Ornalino
Cândido
da Silva
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
Ornalino Cândido da Silva morreu no dia 1º de abril de 1968, quando participava de um protesto na avenida Goiás, em Goiânia. A morte do estudante Edson Luiz de Lima Souto, atingido por disparos feitos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, durante manifestação estudantil no restaurante do Calabouço, na Praia Vermelha, desencadeou manifestações em todo o país. Em uma dessas manifestações, Ornalino foi alvejado por um tiro na cabeça disparado pela Polícia Militar, ao ser confundido com um dos líderes do movimento estudantil de Goiânia, Euler Ivo Vieira.
A falsa versão noticiada à época foi de morte em tiroteio. Contudo, o jornal Social trouxe informações que permitem desconstruir tal versão. De acordo com a notícia, o secretário de Segurança Pública e comandante da Polícia, Renato Pitanga, determinou que seus comandados atirassem nos manifestantes.
Diz ainda que Armados com fuzis, metralhadoras, bombas, cassetetes e revólveres, os militares cometeram toda sorte de violências, culminando com o fuzilamento de um transeunte, que, alheio ao Movimento Estudantil, postava-se nas imediações do Mercado Central, quando foi mortalmente atingido por um sargento da Polícia Militar, que, deliberadamente, sacou seu revólver, apontou para o jovem desconhecido e acionou o gatilho, julgando, talvez, tratar-se do líder estudantil Euler Vieira, dada a semelhança física entre o desconhecido e o estudante.
Diversos depoimentos dados à CEMDP, em 1996, contribuem para elucidar o caso, no sentido de atestarem a semelhança entre Ornalino, popularmente conhecido pelo apelido de “Fio”, e Euler Ivo Vieira. Além disso, o próprio Euler confirmou, em depoimento, que havia recebido ameaças de morte no dia anterior, numa tentativa de intimidar as lideranças estudantis e impedir a realização da manifestação.
Afirmou, ainda, que o secretário de segurança pública deu ordem de usar todos os instrumentos necessários para dispersar os manifestantes, inclusive, de atirar. Por sua vez, Allan Kardek Pimentel, presidente à época do Grêmio Félix de Bulhões, do Colégio Estadual de Goiânia, confirmou que Ornalino estudava e trabalhava para pagar seus estudos, e, concomitantemente, participava do movimento estudantil e dos trabalhadores.
O atestado de óbito foi assinado pelo médico Dr. Couto, que atribuiu a uma “parada respiratória” a causa de sua morte. Seus restos mortais foram enterrados no Cemitério de Santana, em Goiânia (GO).
Ornalino Cândido da Silva died on April 1, 1968, while participating in a protest on Avenida Goiás, in Goiânia. The death of student Edson Luiz de Lima Souto, hit by shots fired by the Rio de Janeiro Military Police, during a student demonstration at the Calabouço restaurant, in Praia Vermelha, triggered demonstrations across the country. In one of these demonstrations, Ornalino was shot in the head by the Military Police, after being mistaken for one of the leaders of the student movement in Goiânia, Euler Ivo Vieira.
The false version reported at the time was that of death in a shooting. However, the Social newspaper brought information that allows us to deconstruct this version. According to the news, the Secretary of Public Security and Police Commander, Renato Pitanga, ordered his commandos to shoot at the protesters.
It also says that Armed with rifles, machine guns, bombs, batons and revolvers, the military committed all sorts of violence, culminating in the shooting of a passerby, who, unrelated to the Student Movement, was stationed in the vicinity of the Central Market, when he was fatally shot by a Military Police sergeant, who deliberately took out his revolver, pointed it at the unknown young man and pulled the trigger, perhaps thinking he was it is the student leader Euler Vieira, given the physical similarity between the stranger and the student.
Several statements given to CEMDP in 1996 contribute to clarifying the case, in the sense of attesting to the similarity between Ornalino, popularly known by the nickname “Fio”, and Euler Ivo Vieira. Furthermore, Euler himself confirmed, in testimony, that he had received death threats the day before, in an attempt to intimidate student leaders and prevent the demonstration from taking place.
He also stated that the secretary of public security gave the order to use all necessary instruments to disperse the protesters, including shooting. In turn, Allan Kardek Pimentel, president at the time of Grêmio Félix de Bulhões, from the Goiânia State College, confirmed that Ornalino studied and worked to pay for his studies, and, at the same time, participated in the student and workers movement.
The death certificate was signed by doctor Dr. Couto, who attributed the cause of his death to a “respiratory arrest”. His remains were buried in the Santana Cemetery, in Goiânia (GO).
Ornalino Cândido da Silva murió el 1 de abril de 1968, mientras participaba en una protesta en la Avenida Goiás, en Goiânia. La muerte del estudiante Edson Luiz de Lima Souto, alcanzado por disparos de la Policía Militar de Río de Janeiro, durante una manifestación estudiantil en el restaurante Calabouço, en Praia Vermelha, desencadenó manifestaciones en todo el país. En una de esas manifestaciones, Ornalino recibió un disparo en la cabeza por parte de la Policía Militar, tras ser confundido con uno de los líderes del movimiento estudiantil de Goiânia, Euler Ivo Vieira.
La versión falsa que se dio en ese momento fue la de la muerte en un tiroteo. Sin embargo, el diario Social trajo información que permite deconstruir esta versión. Según la noticia, el secretario de Seguridad Pública y comandante de la Policía, Renato Pitanga, ordenó a sus comandos disparar contra los manifestantes.
También dice que armados con fusiles, ametralladoras, bombas, porras y revólveres, los militares cometieron todo tipo de violencia, culminando con el disparo de un transeúnte, quien, ajeno al Movimiento Estudiantil, se encontraba apostado en las inmediaciones del Mercado Central, cuando fue asesinado a tiros por un sargento de la Policía Militar, quien deliberadamente sacó su revólver, apuntó al joven desconocido y apretó el gatillo, tal vez pensando que se trataba del líder estudiantil Euler Vieira, dada la condición física. Semejanza entre el extraño y el estudiante.
Varias declaraciones dadas al CEMDP en 1996 contribuyen a esclarecer el caso, en el sentido de dar fe del parecido entre Ornalino, conocido popularmente con el sobrenombre de “Fio”, y Euler Ivo Vieira. Además, el propio Euler confirmó, en su testimonio, que había recibido amenazas de muerte el día anterior, en un intento de intimidar a los líderes estudiantiles e impedir que se llevara a cabo la manifestación.
También afirmó que el secretario de seguridad pública dio la orden de utilizar todos los instrumentos necesarios para dispersar a los manifestantes, incluyendo disparos. Por su parte, Allan Kardek Pimentel, entonces presidente del Grêmio Félix de Bulhões, del Colegio Estadual de Goiânia, confirmó que Ornalino estudió y trabajó para costearse los estudios y, al mismo tiempo, participó del movimiento estudiantil y obrero.
El certificado de defunción fue firmado por el médico Dr. Couto, quien atribuyó la causa de su muerte a un “paro respiratorio”. Sus restos fueron enterrados en el Cementerio de Santana, en Goiânia (GO).
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br