Foto de Paschoal Souza Lima

Paschoal
Souza
Lima

? - 1964
Trabalhador Torneiro-MecânicoTurner-Mechanic WorkerTurner-Trabajador Mecánico

Paschoal Souza Lima foi morto por fazendeiros na região do Rio Doce (MG). Encontravase na casa de uma liderança dos trabalhadores, Chicão (Francisco Raimundo da Paixão), onde havia se instalado a sede provisória do Sindicato dos Trabalhadores da Lavoura de Governador Valadares.

A casa foi metralhada por milícias fazendeiras no dia 30 de março de 1964. A esposa de Chicão, seus filhos, outro trabalhador, conhecido por Freitas, e Paschoal estavam na casa no momento do tiroteio. Freitas levou um tiro na barriga, mas sobreviveu. Paschoal levou um tiro na testa e morreu na hora. A morte de Paschoal foi timidamente noticiada à época, em nota do Correio da Manhã veiculada em 2 de abril de 1964.

O clima no interior de Minas Gerais, na época, era de tensão continuada. Os trabalhadores vinham se organizando e reivindicando a implementação da reforma agrária – mais de dois mil trabalhadores integravam o sindicato e não cansavam de repetir que haveria “reforma agrária, na lei ou na marra”, lema das Ligas Camponesas; os fazendeiros se organizavam em milícias, temerosos de que as terras fossem desapropriadas para tais fins.

Em matéria do Jornal do Estado de Minas, veiculada em novembro de 1996, descreve-se o cenário político de sua morte: “[…] no dia 30 de março de […] 1964, Governador Valadares receberia a visita de João Pinheiro Neto, superintendente da SUPRA – Superintendência da Reforma Agrária – e do Secretário de Governo de Magalhães Pinto, José Aparecido. Eles iriam entregar as primeiras glebas de terra da Fazenda do Ministério da Agricultura aos colonos cadastrados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Lavoura de Valadares, dirigido pelo sindicalista Francisco Raimundo da Paixão, o Chicão. Não vieram.

Magalhães Pinto cancelou a solenidade, considerando a gravidade da situação política do País naquele dia. Era véspera do golpe militar. Os fazendeiros […] partiram para a intimidação. Cercaram o Sindicato […]. A sede do Sindicato foi metralhada pelas milícias fazendeiras. […] No tiroteio, o torneiro mecânico, Paschoal de Souza Lima […] tombou morto com um balaço na testa.” Nos dias subsequentes, os conflitos se acirram e as milícias fazendeiras passam a realizar uma intensa “caça aos comunistas”.

Nesse contexto, morreram também o farmacêutico Otávio Soares e seu filho, Augusto Soares. Ressalte-se que na época a família Soares conseguiu a abertura de inquérito, contudo a Justiça Militar absolveu os acusados dos assassinatos, pois estavam trabalhando em nome da “revolução”.

Consta no parecer da Câmara dos Deputados acerca do caso dos Soares que a Justiça Militar “entendeu […] a maioria […] que os acusados haviam sido convocados pelos chefes da Revolução em Minas a integrarem os batalhões patrióticos e tinham a condição de militares quando praticaram os atos que lhes estavam sendo atribuídos”.

Paschoal Souza Lima was killed by farmers in the Rio Doce region (MG). He was in the house of a worker leader, Chicão (Francisco Raimundo da Paixão), where the temporary headquarters of the Governor Valadares Farm Workers Union had been set up.

The house was machine-gunned by farmer militias on March 30, 1964. Chicão's wife, his children, another worker, known as Freitas, and Paschoal were in the house at the time of the shooting. Freitas was shot in the stomach, but survived. Paschoal was shot in the forehead and died instantly. Paschoal's death was timidly reported at the time, in a note from Correio da Manhã published on April 2, 1964.

The climate in the interior of Minas Gerais, at the time, was one of continued tension. Workers had been organizing and demanding the implementation of agrarian reform – more than two thousand workers were part of the union and never tired of repeating that there would be “agrarian reform, by law or by force”, the motto of the Peasant Leagues; farmers organized themselves into militias, fearful that their land would be expropriated for such purposes.

In an article in the Jornal do Estado de Minas, published in November 1996, the political scenario of his death is described: “[…] on March 30, […] 1964, Governor Valadares would receive a visit from João Pinheiro Neto, superintendent of SUPRA – Superintendence of Agrarian Reform – and the Secretary of Government of Magalhães Pinto, José Aparecido. They would hand over the first plots of land to the Treasury of the Ministry of Agriculture to the settlers registered by the Valadares Farm Workers Union, led by trade unionist Francisco Raimundo da Paixão, known as Chicão, they did not come.

Magalhães Pinto canceled the ceremony, considering the seriousness of the political situation in the country that day. It was the eve of the military coup. The farmers […] started to intimidate. They surrounded the Union […]. The Union's headquarters were machine-gunned by farmer militias. […] In the shooting, the machinist, Paschoal de Souza Lima […] fell dead with a bullet in his forehead.” In the following days, the conflicts intensified and the farmer militias began to carry out an intense “hunt for communists”.

In this context, pharmacist Otávio Soares and his son, Augusto Soares, also died. It should be noted that at the time the Soares family managed to open an investigation, however the Military Court acquitted those accused of the murders, as they were working in the name of the “revolution”.

It is stated in the opinion of the Chamber of Deputies regarding the Soares case that the Military Justice “understood […] the majority […] that the accused had been summoned by the leaders of the Revolution in Minas Gerais to join the patriotic battalions and had the status of military personnel when they carried out the acts that were being attributed to them”.

Paschoal Souza Lima fue asesinado por agricultores de la región de Rio Doce (MG). Estaba en la casa de un líder obrero, Chicão (Francisco Raimundo da Paixão), donde se había instalado la sede temporal del Sindicato de Trabajadores Agrícolas Gobernador Valadares.

La casa fue ametrallada por milicias campesinas el 30 de marzo de 1964. La esposa de Chicão, sus hijos, otro trabajador, conocido como Freitas, y Paschoal estaban en la casa en el momento del tiroteo. Freitas recibió un disparo en el estómago, pero sobrevivió. Paschoal recibió un disparo en la frente y murió instantáneamente. La muerte de Paschoal fue informada tímidamente en ese momento, en una nota del Correio da Manhã publicada el 2 de abril de 1964.

El clima en el interior de Minas Gerais, en ese momento, era de tensión continua. Los trabajadores se habían estado organizando y exigiendo la implementación de la reforma agraria: más de dos mil trabajadores formaban parte del sindicato y no se cansaban de repetir que habría “reforma agraria, por ley o por la fuerza”, lema de las Ligas Campesinas; Los agricultores se organizaron en milicias, temerosos de que sus tierras fueran expropiadas para tales fines.

En un artículo del Jornal do Estado de Minas, publicado en noviembre de 1996, se describe el escenario político de su muerte: “[…] el 30 de marzo de […] 1964, el gobernador Valadares recibiría la visita de João Pinheiro Neto, superintendente de la SUPRA – Superintendencia de la Reforma Agraria – y del secretario de Gobierno de Magalhães Pinto, José Aparecido. del Ministerio de Agricultura a los colonos registrados por el Sindicato de Trabajadores Agrícolas de Valadares, liderado por el sindicalista Francisco Raimundo da Paixão, conocido como Chicão, no acudieron.

Magalhães Pinto canceló la ceremonia, considerando la gravedad de la situación política que vivía el país ese día. Era la víspera del golpe militar. Los agricultores […] empezaron a intimidar. Rodearon la Unión […]. El cuartel general de la Unión fue ametrallado por milicias campesinas. […] En el tiroteo, el maquinista Paschoal de Souza Lima […] cayó muerto de un balazo en la frente”. En los días siguientes, los conflictos se intensificaron y las milicias campesinas comenzaron a llevar a cabo una intensa “caza de comunistas”.

En ese contexto, también fallecieron el farmacéutico Otávio Soares y su hijo, Augusto Soares. Cabe señalar que en su momento la familia Soares logró abrir una investigación, sin embargo el Tribunal Militar absolvió a los acusados ​​de los asesinatos, ya que trabajaban en nombre de la “revolución”.

Se señala en el dictamen de la Cámara de Diputados sobre el caso Soares que la Justicia Militar “entendió […] la mayoría […] que los imputados habían sido convocados por los líderes de la Revolución en Minas Gerais para incorporarse a los batallones patrióticos y tenían la condición de militares cuando realizaban los actos que se les atribuían”.

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Paschoal Souza Lima foi morto por milícias fazendeiras que atuavam em nome do regime militar, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela Ditadura Militar, implantada no país a partir de abril de 1964.

Recomenda-se a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Paschoal Souza Lima was killed by farmer militias who acted on behalf of the military regime, in the context of systematic human rights violations promoted by the Military Dictatorship, implemented in the country from April 1964.

It is recommended that investigations into the circumstances of the case continue to identify and hold the other agents involved accountable.

A la vista de las investigaciones realizadas, se concluye que Paschoal Souza Lima fue asesinado por milicias campesinas que actuaban en nombre del régimen militar, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos promovidas por la Dictadura Militar, implementada en el país a partir de abril de 1964.

Se recomienda que continúen las investigaciones sobre las circunstancias del caso para identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO