Foto de Luiz Paulo da Cruz Nunes

Luiz
Paulo
da Cruz
Nunes

13/10/1947 - 1968
Rio de Janeiro, RJ
EstudanteStudentAlumno

Luiz Paulo da Cruz morreu no dia 22 de outubro de 1968, depois de ter sido atingido por disparo de arma de fogo durante uma manifestação estudantil em frente à UEG. Em função da prisão de estudantes presentes no XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado naquele mesmo ano em Ibiúna (SP), o movimento estudantil determinou que o dia 22 de outubro seria o “Dia Estadual de Protesto”. Segundo Lafayette Pereira, que era colega de turma de Luiz Paulo da Cruz, os dois estavam integrando um protesto realizado em frente ao Hospital das Clínicas (posteriormente, Hospital Pedro Ernesto), no bairro de Vila Isabel. Por volta do meio dia, os estudantes da UEG foram para a porta da instituição e, dentre outras ações, pretendiam inaugurar a “Estátua da ´Liberdade`/ Brasil-68”, representando um policial militar segurando com um das mãos um cassetete e, com a outra, uma metralhadora. No meio do protesto, um camburão do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) estacionou em frente aos manifestantes e cinco agentes armados começaram a atirar. Os estudantes tentaram fugir do tiroteio correndo em direção ao hospital. Contudo, por ser estreita a porta de entrada, não tiveram muitas opções para se proteger. Cerca de dez jovens foram feridos e Luiz Paulo foi atingido com um tiro na cabeça. Luiz Roberto Tenório, que participou da mesma manifestação, em relato enviado à CEMDP, confirmou que um dos policiais atirou em Luiz Paulo e que, logo em seguida, ele ajudou a socorrê-lo, levando-o ao hospital. Luiz Roberto foi operado, mas não resistiu. De acordo com seu colega de turma à época dos fatos, Lafayette Pereira, que acompanhou a cirurgia, Luiz Paulo teve três paradas cardíacas, das quais os médicos conseguiram reanimá-lo nas duas primeiras; contudo, não obtiveram sucesso na terceira, e Luiz Paulo morreu logo depois. A certidão de óbito declara que a morte de Luiz Paulo decorreu de “ferida penetrante do crânio com destruição parcial do tecido nervoso e hemorragia interna”. Os restos mortais de Luiz Paulo da Cruz foram enterrados no cemitério São Francisco Xavier, no Rio de Janeiro (RJ).

Luiz Paulo da Cruz died on October 22, 1968, after being hit by a gunshot during a student demonstration in front of the UEG. Due to the arrest of students present at the XXX Congress of the National Union of Students (UNE), held that same year in Ibiúna (SP), the student movement determined that October 22nd would be the “State Day of Protest”. According to Lafayette Pereira, who was a classmate of Luiz Paulo da Cruz, the two were taking part in a protest held in front of the Hospital das Clínicas (later, Hospital Pedro Ernesto), in the Vila Isabel neighborhood. Around noon, the UEG students went to the institution's door and, among other actions, they intended to inaugurate the “Statue of 'Freedom'/Brazil-68”, representing a military police officer holding a baton with one hand and, with the other, a machine gun. In the middle of the protest, a van from the Department of Political and Social Order (DOPS) parked in front of the protesters and five armed officers began shooting. The students tried to escape the shooting by running towards the hospital. However, because the entrance door was narrow, they didn't have many options to protect themselves. Around ten young people were injured and Luiz Paulo was shot in the head. Luiz Roberto Tenório, who participated in the same demonstration, in a report sent to CEMDP, confirmed that one of the police officers shot Luiz Paulo and that, shortly afterwards, he helped to rescue him, taking him to the hospital. Luiz Roberto underwent surgery, but did not survive. According to his classmate at the time, Lafayette Pereira, who accompanied the surgery, Luiz Paulo had three cardiac arrests, of which the doctors managed to revive him in the first two; however, they were unsuccessful in the third, and Luiz Paulo died soon after. The death certificate states that Luiz Paulo's death resulted from a “penetrating wound to the skull with partial destruction of the nervous tissue and internal bleeding”. Luiz Paulo da Cruz's mortal remains were buried in the São Francisco Xavier cemetery, in Rio de Janeiro (RJ).

Luiz Paulo da Cruz murió el 22 de octubre de 1968, tras ser alcanzado por un disparo durante una manifestación estudiantil frente a la UEG. Debido a la detención de estudiantes presentes en el XXX Congreso de la Unión Nacional de Estudiantes (UNE), realizado ese mismo año en Ibiúna (SP), el movimiento estudiantil determinó que el 22 de octubre sería el “Día Estatal de Protesta”. Según Lafayette Pereira, quien fue compañera de estudios de Luiz Paulo da Cruz, los dos participaban de una protesta realizada frente al Hospital das Clínicas (luego Hospital Pedro Ernesto), en el barrio de Vila Isabel. Hacia el mediodía, los estudiantes de la UEG se dirigieron a la puerta de la institución y, entre otras acciones, pretendían inaugurar la “Estatua de la 'Libertad'/Brasil-68”, que representa a un policía militar sosteniendo en una mano una porra y, en la otra, una ametralladora. En medio de la protesta, una camioneta del Departamento de Orden Político y Social (DOPS) estacionó frente a los manifestantes y cinco agentes armados comenzaron a disparar. Los estudiantes intentaron escapar del tiroteo corriendo hacia el hospital. Sin embargo, debido a que la puerta de entrada era estrecha, no tenían muchas opciones para protegerse. Una decena de jóvenes resultaron heridos y Luiz Paulo recibió un disparo en la cabeza. Luiz Roberto Tenório, que participó en la misma manifestación, en un informe enviado al CEMDP, confirmó que uno de los policías disparó a Luiz Paulo y que, poco después, ayudó a rescatarlo, llevándolo al hospital. Luiz Roberto fue operado, pero no sobrevivió. Según su entonces compañero de clase, Lafayette Pereira, que acompañó la cirugía, Luiz Paulo sufrió tres paros cardíacos, de los cuales los médicos lograron reanimarlo en los dos primeros; sin embargo, no tuvieron éxito en el tercero y Luiz Paulo murió poco después. El certificado de defunción indica que la muerte de Luiz Paulo se debió a una “herida penetrante en el cráneo con destrucción parcial del tejido nervioso y hemorragia interna”. Los restos mortales de Luiz Paulo da Cruz fueron enterrados en el cementerio São Francisco Xavier, en Río de Janeiro (RJ).

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Luiz Paulo da Cruz Nunes morreu em decorrência de ação perpetrada por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar, implantada no país a partir de abril de 1964. Recomenda-se a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Luiz Paulo da Cruz Nunes died as a result of an action perpetrated by agents of the Brazilian State, in the context of systematic human rights violations promoted by the military dictatorship, implemented in the country from April 1964. It is recommended that investigations continue into the circumstances of the case, to identify and hold the other agents involved accountable.

En vista de las investigaciones realizadas, se concluye que Luiz Paulo da Cruz Nunes murió como consecuencia de una acción perpetrada por agentes del Estado brasileño, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos promovidas por la dictadura militar, implementada en el país a partir de abril de 1964. Se recomienda continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso, para identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO