Foto de Maria Lúcia Petit da Silva

Maria
Lúcia
Petit
da Silva

20/3/1950 - 1972
Agudos, SP
ProfessoraTeacherMaestro

O Relatório Arroyo descreve o episódio que teria resultado na morte de Maria Lucia Petit da Silva, em junho de 1972: Em meados de junho, três companheiros, dirigidos por Mundico (Rosalindo Souza), procuraram um elemento de massa, João Coioió, que já tinha ajudado várias vezes os guerrilheiros com comida e informação. Ficou acertado o dia em que ele voltaria de São Geraldo para entregar as encomendas. À noitinha desse dia, aproximaram-se da casa Mundico, Cazuza (Miguel Pereira dos Santos) e Maria (Maria Lúcia Petit), mas perceberam que não havia ninguém.

Cazuza afirmou que ouvira alguém dizendo baixinho: “pega, pega”. Mas os outros dois nada tinham ouvido. Acamparam a uns 200 metros. Durante a noite, ouviram barulho que parecia de tropa de burro chegando na casa. De manhã cedo, ouviram barulho de pilão batendo. Aproximaram-se com cautela, protegendo-se nas árvores. Maria ia na frente. A uns 50 metros da casa, recebeu um tiro e caiu morta. Os outros dois retiraram-se rapidamente. Dez minutos depois, os helicópteros metralhavam as áreas próximas da casa. Alguns elementos de massa disseram, mais tarde, que Maria fora morta com um tiro de espingarda desfechado por Coioió.

O livro Documentos do SNI: Os mortos e Desaparecidos na Guerrilha do Araguaia faz referência a dois documentos produzidos pela Agência Central do Serviço Nacional de Informações que declaram Maria Lúcia Petit da Silva como morta em junho de 1972. Os relatórios militares entregues ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, em 1993, também confirmam a morte de Maria Lucia em 16/6/1972.

O diário de Maurício Grabois narra da seguinte forma o evento que resultou na morte de Maria Lucia: Na área de Pau Preto, onde atuava outro grupo, também houve outro caso de traição. Um miserável, apelidado de Coió, fingiu-se amigo dos guerrilheiros. Durante algum tempo ajudou. Depois avisou aos soldados, que prepararam uma emboscada. Apesar das precauções tomadas, quando os combatentes se aproximaram de sua casa foram tiroteados, morrendo então Maria.

The Arroyo Report describes the episode that resulted in the death of Maria Lucia Petit da Silva, in June 1972: In mid-June, three companions, led by Mundico (Rosalindo Souza), looked for a member of the masses, João Coioió, who had already helped the guerrillas with food and information several times. The day was agreed on when he would return from São Geraldo to deliver the orders. In the evening of that day, Cazuza (Miguel Pereira dos Santos) and Maria (Maria Lúcia Petit) approached the Mundico house, but realized that no one was there.

Cazuza stated that he heard someone saying quietly: “take it, take it”. But the other two had heard nothing. They camped about 200 meters away. During the night, they heard noise that sounded like a troop of donkeys arriving at the house. Early in the morning, they heard the sound of a pounding pestle. They approached cautiously, taking cover in the trees. Maria was in front. About 50 meters from the house, she was shot and fell dead. The other two quickly withdrew. Ten minutes later, helicopters strafed the areas close to the house. Some members of the public later said that Maria was killed with a shotgun shot fired by Coioió.

The book SNI Documents: The Dead and Missing in the Araguaia Guerrilla makes reference to two documents produced by the Central Agency of the National Information Service that declare Maria Lúcia Petit da Silva dead in June 1972. The military reports delivered to the Minister of Justice Maurício Corrêa, in 1993, also confirm the death of Maria Lucia on 6/16/1972.

Maurício Grabois's diary narrates the event that resulted in Maria Lucia's death as follows: In the Pau Preto area, where another group operated, there was also another case of betrayal. A miserable man, nicknamed Coió, pretended to be a friend of the guerrillas. For a while it helped. Then he warned the soldiers, who prepared an ambush. Despite the precautions taken, when the fighters approached her house they were shot, leaving Maria dead.

El Informe Arroyo describe el episodio que resultó en la muerte de María Lucia Petit da Silva, en junio de 1972: A mediados de junio, tres compañeros, encabezados por Mundico (Rosalindo Souza), buscaron a un miembro de las masas, João Coioió, que ya había ayudado varias veces a la guerrilla con alimentos e información. Se acordó el día en que regresaría de São Geraldo para entregar los pedidos. En la tarde de ese día, Cazuza (Miguel Pereira dos Santos) y María (Maria Lúcia Petit) se acercaron a la casa de Mundico, pero se dieron cuenta de que no había nadie.

Cazuza afirmó que escuchó a alguien decir en voz baja: “tómalo, tómalo”. Pero los otros dos no habían oído nada. Acamparon a unos 200 metros de distancia. Durante la noche escucharon un ruido que parecía como si una manada de burros llegara a la casa. Temprano en la mañana, escucharon el sonido de un mortero. Se acercaron con cautela, refugiándose entre los árboles. María estaba al frente. A unos 50 metros de la casa recibió un disparo y cayó muerta. Los otros dos se retiraron rápidamente. Diez minutos más tarde, helicópteros bombardearon las zonas cercanas a la casa. Algunos ciudadanos dijeron después que María fue asesinada con un disparo de escopeta disparado por Coioió.

El libro Documentos del SNI: Los muertos y desaparecidos en la guerrilla de Araguaia hace referencia a dos documentos elaborados por la Agencia Central del Servicio Nacional de Información que declaran muerta a María Lúcia Petit da Silva en junio de 1972. Los informes militares entregados al Ministro de Justicia Maurício Corrêa, en 1993, también confirman la muerte de María Lucía el 16/06/1972.

El diario de Maurício Grabois narra el suceso que resultó en la muerte de María Lucía de la siguiente manera: En la zona de Pau Preto, donde operaba otro grupo, también hubo otro caso de traición. Un miserable, apodado Coió, se hacía pasar por amigo de los guerrilleros. Por un tiempo ayudó. Luego avisó a los soldados, quienes prepararon una emboscada. A pesar de las precauciones tomadas, cuando los combatientes se acercaron a su casa fueron baleados, dejando a María muerta.

As circunstâncias da morte de Maria Lucia Petit da Silva carecem de uma versão oficial do Estado brasileiro, que nunca se pronunciou no sentido de esclarecer os eventos que resultaram em sua morte. Conforme o exposto no parágrafo 128 da Sentença da Corte Interamericana no Caso Gomes Lund e outros: O Tribunal reitera que a obrigação de investigar violações de direitos humanos encontra-se dentro das medidas positivas que os Estados devem adotar para garantir os direitos reconhecidos na Convenção.

O dever de investigar é uma obrigação de meios e não de resultado, que deve ser assumida pelo Estado como um dever jurídico próprio e não como uma simples formalidade, condenada de antemão a ser infrutífera, ou como mera gestão de interesses particulares, que dependa da iniciativa processual das vítimas, de seus familiares ou da contribuição privada de elementos probatórios. À luz desse dever, uma vez que as autoridades estatais tenham conhecimento do fato, devem iniciar, ex officio e sem demora, uma investigação séria, imparcial e efetiva.

Essa investigação deve ser realizada por todos os meios legais disponíveis e deve estar orientada à determinação da verdade. Sendo assim, recomenda-se a investigação das circunstâncias da morte de Maria Lucia Petit da Silva e a responsabilização dos agentes da repressão envolvidos no caso, conforme sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos que obriga o Estado Brasileiro “a investigar os fatos, julgar e, se for o caso, punir os responsáveis e de determinar o paradeiro das vítimas”.

The circumstances surrounding Maria Lucia Petit da Silva's death lack an official version from the Brazilian State, which has never spoken out in order to clarify the events that resulted in her death. As stated in paragraph 128 of the Judgment of the Inter-American Court in the Case of Gomes Lund and others: The Court reiterates that the obligation to investigate human rights violations is within the positive measures that States must adopt to guarantee the rights recognized in the Convention.

The duty to investigate is an obligation of means and not of results, which must be assumed by the State as a legal duty of its own and not as a simple formality, condemned in advance to be fruitless, or as a mere management of private interests, which depends on the procedural initiative of the victims, their family members or the private contribution of evidence. In light of this duty, once state authorities become aware of the fact, they must initiate, ex officio and without delay, a serious, impartial and effective investigation.

This investigation must be carried out by all legal means available and must be aimed at determining the truth. Therefore, it is recommended that the circumstances surrounding the death of Maria Lucia Petit da Silva be investigated and the agents of repression involved in the case held accountable, as per the ruling of the Inter-American Court of Human Rights that obliges the Brazilian State “to investigate the facts, judge and, if appropriate, punish those responsible and determine the whereabouts of the victims”.

Las circunstancias que rodearon la muerte de María Lucia Petit da Silva carecen de una versión oficial por parte del Estado brasileño, que nunca se ha pronunciado para esclarecer los hechos que derivaron en su muerte. Como lo señala el párrafo 128 de la Sentencia de la Corte Interamericana en el Caso Gomes Lund y otros: La Corte reitera que la obligación de investigar violaciones de derechos humanos se encuentra dentro de las medidas positivas que los Estados deben adoptar para garantizar los derechos reconocidos en la Convención.

El deber de investigar es una obligación de medios y no de resultados, que debe ser asumida por el Estado como un deber jurídico propio y no como una simple formalidad, condenada de antemano a ser infructuosa, o como una mera gestión de intereses privados, que depende de la iniciativa procesal de las víctimas, de sus familiares o del aporte privado de pruebas. En virtud de este deber, una vez que las autoridades estatales tengan conocimiento del hecho, deberán iniciar, de oficio y sin demora, una investigación seria, imparcial y efectiva.

Esta investigación debe realizarse por todos los medios legales disponibles y debe estar encaminada a determinar la verdad. Por lo tanto, se recomienda investigar las circunstancias que rodearon la muerte de María Lucia Petit da Silva y rendir cuentas a los agentes de represión involucrados en el caso, según sentencia de la Corte Interamericana de Derechos Humanos que obliga al Estado brasileño “a investigar los hechos, juzgar y, en su caso, sancionar a los responsables y determinar el paradero de las víctimas”.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO