Foto de Nelson José de Almeida

Nelson
José
de Almeida

outubro de 1947 - 1969
Mendes Pimentel, MG
EstudanteStudentAlumno

Nelson foi detido em 11 de abril de 1969, na cidade de Teófilo Otoni, pelos agentes do DOPS. Sobre as circunstâncias de sua morte, constam diferentes versões nos documentos oficiais. Segundo o Relatório da Aeronáutica de 1993, ele teria morrido em um assalto a uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF) na referida cidade.

Outra versão de sua morte é encontrada no ofício nº. 730/69, da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Minas Gerais, segundo o qual o 1° tenente Murilo Augusto de Assis Toledo fora enviado pelo Major Rubens José Ferreira para fazer um levantamento no “aparelho” da Corrente e, caso encontrasse, deveria prender participantes dessa organização. Nelson teria sido capturado na referida ação policial e ao tentar fugir teria sido baleado, vindo a falecer em um hospital da cidade.

Existe ainda uma terceira versão encontrada na certidão de óbito, firmada em 12 de abril de 1969 pelo médico legista Christobaldo Motta de Almeida, na qual consta que Nelson morreu na Rua Wenefredo Portela em decorrência de “ferida perfuro contusa do tórax com lesão de órgão e víscera interna, dando em consequência grave hemorragia interna”.

Cabe registrar que na rua citada fica situada a cadeia e o Quartel da PM e Tiro de Guerra. O relator do caso junto à CEMDP, Nilmário Miranda, refutou as três versões. Segundo ele, as funcionárias Maria Amália Pinto de Oliveira e Marilena Rausch, que trabalharam na CEF, afirmaram desconhecer qualquer tentativa de assalto a esse banco no referido ano. O relator sublinhou também o fato de que a família de Nelson foi avisada de sua morte pelo policial militar Artur Orozimbo, seu amigo de infância, que o reconheceu na prisão.

Para a CEMDP, Nelson morreu na mesma data de sua detenção, 11 de abril de 1969, sob custódia da Polícia Militar de Minas Gerais. Alguns meses depois da morte de Nelson, seu irmão, Enes de Almeida, foi à cidade de Teófilo Otoni para tentar obter mais informações sobre a morte. Embora tenha conseguido confirmá-la, não teve acesso aos seus restos mortais, nem mesmo acesso à sepultura, supostamente enterrado em um cemitério daquela cidade.

Diante da morte e ausência de identificação plena de seus restos mortais, a Comissão Nacional da Verdade entende que Nelson José de Almeida permanece desaparecido.

Nelson was arrested on April 11, 1969, in the city of Teófilo Otoni, by DOPS agents. Regarding the circumstances of his death, there are different versions in official documents. According to the 1993 Air Force Report, he died in a robbery at a Caixa Econômica Federal (CEF) branch in that city.

Another version of his death is found in letter no. 730/69, from the Public Security Secretariat of the State of Minas Gerais, according to which 1st lieutenant Murilo Augusto de Assis Toledo was sent by Major Rubens José Ferreira to carry out a survey of the Corrente “apparatus” and, if found, he should arrest participants in that organization. Nelson would have been captured in the aforementioned police action and when trying to escape he would have been shot, dying in a city hospital.

There is also a third version found in the death certificate, signed on April 12, 1969 by the coroner Christobaldo Motta de Almeida, which states that Nelson died on Rua Wenefredo Portela as a result of a “blunt puncture wound to the chest with damage to internal organs and viscera, resulting in severe internal bleeding”.

It is worth noting that the prison and the Military Police and War Shooting Headquarters are located on the aforementioned street. The case's rapporteur at CEMDP, Nilmário Miranda, refuted all three versions. According to him, employees Maria Amália Pinto de Oliveira and Marilena Rausch, who worked at CEF, stated that they were unaware of any attempted robbery at that bank in that year. The rapporteur also highlighted the fact that Nelson's family was notified of his death by military police officer Artur Orozimbo, his childhood friend, who recognized him in prison.

For CEMDP, Nelson died on the same date of his arrest, April 11, 1969, in the custody of the Military Police of Minas Gerais. A few months after Nelson's death, his brother, Enes de Almeida, went to the city of Teófilo Otoni to try to obtain more information about the death. Although he was able to confirm it, he did not have access to his remains, not even access to the grave, supposedly buried in a cemetery in that city.

Given his death and the lack of full identification of his remains, the National Truth Commission understands that Nelson José de Almeida remains missing.

Nelson fue detenido el 11 de abril de 1969, en la ciudad de Teófilo Otoni, por agentes del DOPS. Sobre las circunstancias de su muerte, existen diferentes versiones en documentos oficiales. Según el Informe de la Fuerza Aérea de 1993, murió en un robo en una sucursal de la Caixa Econômica Federal (CEF) de esa ciudad.

Otra versión de su muerte se encuentra en la carta núm. 730/69, de la Secretaría de Seguridad Pública del Estado de Minas Gerais, según el cual el teniente primero Murilo Augusto de Assis Toledo fue enviado por el mayor Rubens José Ferreira para realizar un reconocimiento del “aparato” Corrente y, de encontrarlo, debería arrestar a participantes en esa organización. Nelson habría sido capturado en la mencionada acción policial y al intentar escapar habría sido baleado, falleciendo en un hospital de la ciudad.

También existe una tercera versión encontrada en el certificado de defunción, firmado el 12 de abril de 1969 por el médico forense Christobaldo Motta de Almeida, que afirma que Nelson murió en la Rua Wenefredo Portela a consecuencia de una “herida punzante y contundente en el tórax con daño en órganos internos y vísceras, provocando una hemorragia interna grave”.

Cabe señalar que en la citada calle se encuentran el penal y el Cuartel de la Policía Militar y de Tiro de Guerra. El relator del caso en el CEMDP, Nilmário Miranda, refutó las tres versiones. Según él, las empleadas Maria Amália Pinto de Oliveira y Marilena Rausch, que trabajaban en el CEF, afirmaron no tener conocimiento de ningún intento de robo en ese banco en ese año. El relator también destacó el hecho de que la familia de Nelson fue notificada de su muerte por el policía militar Artur Orozimbo, su amigo de la infancia, quien lo reconoció en prisión.

Para el CEMDP, Nelson murió en la misma fecha de su arresto, el 11 de abril de 1969, bajo custodia de la Policía Militar de Minas Gerais. Unos meses después de la muerte de Nelson, su hermano, Enes de Almeida, se dirigió a la ciudad de Teófilo Otoni para intentar obtener más información sobre el fallecimiento. Aunque pudo confirmarlo, no tuvo acceso a sus restos, ni siquiera acceso a la tumba, supuestamente enterrada en un cementerio de esa ciudad.

Ante su muerte y la falta de identificación completa de sus restos, la Comisión Nacional de la Verdad entiende que Nelson José de Almeida continúa desaparecido.

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Nelson José de Almeida desapareceu em decorrência de ação perpetrada por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar, implantada no país a partir de abril de 1964.

Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de Nelson José de Almeida, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a localização de seus restos mortais e identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Nelson José de Almeida disappeared as a result of actions perpetrated by agents of the Brazilian State, in the context of systematic human rights violations promoted by the military dictatorship, implemented in the country from April 1964.

It is recommended that Nelson José de Almeida's death certificate be corrected, as well as the continuation of investigations into the circumstances of the case, to locate his remains and identify and hold the other agents involved accountable.

A la vista de las investigaciones realizadas, se concluye que Nelson José de Almeida desapareció como consecuencia de acciones perpetradas por agentes del Estado brasileño, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos promovidas por la dictadura militar, implementada en el país a partir de abril de 1964.

Se recomienda subsanar el certificado de defunción de Nelson José de Almeida, así como continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso, para localizar sus restos e identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO