Foto de Leopoldo Chiapetti

Leopoldo
Chiapetti

17/6/1906 - 1965
Garibaldi, RS
AgricultorFarmerAgricultor

Leopoldo Chiapetti foi preso pela Brigada Militar (BM) em sua casa, no distrito de Mariano Moro, em Erechim (RS), no dia 30 de abril de 1964. Era acusado de integrar o Grupo dos Onze, organização ligada ao ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola. Relatório da Delegacia Regional de Polícia de Erechim, no dia da prisão, registrava que Leopoldo Chiapetti era considerado um dos líderes do Grupo do Onze na região e foi enquadrado no artigo 24 da Lei de Segurança Nacional. Leopoldo foi detido na delegacia da cidade de Severiano de Almeida e, posteriormente, levado para o presídio regional de Erechim. Na sua permanência nos dois locais, entre 30 de abril e 21 de maio de 1964, sofreu torturas físicas (incluindo choques elétricos e afogamento em água gelada) e psicológicas para que revelasse informações sobre as ações do Grupo dos Onze. Foi deixado nu na cela e sem comunicação durante todo o período em que esteve preso. Leopoldo foi internado em 3 de maio em função de lesões resultantes das torturas a que fora submetido e ficou sob custódia da polícia no Hospital Santa Terezinha, em Erechim. Foi libertado em 21 de maio, sendo obrigado, contudo, a comparecer semanalmente à delegacia de Severiano de Almeida para assinar o livro dos “elementos vigiados”. Com a prisão e as torturas praticadas a mando do coronel de brigada Gonçalino Curio de Carvalho, Leopoldo teve sua saúde debilitada. Ao ser libertado, realizou tratamento médico durante meses, mas não resistiu e morreu no dia 21 de maio de 1965. Segundo Jofre Laurau, também preso e perseguido como integrante do Grupo dos Onze, a morte do amigo decorreu das graves lesões corporais que sofreu e não de “choque operatório”, versão que consta em sua certidão de óbito. De acordo com Artêmio Mocelin, a família de Leopoldo precisou vender sua pequena propriedade rural para poder arcar com os custos do seu tratamento. Leda, uma de suas filhas, que à época tinha sete anos, teve de fazer tratamento médico e psicológico por ter acompanhado a prisão do pai e, posteriormente, por tê-lo visto desfigurado pelos maus-tratos. Leopoldo Chiapetti foi enterrado no cemitério de Mariano Moro, em Erechim (RS).

Leopoldo Chiapetti was arrested by the Military Brigade (BM) at his home, in the district of Mariano Moro, in Erechim (RS), on April 30, 1964. He was accused of being part of the Grupo dos Onze, an organization linked to the former governor of Rio Grande do Sul Leonel Brizola. Report from the Erechim Regional Police Station, on the day of the arrest, recorded that Leopoldo Chiapetti was considered one of the leaders of Grupo do Onze in the region and was included in article 24 of the National Security Law. Leopoldo was detained at the police station in the city of Severiano de Almeida and later taken to the Erechim regional prison. During his stay in both places, between April 30 and May 21, 1964, he suffered physical torture (including electric shocks and drowning in ice water) and psychological torture to reveal information about the actions of the Group of Eleven. He was left naked in his cell and without communication during the entire period he was imprisoned. Leopoldo was hospitalized on May 3 due to injuries resulting from the torture he was subjected to and was placed in police custody at Hospital Santa Terezinha, in Erechim. He was released on May 21, although he was obliged to appear weekly at the Severiano de Almeida police station to sign the “surveilled elements” book. With the arrest and torture carried out by brigade colonel Gonçalino Curio de Carvalho, Leopoldo's health deteriorated. Upon his release, he underwent medical treatment for months, but did not resist and died on May 21, 1965. According to Jofre Laurau, also arrested and persecuted as a member of the Group of Eleven, his friend's death resulted from the serious bodily injuries he suffered and not from “operative shock”, the version stated on his death certificate. According to Artêmio Mocelin, Leopoldo's family had to sell their small rural property to be able to cover the costs of his treatment. Leda, one of his daughters, who was seven years old at the time, had to undergo medical and psychological treatment because she was present at her father's arrest and, later, because she saw him disfigured by ill-treatment. Leopoldo Chiapetti was buried in the Mariano Moro cemetery, in Erechim (RS).

Leopoldo Chiapetti fue detenido por la Brigada Militar (BM) en su domicilio, en el distrito de Mariano Moro, en Erechim (RS), el 30 de abril de 1964. Fue acusado de formar parte del Grupo dos Onze, organización vinculada al ex gobernador de Rio Grande do Sul Leonel Brizola. El informe de la Comisaría Regional de Erechim, el día de la detención, registró que Leopoldo Chiapetti era considerado uno de los líderes del Grupo do Onze en la región y estaba incluido en el artículo 24 de la Ley de Seguridad Nacional. Leopoldo fue detenido en la comisaría de la ciudad de Severiano de Almeida y posteriormente trasladado a la prisión regional de Erechim. Durante su estancia en ambos lugares, entre el 30 de abril y el 21 de mayo de 1964, sufrió torturas físicas (incluyendo descargas eléctricas y ahogamiento en agua helada) y tortura psicológica para revelar información sobre el accionar del Grupo de los Once. Permaneció desnudo en su celda y sin comunicación durante todo el tiempo que estuvo encarcelado. Leopoldo fue hospitalizado el 3 de mayo por lesiones resultantes de las torturas a las que fue sometido y puesto bajo custodia policial en el Hospital Santa Terezinha, en Erechim. Fue puesto en libertad el 21 de mayo, aunque fue obligado a presentarse semanalmente en la comisaría de Severiano de Almeida para firmar el libro de “elementos vigilados”. Con la detención y tortura llevada a cabo por el coronel de brigada Gonçalino Curio de Carvalho, la salud de Leopoldo se deterioró. Tras su liberación, recibió tratamiento médico durante meses, pero no resistió y falleció el 21 de mayo de 1965. Según Jofre Laurau, también detenido y perseguido como miembro del Grupo de los Once, la muerte de su amigo se debió a las graves lesiones corporales que sufrió y no a un “shock operatorio”, según la versión que consta en su certificado de defunción. Según Artêmio Mocelin, la familia de Leopoldo tuvo que vender su pequeña propiedad rural para poder cubrir los gastos de su tratamiento. Leda, una de sus hijas, que entonces tenía siete años, tuvo que someterse a tratamiento médico y psicológico por estar presente en la detención de su padre y, posteriormente, porque lo vio desfigurado por los malos tratos. Leopoldo Chiapetti fue enterrado en el cementerio Mariano Moro, en Erechim (RS).

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Leopoldo Chiapetti morreu em decorrência das torturas que sofreu enquanto esteve preso em dependências dos órgãos de repressão do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar, implantada no país a partir de 1964. Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de Leopoldo Chiapetti, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso para a identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Leopoldo Chiapetti died as a result of the torture he suffered while he was imprisoned in facilities belonging to the repressive bodies of the Brazilian State, in the context of systematic human rights violations promoted by the military dictatorship, implemented in the country from 1964 onwards. It is recommended that Leopoldo Chiapetti's death certificate be rectified, as well as the continuation of investigations into the circumstances of the case in order to identify and hold the other agents involved accountable.

A la vista de las investigaciones realizadas, se concluye que Leopoldo Chiapetti murió como consecuencia de las torturas que sufrió mientras estuvo recluido en instalaciones pertenecientes a los órganos represivos del Estado brasileño, en el contexto de violaciones sistemáticas de los derechos humanos promovidas por la dictadura militar, implementada en el país a partir de 1964. Se recomienda rectificar el certificado de defunción de Leopoldo Chiapetti, así como continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso a fin de identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO