Ruy
Frasão
Soares
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
No dia 27 de maio de 1974, pela manhã, Ruy Frasão foi preso na feira de Petrolina por três policiais armados que o espancaram, o ameaçaram de morte, o algemaram e o jogaram no porta-malas de uma caminhonete preta. Ruy ainda disse para uma colega feirante, antes de ser levado: “Avisa Licinha!” (Felícia, sua esposa).
Em seguida, os policiais voltaram para recolher suas mercadorias. A feirante perguntou para onde o tinham levado, tendo como resposta uma ameaça. A família procurou seu paradeiro, buscando os comandos militares e encaminhamentos jurídicos, todos sem êxito. O Ministro da Justiça Armando Falcão fez um pronunciamento em 6 de fevereiro de 1975 abordando a situação de vários militantes políticos e considerou-o “desaparecido com destino ignorado”. Alanir Cardoso, militante do PCdoB, quando estava preso em Pernambuco, em setembro de 1974, disse que policiais teriam lhe apresentado uma foto de Ruy, feita na prisão, e afirmaram que “O comprido já virou presunto”.
Ainda que haja evidências para creditar sua morte à ação das forças de segurança, Ruy Frasão continua sendo considerado desaparecido político, uma vez que foi capturado em Petrolina/PE e seus restos mortais nunca foram entregues à família. Na década de 1990, o Relatório enviado pelas Forças Armadas ao então Ministro da Justiça Maurício Corrêa informou que “o Juiz da Vara da Justiça Federal […] Roberto Wanderley Nogueira, responsabilizou a União pelo desaparecimento e a morte do militante da Ação Popular (AP) e do PCB, Ruy Frasão Soares, sequestrado por agentes da Polícia Federal em Mai 74, numa feira livre em Petrolina”.
No processo no 10.980-0, de 1991, movido pela viúva e pelo filho de Ruy no âmbito da Justiça Federal, o Juiz Roberto Wanderley Nogueira condenou a União pela morte de Ruy e determinou o ressarcimento à família, reiterando que a “União Federal tem um dever legal e moral de reparar – para além do ressarcimento de todo o impossível – o desaparecimento, presumida morte e consequente ocultação de cadáver do cidadão brasileiro Rui (sic) Frasão Soares, e a dor incomensurável de seus familiares”.
On May 27, 1974, in the morning, Ruy Frasão was arrested at the Petrolina fair by three armed police officers who beat him, threatened him with death, handcuffed him and threw him in the trunk of a black pickup truck. Ruy even said to a fellow vendor, before being taken away: “Let Licinha know!” (Felicia, his wife).
Then the police returned to collect their goods. The stallholder asked where they had taken him, with a threat in response. The family searched for his whereabouts, seeking military commands and legal referrals, all without success. The Minister of Justice Armando Falcão made a statement on February 6, 1975 addressing the situation of several political activists and considered him “disappeared with an unknown fate”. Alanir Cardoso, a PCdoB activist, when he was arrested in Pernambuco, in September 1974, said that police officers had shown him a photo of Ruy, taken in prison, and stated that “The long one has already become ham”.
Even though there is evidence to attribute his death to the action of the security forces, Ruy Frasão continues to be considered a politically disappeared person, as he was captured in Petrolina/PE and his remains were never handed over to his family. In the 1990s, the Report sent by the Armed Forces to the then Minister of Justice Maurício Corrêa informed that “the Judge of the Federal Court […] Roberto Wanderley Nogueira, held the Union responsible for the disappearance and death of the Popular Action (AP) and PCB activist, Ruy Frasão Soares, kidnapped by Federal Police agents on May 74, at a street market in Petrolina”.
In case no. 10.980-0, of 1991, filed by Ruy's widow and son in the Federal Court, Judge Roberto Wanderley Nogueira condemned the Union for Ruy's death and ordered compensation for the family, reiterating that the “Federal Union has a legal and moral duty to repair – in addition to compensating for everything impossible – the disappearance, presumed death and consequent concealment of the corpse of the Brazilian citizen Rui (sic) Frasão Soares, and the immeasurable pain of his family.”
El 27 de mayo de 1974, por la mañana, Ruy Frasão fue detenido en la feria de Petrolina por tres policías armados que lo golpearon, lo amenazaron de muerte, lo esposaron y lo arrojaron en el maletero de una camioneta negra. Ruy incluso le dijo a un compañero vendedor, antes de que se lo llevaran: “¡Avísale a Licinha!” (Felicia, su esposa).
Luego la policía volvió a recoger sus bienes. El tendero preguntó adónde lo habían llevado, con una amenaza como respuesta. La familia buscó su paradero, buscando comandos militares y derivaciones legales, todo sin éxito. El Ministro de Justicia Armando Falcão hizo una declaración el 6 de febrero de 1975 abordando la situación de varios activistas políticos y lo consideró “desaparecido con destino desconocido”. Alanir Cardoso, activista del PCdoB, cuando fue detenido en Pernambuco, en septiembre de 1974, dijo que agentes de policía le habían mostrado una foto de Ruy, tomada en prisión, y afirmó que “el largo ya se ha convertido en jamón”.
Aunque existen pruebas para atribuir su muerte a la acción de las fuerzas de seguridad, Ruy Frasão continúa siendo considerado un desaparecido político, ya que fue capturado en Petrolina/PE y sus restos nunca fueron entregados a su familia. En la década de 1990, el Informe enviado por las Fuerzas Armadas al entonces Ministro de Justicia Maurício Corrêa informaba que “el Juez del Tribunal Federal […] Roberto Wanderley Nogueira, responsabilizó al Sindicato por la desaparición y muerte del militante de Acción Popular (AP) y PCB, Ruy Frasão Soares, secuestrado por agentes de la Policía Federal el 74 de mayo, en un mercado callejero de Petrolina”.
En el caso no. 10.980-0, de 1991, presentada por la viuda y el hijo de Ruy en el Tribunal Federal, el juez Roberto Wanderley Nogueira condenó a la Unión por la muerte de Ruy y ordenó una indemnización para la familia, reiterando que la “Unión Federal tiene el deber jurídico y moral de reparar – además de compensar todo lo imposible – la desaparición, muerte presunta y consiguiente ocultamiento del cadáver del ciudadano brasileño Rui (sic) Frasão Soares, y el dolor inconmensurable de su familia”.
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br