Maria
Ângela
Ribeiro
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
Maria Ângela foi morta a tiros pela polícia no dia 21 de junho de 1968, quando ocorreu a repressão às manifestações de rua realizadas no Rio de Janeiro naquele dia. Durante o cerco aos estudantes entre a rua México e Santa Luzia, Maria Ângela foi atingida no rosto e levada para o Quartel General da PM. Na manhã do dia 21 de junho de 1968, conhecido como “sexta-feira sangrenta”, os estudantes concentraram-se em três pontos do centro da cidade do Rio de Janeiro. Após a realização de protestos em frente do prédio do MEC e da Embaixada dos Estados Unidos, contra os estudantes foram lançadas bombas de gás lacrimogêneo por agentes do DOPS, da Polícia Federal e por soldados da PM, cercando-os na esquina das ruas México e Santa Luzia. Policiais gritaram que atirariam para matar. Em seguida, três moças caíram feridas, e uma delas, Maria Ângela Ribeiro, que veio a falecer pouco tempo depois. Segundo reportagem publicada no Jornal do Brasil e no Correio da Manhã, Maria Ângela foi levada por populares ao ambulatório do IPASE, onde, segundo médicos, não chegou a ser atendida, sendo levada por um carro do Serviço Médico do Ministério do Exército, chapa 85-34-70 para o QG do Exército. Contudo, o Exército não confirma essa informação. Na quarta-feira anterior, vários confrontos ocorreram com as tropas da PM. O ministro da Educação, Tarso Dutra, ficara de receber os estudantes, mas o que sucedeu foi uma batalha campal durante toda a manhã. Nos dias seguintes, outras repressões ocorreram. Na sexta-feira, a partir da hora do almoço, teve início a reação popular. Soldados da PM, armados de fuzis, dispersaram a tiros os manifestantes. Estudantes e populares ergueram barricadas de pedras e material de construção na avenida Rio Branco e nas ruas México e Graça Aranha. Inúmeros objetos foram jogados do alto dos edifícios sobre os policiais, que tiveram de esconder-se sob as marquises dos prédios. A cavalaria entrou na batalha que se seguiu com grande intensidade até às 20 horas. A reação à violência policial desses dias impulsionou a realização da “Passeata dos Cem Mil”, na semana seguinte, em 26 de junho.
Maria Ângela was shot dead by the police on June 21, 1968, when the repression of street demonstrations held in Rio de Janeiro that day took place. During the siege of students between México and Santa Luzia streets, Maria Ângela was hit in the face and taken to the Military Police Headquarters. On the morning of June 21, 1968, known as “Bloody Friday”, students gathered at three points in the city center of Rio de Janeiro. After protests were held in front of the MEC building and the United States Embassy, tear gas bombs were thrown at the students by DOPS agents, Federal Police and PM soldiers, surrounding them on the corner of México and Santa Luzia streets. Police shouted that they would shoot to kill. Then, three girls fell injured, and one of them, Maria Ângela Ribeiro, died shortly afterwards. According to a report published in Jornal do Brasil and Correio da Manhã, Maria Ângela was taken by members of the public to the IPASE outpatient clinic, where, according to doctors, she was not attended to, being taken by a car from the Medical Service of the Ministry of the Army, number 85-34-70, to the Army HQ. However, the Army does not confirm this information. The previous Wednesday, several clashes occurred with PM troops. The Minister of Education, Tarso Dutra, was to receive the students, but what happened was a pitched battle throughout the morning. In the following days, other repressions took place. On Friday, at lunchtime, the popular reaction began. Police soldiers, armed with rifles, shot the protesters away. Students and members of the public erected barricades of stones and construction materials on Rio Branco Avenue and México and Graça Aranha streets. Numerous objects were thrown from the top of the buildings onto the police officers, who had to hide under the building's awnings. The cavalry entered the battle that followed with great intensity until 8 pm. The reaction to police violence in those days led to the “Hundred Thousand March” the following week, on June 26th.
María Ângela fue asesinada a tiros por la policía el 21 de junio de 1968, cuando se producía la represión de las manifestaciones callejeras celebradas en Río de Janeiro ese día. Durante el asedio estudiantil entre las calles México y Santa Luzia, María Ângela fue golpeada en el rostro y trasladada a la Comandancia de la Policía Militar. La mañana del 21 de junio de 1968, conocida como “Viernes Sangriento”, los estudiantes se reunieron en tres puntos del centro de la ciudad de Río de Janeiro. Luego de que se realizaron protestas frente al edificio del MEC y la Embajada de Estados Unidos, agentes del DOPS, Policía Federal y soldados del PM lanzaron bombas lacrimógenas contra los estudiantes, rodeándolos en la esquina de las calles México y Santa Luzia. La policía gritó que dispararían a matar. Luego, tres niñas cayeron heridas y una de ellas, María Ângela Ribeiro, murió poco después. Según un informe publicado en el Jornal do Brasil y en el Correio da Manhã, María Ângela fue llevada por miembros del público al ambulatorio del IPASE, donde, según los médicos, no fue atendida, siendo trasladada en un automóvil del Servicio Médico del Ministerio del Ejército, número 85-34-70, hasta el Cuartel General del Ejército. Sin embargo, el Ejército no confirma esta información. El miércoles anterior se produjeron varios enfrentamientos con las tropas del PM. El ministro de Educación, Tarso Dutra, iba a recibir a los estudiantes, pero lo que ocurrió fue una batalla campal durante toda la mañana. En los días siguientes se produjeron otras represiones. El viernes, a la hora del almuerzo, comenzó la reacción popular. Soldados de la policía, armados con rifles, dispararon a los manifestantes. Estudiantes y ciudadanos levantaron barricadas de piedras y materiales de construcción en la avenida Rio Branco y en las calles México y Graça Aranha. Numerosos objetos fueron arrojados desde lo alto de los edificios a los agentes de policía, que tuvieron que esconderse bajo los toldos del edificio. La caballería entró en la batalla que siguió con gran intensidad hasta las 20 horas. La reacción a la violencia policial de esos días desembocó en la “Marcha de los Cien Mil” la semana siguiente, el 26 de junio.
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br