Foto de Maria Célia Corrêa

Maria
Célia
Corrêa

30/4/1945 - 1974
Rio de Janeiro, RJ
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Segundo o relatório do Ministério Público Federal de 2002, citado pelo livro da CEMDP, Maria Celia teria sido vista presa e amarrada em São Domingos do Araguaia e, depois, presa em um carro preto. Este documento também indica que foi vista na base militar da Bacaba, em janeiro de 1974, presa pela equipe guiada por Manoel Leal Lima (Vanu). O livro da CEMDP se refere, ainda, à reportagem do jornal O Globo, de 2/5/1996, onde Manuel Leal Lima declara ter visto Maria Celia Corrêa saindo de um helicóptero em direção a um rio, tendo sido disparados, em seguida, centenas de tiros contra ela e outros guerrilheiros. De acordo com o Relatório Arroyo, o último registro da presença de Maria Celia remonta a 2/1/1974, quando o grupo no qual estava foi alvo de tiros, não havendo mais informações sobre a guerrilheira. Conforme o livro “Dossiê Ditadura”, o pai de Maria Celia colheu depoimentos de camponeses em 1980 que apontavam para a prisão da guerrilheira perto de São Domingos das Latas. Os moradores relataram a terem visto doente e seminua, sendo arrastada com as mãos amarradas. O relatório do CIE, produzido pelo Ministério do Exército em 1975, iv elenca Maria Celia em uma listagem de “subversivos” participantes da guerrilha do Araguaia, afirmando que teria sido morta em 5 de março de 1974. O relatório do Ministério da Marinha, entregue ao ministro Mauricio Correa, em 1993, relata, também, que ela foi morta em 5 de março de 1974, enquanto nas fichas entregues anonimamente por um militar ao jornal O Globo, em 1996, há a informação de que ela foi presa em 26 de fevereiro de 1974. No processo movido junto à CEMDP pela família de Maria Celia, seu irmão afirma o seguinte: […] após longos anos de incansável trabalho de pesquisa, desempenhado principalmente pelo nosso pai Edgar Corrêa, falecido em 1993, todos os indícios apontam para uma direção: Maria Celia foi presa viva. Foi baseado nessa conclusão que nossos pais impetraram Ordem de Habeas Corpus em favor de sua filha MARIA CÊLIA CORRÊA, no Egrégio Tribunal Federal de Recursos, em 28 de abril de 1981. 0 que foi negado, com base na Declaração feita pelo então CoronelChefe, A1 do Gabinete do Ministro do Exército Oswaldo Pereira Gomes, mui digno reabro desta Comissão Especial criada pela LEI n2 9.140. Declaração esta que dizia o seguinte: „…declaro /que, compulsando os arquivos da Assessoria no Judiciário do Ministro do Exército, não encontrei registro algum, nos processos relativos à LEI DE SEGURANÇA NACIONAL, sobre custódia ou qualquer outro tipo de cerceamento de liberdade exercido sobre a referida/pessoa. Brasília, DF, 21 de maio de 1981‟. Em 2012, o Ministério Público Federal denunciou Sebastião de Moura Rodrigues, o Curió por ter promovido, mediante sequestro, a privação permanente da liberdade de: Maria Celia Corrêa, Hélio Luiz Navarro de Magalhães, Daniel Ribeiro Callado, Antônio de Pádua e Telma Regina Cordeiro Corrêa. Segundo o órgão ministerial, Curió atuou na condição de comandante operacional da Operação Marajoara, tendo ordenado e participado do sequestro dos guerrilheiros, aos quais impôs grave sofrimento físico ou moral por meio de maus tratos.

According to the 2002 Federal Public Ministry report, cited in the CEMDP book, Maria Celia was seen arrested and tied up in São Domingos do Araguaia and then trapped in a black car. This document also indicates that she was seen at the Bacaba military base, in January 1974, arrested by the team led by Manoel Leal Lima (Vanu). The CEMDP book also refers to the report in the newspaper O Globo, dated 2/5/1996, where Manuel Leal Lima states that he saw Maria Celia Corrêa leaving a helicopter towards a river, after which hundreds of shots were fired at her and other guerrillas. According to the Arroyo Report, the last record of Maria Celia's presence dates back to 2/1/1974, when the group she was in was shot at, with no further information about the guerrilla. According to the book “Dossiê Ditadura”, Maria Celia's father collected statements from peasants in 1980 that pointed to the guerrilla's arrest near São Domingos das Latas. Residents reported seeing her sick and half-naked, being dragged with her hands tied. The CIE report, produced by the Ministry of the Army in 1975, lists Maria Celia in a list of “subversive” participants in the Araguaia guerrilla, stating that she was killed on March 5, 1974. The Ministry of the Navy report, delivered to Minister Mauricio Correa in 1993, also reports that she was killed on March 5, 1974, while in the files delivered anonymously by a military officer to the newspaper O Globo, in 1996, there is information that she was arrested on February 26, 1974. In the lawsuit filed with the CEMDP by Maria Celia's family, her brother states the following: [...] after long years of tireless research work, carried out mainly by our father Edgar Corrêa, who died in 1993, all signs point in one direction: Maria Celia was arrested alive. It was based on this conclusion that our parents filed an Order of Habeas Corpus in favor of their daughter MARIA CÊLIA CORRÊA, at the Honorable Federal Court of Appeals, on April 28, 1981. Which was denied, based on the Declaration made by the then Chief Colonel, A1 of the Office of the Minister of the Army Oswaldo Pereira Gomes, a very worthy reopening of this Special Commission created by LAW No. 9,140. This statement read as follows: „…I declare / that, searching the files of the Judiciary Office of the Minister of the Army, I did not find any record, in the processes related to the NATIONAL SECURITY LAW, about custody or any other type of restriction of freedom exercised on the aforementioned person. Brasília, DF, May 21, 1981‟. In 2012, the Federal Public Ministry denounced Sebastião de Moura Rodrigues, Curió, for having promoted, through kidnapping, the permanent deprivation of liberty of: Maria Celia Corrêa, Hélio Luiz Navarro de Magalhães, Daniel Ribeiro Callado, Antônio de Pádua and Telma Regina Cordeiro Corrêa. According to the ministerial body, Curió acted as operational commander of Operation Marajoara, having ordered and participated in the kidnapping of the guerrillas, whom he was responsible for. imposed serious physical or moral suffering through ill-treatment.

Según el informe del Ministerio Público Federal de 2002, citado en el libro del CEMDP, María Celia fue vista arrestada y atada en São Domingos do Araguaia y luego atrapada en un automóvil negro. En ese documento también se indica que fue vista en la base militar de Bacaba, en enero de 1974, detenida por el equipo dirigido por Manoel Leal Lima (Vanu). El libro del CEMDP también hace referencia al reportaje del diario O Globo, del 5/02/1996, donde Manuel Leal Lima afirma haber visto a Maria Celia Corrêa salir de un helicóptero hacia un río, tras lo cual cientos de disparos fueron disparados contra ella y otros guerrilleros. Según el Informe Arroyo, el último registro de la presencia de María Celia data del 1/2/1974, cuando el grupo en el que se encontraba fue baleado, sin mayores datos sobre la guerrilla. Según el libro “Dossiê Ditadura”, el padre de Maria Celia recogió declaraciones de campesinos en 1980 que apuntaban a la detención de la guerrilla cerca de São Domingos das Latas. Los residentes informaron haberla visto enferma y semidesnuda, siendo arrastrada con las manos atadas. El informe de la CIE, elaborado por el Ministerio del Ejército en 1975, incluye a María Celia en una lista de participantes “subversivos” de la guerrilla de Araguaia, afirmando que fue asesinada el 5 de marzo de 1974. El informe del Ministerio de Marina, entregado al Ministro Mauricio Correa en 1993, también informa que fue asesinada el 5 de marzo de 1974, mientras que en los expedientes entregados anónimamente por un militar al diario O Globo, en 1996, aparece Según información, fue detenida el 26 de febrero de 1974. En la demanda presentada ante el CEMDP por la familia de María Celia, su hermano afirma lo siguiente: [...] después de largos años de incansable trabajo de investigación, realizado principalmente por nuestro padre Edgar Corrêa, fallecido en 1993, todos los indicios apuntan en una dirección: María Celia fue detenida viva. Fue con base en esta conclusión que nuestros padres interpusieron un Auto de Habeas Corpus a favor de su hija MARIA CÊLIA CORRÊA, ante la Honorable Cámara Federal de Apelaciones, el 28 de abril de 1981. El cual fue negado, con base en la Declaración del entonces Coronel Jefe, A1 del Ministerio del Ejército Oswaldo Pereira Gomes, una muy digna reapertura de esta Comisión Especial creada por la LEY N° 9.140. Esta declaración decía lo siguiente: "...Declaro/ que, buscando en los archivos de la Oficina Judicial del Ministro del Ejército, no encontré ningún registro, en los procesos relacionados con la LEY DE SEGURIDAD NACIONAL, sobre la custodia o cualquier otro tipo de restricción de la libertad ejercida sobre la persona antes mencionada. Brasilia, DF, 21 de mayo de 1981". En 2012, el Ministerio Público Federal denunció a Sebastião de Moura Rodrigues, Curió, por haber promovido, mediante el secuestro, la privación permanente de la libertad de: Maria Celia Corrêa, Hélio Luiz Navarro de Magalhães, Daniel Ribeiro Callado, Antônio de Pádua y Telma Regina Cordeiro Corrêa. Según el órgano ministerial, Curió actuó como comandante operativo de la Operación Marajoara, habiendo ordenado y participado en el secuestro de los guerrilleros, de los que fue responsable imponiendo graves sufrimientos físicos o morales mediante malos tratos.

Maria Celia Corrêa é considerada desaparecida política por não terem sido entregues os restos mortais aos seus familiares, o que não permitiu o seu sepultamento até os dias de hoje. Conforme o exposto na Sentença da Corte Interamericana no caso Gomes Lund e outros, “o ato de desaparecimento e sua execução se iniciam com a privação da liberdade da pessoa e a subsequente falta de informação sobre seu destino, e permanece enquanto não se conheça o paradeiro da pessoa desaparecida e se determine com certeza sua identidade”, sendo que o Estado “tem o dever de investigar e, eventualmente, punir os responsáveis”. Assim, recomenda-se continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso de Maria Celia Corrêa, localização de seus restos mortais, retificação da certidão de óbito, identificação dos demais agentes envolvidos e responsabilização dos agentes da repressão envolvidos no caso, conforme sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos que obriga o Estado Brasileiro “a investigar os fatos, julgar e, se for o caso, punir os responsáveis e de determinar o paradeiro das vítimas”.

Maria Celia Corrêa is considered a politically missing person because her remains were not handed over to her family, which has not allowed her burial to this day. As stated in the Judgment of the Inter-American Court in the case of Gomes Lund and others, “the act of disappearance and its execution begin with the deprivation of the person's liberty and the subsequent lack of information about their fate, and continues until the whereabouts of the missing person are known and their identity is determined with certainty”, and the State “has the duty to investigate and, eventually, punish those responsible”. Therefore, it is recommended to continue investigations into the circumstances of Maria Celia Corrêa's case, location of her mortal remains, rectification of the death certificate, identification of the other agents involved and accountability of the agents of repression involved in the case, in accordance with the ruling of the Inter-American Court of Human Rights that obliges the Brazilian State “to investigate the facts, judge and, if applicable, punish those responsible and determine the whereabouts of the victims”.

Maria Celia Corrêa es considerada una persona desaparecida políticamente porque sus restos no fueron entregados a su familia, que no ha permitido su sepultura hasta el día de hoy. Como lo señala la Sentencia de la Corte Interamericana en el caso Gomes Lund y otros, “el acto de desaparición y su ejecución comienzan con la privación de la libertad de la persona y la posterior falta de información sobre su suerte, y continúa hasta que se conoce el paradero de la persona desaparecida y se determina con certeza su identidad”, y el Estado “tiene el deber de investigar y, eventualmente, sancionar a los responsables”. Por lo tanto, se recomienda continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso de Maria Celia Corrêa, ubicación de sus restos mortales, rectificación del certificado de defunción, identificación de los demás agentes involucrados y responsabilidad de los agentes de represión involucrados en el caso, de conformidad con la sentencia de la Corte Interamericana de Derechos Humanos que obliga al Estado brasileño “a investigar los hechos, juzgar y, en su caso, sancionar a los responsables y determinar el paradero de las víctimas”.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO