernando Augusto da Fonseca (“Sandália”), José Silton Pinheiro and Getúlio de Oliveira Cabral “were placed, already dead, inside a Volkswagen car, which was set on fire (exploded) in Rio de Janeiro”. In particular, Rubens Manoel declared that José Silton “was murdered by the Military Dictatorship” and that there was “no confrontation, nor any reaction to any arrest order, as José Silton Pinheiro was already dead”. This statement is endorsed by other testimonies that came to the attention of the then federal deputy Nilmário Miranda, as a member of the External Commission for Political Dead and Missing, and denounced the death of the militants in the DOI-CODI of the 1st Army, in Rio de Janeiro. Added to this was the analysis of photographic records from the scene of the deaths produced by the CNV expert team, which concluded that the car was charred from the inside out, as the engine and fuel tank were intact. According to the experts' assessment, both the distribution of the burning and the intensity of the flames in the dyed areas indicate that the fire was placed inside the vehicle, having spread from the inside to the outside. Furthermore, it is possible to observe, from the photos, that the Beetle did not have gunshot holes in its body. In the case of the deaths of Valdir and Lourdes Maria in the second supposed shooting, the fantasy nature of the episode narrated is also evident by the indication of the address of the house where they were allegedly killed in Bento Ribeiro: it is Rua Sargento Valder Xavier de Lima, named after a soldier killed by PCBR militants, in 1970, in Salvador (BA). Furthermore, as already noted by CEMDP, the photos from the technical expertise deny the version of a shooting, which would have even involved the use of grenades, in the alleged device in Bento Ribeiro. Analysis of the photos shows that there are no gunshot marks on the wall, and Lourdes Maria's body appears in a corner of the room, behind a Christmas tree, which remains with the glass balls intact. Another sign of falsehood in the official version concerns the sending of the bodies to the Rio de Janeiro morgue. According to the version released by security agencies, the two clashes would have occurred at different times and in different parts of the city: two victims would have died in Bento Ribeiro and the other four in Grajaú, neighborhoods that are approximately 15 kilometers away from each other. It would therefore be expected that the bodies would arrive at the morgue at different times. However, the official documents attest that, on the contrary, all the bodies were admitted to the Instituto Médico-Legal (IML), at 2:30 am on December 30th, in sequential order, which indicates that they were collected together. José Silton's body was charred inside the vehicle and was reported to the IML as unknown, although the security agencies themselves were aware of his identity, which was later reported in the official note released by the press. Doctor Roberto Blanco dos Santos, known for signing fraudulent reports, was responsible for the autopsy examination of the six dead militants. On the back of José Silton's death certificate there is the handwritten phrase: “Enemy of the Fatherland (terrorist)”. According to the certificate, José Silton's body was buried in the Ricardo de Albuquerque cemetery as a pauper, on February 6, 1973. His remains were transferred to a general ossuary in 1978 and buried in a clandestine grave between 1980 and 1981, along with 2,100 bones of indigents buried in the same cemetery. Although it is not possible to point out the real circumstances of the deaths of the six PCBR members, the official version released at the time with the intention of covering up the deaths of the victims by execution or as a result of torture is demonstrated to be false. José Silton Pinheiro remains without his remains located and identified and is therefore missing.

José Silton Pinheiro murió el 29 de diciembre de 1972 en una acción comandada por el Destacamento de Operaciones de Información – Centro de Operaciones de Defensa Interna (DOI-CODI) del 1.º Ejército, en Río de Janeiro (RJ). Según la versión oficial, José Silton y otros cinco militantes del PCBR murieron en un enfrentamiento armado con agentes de las fuerzas de seguridad el 29 de diciembre de 1972. La nota, publicada por el servicio de Relaciones Públicas del 1.º Ejército sólo en la edición del Jornal do Brasil del 17 de enero de 1973, con el título Grupo de Fuego Terrorista PCBR/GB Destruido, informó que en acciones simultáneas, realizadas en diferentes puntos de Guanabara, los cuerpos de seguridad continuaron las operaciones contra los restantes terroristas. grupos, desmantelaron dos importantes células del Partido Comunista Revolucionario Brasileño (PCBR), que operaban coordinadamente en los barrios de Grajaú y Bento Ribeiro. Las operaciones contra el grupo habrían sido posibles gracias a la información obtenida a partir de la detención de líderes regionales del PCBR y la consiguiente incautación de documentos relacionados con la planificación de futuras acciones. En particular, la detención de Fernando Augusto da Fonseca, importante miembro del PCBR, en Recife, el 26 de diciembre de 1972, habría permitido desmantelar el llamado “Grupo de Fuego PCBR”, del que formaba parte José Silton. Según la versión oficial, durante su interrogatorio, Fernando Augusto habría proporcionado a los equipos de investigación información sobre dos dispositivos PCBR, ubicados en Río de Janeiro. Armados con esa información, agentes del DOI-CODI del IV Ejército, en Recife (PE), habrían llevado a Fernando a Río de Janeiro, donde habría acompañado a un grupo de agentes a una reunión prevista con otros cuatro militantes, en el barrio de Grajaú. Al mismo tiempo, otro equipo se habría desplazado hasta el barrio Bento Ribeiro, donde estaría ubicado un dispositivo PCBR. En Grajaú, al acercarse al auto en el que viajaban otros cuatro militantes del PCBR, Fernando habría sido baleado por sus propios compañeros quienes, al notar el cerco policial, decidieron abrir fuego. Posteriormente, un intenso tiroteo con las fuerzas de seguridad resultó en la muerte de José Bartolomeu Rodrigues, Getúlio de Oliveira Cabral y José Silton Pinheiro, cuyos cuerpos quedaron calcinados en el interior del vehículo, que fue incendiado como consecuencia del intercambio de disparos. Según los informes, un cuarto militante logró escapar, pero nunca fue identificado. En el segundo enfrentamiento, que tuvo lugar en el “aparato” ubicado en Bento Ribeiro, dos militantes supuestamente reaccionaron al asedio policial con sus armas, incluidas granadas de mano, y terminaron muertos en el tiroteo. Según la nota oficial, las dos víctimas eran Valdir Salles Saboia y Luciana Ribeiro da Silva, nombre falso de Lourdes María Wanderley Pontes. Las investigaciones realizadas por la Comisión Especial sobre Muertes y Desapariciones Políticas (CEMDP) y la Comisión Nacional de la Verdad (CNV) revelaron la existencia de pruebas que permiten deconstruir la versión difundida por los órganos de represión. Documentos oficiales muestran que, además de Fernando Augusto da Fonseca, cuya detención fue reconocida oficialmente, al menos Valdir Salles Saboia también había sido detenido por organismos de seguridad antes de morir. Un informe del CISA sobre las actividades de la PCBR enumera, entre otras acciones, un robo a un banco ocurrido presuntamente en octubre de 1972, en la Rua Marquês de Abrantes, en Río de Janeiro. Según el informe, la información sobre esta acción se habría obtenido de declaraciones de Fernando Augusto da Fonseca y Valdir Salles Saboia. Este registro apunta a contactos entre agentes de represión y Valdir, previos a la muerte del militante, lo que indica que éste también fue detenido e interrogado a finales de 1972, contradiciendo la versión de un tiroteo tras la “explosión” de un artefacto. La detención de Valdir Saboia está confirmada por otro documento del CISA, fechado el 19 de marzo de 1973, que presenta un extracto de las declaraciones del militante, enumerando las acciones del PCBR supuestamente trazadas a partir de su interrogatorio. En cuanto a la operación en Grajaú, que mató a José Silton, la probable detención previa de los militantes y la escenificación del tiroteo con carbonización del vehículo para encubrir sus muertes bajo tortura o ejecuciones también son respaldadas por el ex preso político Rubens Manoel Lemos, quien afirmó, en declaración hecha el 31 de enero de 1996, que Fernando Augusto da Fonseca (“Sandália”), José Silton Pinheiro y Getúlio de Oliveira Cabral “fueron colocados, ya muerto, dentro de un automóvil Volkswagen, que fue incendiado (explotado) en Río de Janeiro”. En particular, Rubens Manoel declaró que José Silton “fue asesinado por la Dictadura Militar” y que no hubo “ningún enfrentamiento, ni reacción a ninguna orden de detención, pues José Silton Pinheiro ya estaba muerto”. Esta afirmación está refrendada por otros testimonios que llegaron a conocimiento del entonces diputado federal Nilmário Miranda, como miembro de la Comisión Externa de Muertos y Desaparecidos Políticos, y denunciaron la muerte de los militantes del DOI-CODI del 1.º Ejército, en Río de Janeiro. A esto se sumó el análisis de registros fotográficos del lugar de las muertes elaborado por el equipo de peritos de la CNV, que concluyó que el auto estaba carbonizado de adentro hacia afuera, ya que el motor y el tanque de combustible estaban intactos. Según la valoración de los peritos, tanto la distribución de la quema como la intensidad de las llamas en las zonas teñidas indican que el fuego se localizó en el interior del vehículo, habiéndose extendido desde el interior hacia el exterior. Además, se puede observar, en las fotografías, que el Escarabajo no tenía agujeros de bala en su carrocería. En el caso de la muerte de Valdir y Lourdes María en el segundo supuesto tiroteo, el carácter fantasioso del episodio narrado también se evidencia por la indicación de la dirección de la casa donde supuestamente fueron asesinados en Bento Ribeiro: es la Rua Sargento Valder Xavier de Lima, llamada así en honor a un soldado asesinado por militantes del PCBR, en 1970, en Salvador (BA). Además, como ya señaló el CEMDP, las fotografías de la pericia técnica desmienten la versión de un tiroteo, que habría implicado incluso el uso de granadas, en el presunto artefacto en Bento Ribeiro. El análisis de las fotografías muestra que no hay marcas de disparos en la pared, y el cuerpo de Lourdes María aparece en un rincón de la habitación, detrás de un árbol de Navidad, que permanece con las bolas de cristal intactas. Otro signo de falsedad en la versión oficial se refiere al envío de los cadáveres a la morgue de Río de Janeiro. Según la versión difundida por los organismos de seguridad, los dos enfrentamientos habrían ocurrido en distintos momentos y en distintos puntos de la ciudad: dos víctimas habrían muerto en Bento Ribeiro y las otras cuatro en Grajaú, barrios que se encuentran aproximadamente a 15 kilómetros de distancia entre sí. Por lo tanto, se esperaría que los cuerpos llegaran a la morgue en diferentes momentos. Sin embargo, los documentos oficiales dan fe de que, por el contrario, todos los cadáveres fueron ingresados ​​al Instituto Médico-Legal (IML), a las 2:30 horas del 30 de diciembre, en orden secuencial, lo que indica que fueron recogidos juntos. El cuerpo de José Silton quedó calcinado al interior del vehículo y fue reportado al IML como desconocido, aunque los propios organismos de seguridad conocían su identidad, lo que luego fue informado en la nota oficial difundida por la prensa. El médico Roberto Blanco dos Santos, conocido por firmar informes fraudulentos, fue el responsable de la autopsia de los seis militantes muertos. Al dorso del certificado de defunción de José Silton aparece la frase manuscrita: “Enemigo de la Patria (terrorista)”. Según el certificado, el cuerpo de José Silton fue enterrado en el cementerio Ricardo de Albuquerque en calidad de indigente, el 6 de febrero de 1973. Sus restos fueron trasladados a un osario general en 1978 y enterrados en una fosa clandestina entre 1980 y 1981, junto con 2.100 huesos de indigentes enterrados en el mismo cementerio. Aunque no es posible señalar las circunstancias reales de la muerte de los seis miembros de la PCBR, la versión oficial difundida en su momento con la intención de encubrir las muertes de las víctimas mediante ejecución o como resultado de torturas resulta falsa. José Silton Pinheiro permanece sin que sus restos sean localizados e identificados y por lo tanto se encuentra desaparecido.

Diante das investigações realizadas, conclui-se que José Silton Pinheiro foi morto e desapareceu em decorrência de ação praticada por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos perpetradas pela ditadura militar, implantada no país a partir de abril de 1964. Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de José Sinton Pinheiro, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a localização e identificação de seus restos mortais e identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that José Silton Pinheiro was killed and disappeared as a result of actions carried out by agents of the Brazilian State, in the context of systematic human rights violations perpetrated by the military dictatorship, implemented in the country from April 1964. It is recommended that José Sinton Pinheiro's death certificate be rectified, as well as the continuation of investigations into the circumstances of the case, to locate and identify his mortal remains and identify and hold the other agents responsible. involved.

En vista de las investigaciones realizadas, se concluye que José Silton Pinheiro fue asesinado y desaparecido como consecuencia de acciones realizadas por agentes del Estado brasileño, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos perpetradas por la dictadura militar, implementada en el país a partir de abril de 1964. Se recomienda rectificar el certificado de defunción de José Sinton Pinheiro, así como continuar las investigaciones sobre las circunstancias del caso, para localizar e identificar sus restos mortales e identificar y retener a los demás agentes. responsable. involucrado.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO