Foto de Valdir Salles Saboia

Valdir
Salles
Saboia

1/3/1950 - 1972
Rio de Janeiro, RJ
Policial MilitarMilitary PolicePolicía militar

Valdir Salles Saboia foi morto no dia 29 de dezembro de 1972, em ação comandada pelo Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do I Exército, no Rio de Janeiro. De acordo com a versão oficial, Valdir e outros cinco militantes do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) teriam morrido em confronto armado com agentes das forças de segurança no dia 29 de dezembro de 1972. A nota, divulgada pelo serviço de Relações Públicas do I Exército somente na edição do Jornal do Brasil de 17 de janeiro de 1973, com o título ―Destruído o Grupo de Fogo Terrorista do PCBR/GB‖, informava que em ações simultâneas, realizadas em pontos diferentes da Guanabara, os órgãos de segurança, prosseguindo operações contra grupos terroristas remanescentes, desbarataram duas importantes células do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que atuavam coordenadas nos bairros de Grajaú e Bento Ribeiro. As operações contra o grupo teriam se viabilizado graças a informações obtidas a partir da prisão de lideranças regionais do PCBR e da consequente apreensão de documentos relativos ao planejamento de ações futuras. Particularmente, a prisão de Fernando Augusto da Fonseca, importante quadro do PCBR, em Recife, no dia 26 de dezembro de 1972, teria possibilitado o desmonte do chamado ―Grupo de Fogo do PCBR‖, do qual Valdir fazia parte. Segundo a versão oficial, em seu interrogatório, Fernando Augusto teria fornecido às equipes de investigação informações sobre dois aparelhos do PCBR, localizados no Rio de Janeiro. De posse dessas informações, os agentes do DOI-CODI do IV Exército, em Recife, teriam conduzido Fernando até o Rio de Janeiro, onde ele teria acompanhado um grupo de agentes a um encontro marcado com outros quatro militantes, no bairro do Grajaú. No mesmo momento, outra equipe teria se deslocado para o bairro de Bento Ribeiro, local onde se situaria um aparelho do PCBR. No Grajaú, ao se aproximar do carro no qual estavam outros quatro militantes do PCBR, Fernando teria sido baleado por seus próprios companheiros que, percebendo o cerco policial, decidiram abrir fogo. Na sequência, um intenso tiroteio com as forças de segurança teria resultado na morte de José Bartolomeu Rodrigues, Getúlio de Oliveira Cabral e José Silton Pinheiro, cujos corpos teriam sido carbonizados dentro do veículo, incendiado em decorrência da troca de tiros. Um quarto militante teria conseguido escapar, mas nunca chegou a ser identificado. No segundo confronto, travado no ―aparelho‖ localizado em Bento Ribeiro, dois militantes teriam reagido ao cerco policial com suas armas, inclusive granadas de mão, e acabaram mortos no tiroteio. De acordo com a nota oficial, as duas vítimas seriam Valdir Salles Saboia e Luciana Ribeiro da Silva, nome falso de Lourdes Maria Wanderley Pontes. As investigações realizadas pela CEMDP e pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) revelaram a existência de indícios que permitem desconstituir a versão divulgada pelos órgãos da repressão. Documentos oficiais demonstram que, além de Fernando Augusto da Fonseca, cuja prisão foi oficialmente reconhecida, Valdir Salles Saboia também tinha sido detido pelos órgãos de segurança antes de morrer. Um relatório do Centro de Informações da Aeronáutica (CISA) sobre as atividades do PCBR lista, entre outras ações, um assalto a banco que teria ocorrido em outubro de 1972, na rua Marquês de Abrantes, no Rio de Janeiro. Segundo o relatório, as informações sobre essa ação tinham sido levantadas a partir de declarações de Fernando Augusto da Fonseca e Valdir Salles Saboia. Esse registro aponta para um contato de agentes da repressão com Valdir, anterior à morte do militante, o que indica que também fora detido e interrogado no final de 1972, contrariando a versão de tiroteio após o ―estouro‖ de um aparelho. A prisão de Valdir Saboia é confirmada por outro documento do Cisa, de 19 de março de 1973, que apresenta um extrato das declarações do militante, relacionando as ações do PCBR supostamente mapeadas a partir de seu interrogatório. O caráter fantasioso do episódio narrado como suposto tiroteio que teria vitimado Valdir e Lourdes Maria fica evidente pela indicação do endereço da casa onde teriam sido mortos em Bento Ribeiro: trata-se da rua Sargento Valder Xavier de Lima, nome de um militar morto por militantes do PCBR, em 1970, em Salvador (BA). Além disso, como já observado pela CEMDP, as fotos da perícia técnica desmentem a versão de tiroteio, que teria envolvido inclusive o uso de granadas de mão, no suposto aparelho em Bento Ribeiro. A análise das fotos demonstra que não há marcas de tiros na parede, e o corpo de Lourdes Maria aparece em um canto da sala, atrás de uma árvore de natal, que permanece com as bolas de vidrilho intactas. O laudo de necropsia de Valdir Salles Saboia foi assinado por Roberto Blanco dos Santos e Helder Machado Paupério. O médico Roberto Blanco dos Santos também foi responsável pelo exame de necropsia dos demais militantes do PCBR mortos pelas forças de repressão no mesmo episódio. Apesar de terem morrido em eventos distintos, conforme afirmam os documentos oficiais, chama atenção o fato de que as certidões de óbito de Valdir Salles Saboia e de Fernando Augusto da Fonseca registram exatamente a mesma descrição de causa mortis para os dois: ―ferimentos penetrantes do tórax determinando transfixão do coração e do pulmão esquerdo‖. Outra incongruência notada na certidão de óbito de Valdir diz respeito ao local de morte que está apontado como o final da rua Grajaú, sendo que a nota oficial informava que Valdir teria morrido no cerco ao ―aparelho‖ situado em Bento Ribeiro. O exame de necropsia do corpo de Valdir Salles Saboia indica a presença de ferimentos produzidos por arma de fogo, tanto na face anterior como na face posterior do cadáver, além de lesão por entrada de projétil na parte interna do antebraço esquerdo, o que se caracteriza como gesto de autodefesa de vítima prestes a ser baleada. Os médicos também descreveram que o corpo apresentava rigidez generalizada, o que indica que Valdir já estava morto há pelo menos 12 horas. A mesma observação consta no laudo de necropsia de Lourdes Maria, sendo possível estimar que os dois tenham morrido por volta das 14 horas de 29 de dezembro de 1972, uma vez que a necropsia foi realizada às 2h30 do dia 30. Tal horário de morte de Valdir e Lourdes contradiz a versão divulgada na nota oficial, que informava que o confronto teria ocorrido na noite do dia 29. Outro aspecto que fragiliza a versão oficial de tiroteio pode ser notado pela análise das fotos produzidas pelo serviço fotográfico do Instituto de Criminalística, que apresentam o cadáver de Valdir ferido sob uma cama, sem nenhuma concentração de sangue na área que circunda o corpo. Com relação à operação no Grajaú, a provável prisão anterior dos militantes e a encenação do tiroteio com a carbonização do veículo para encobrir suas execuções sumárias ou suas mortes sob tortura, o ex-preso político Rubens Manoel Lemos afirmou, em declaração prestada em 31 de janeiro de 1996, que Fernando Augusto da Fonseca (―Sandália‖), José Silton Pinheiro e Getúlio de Oliveira Cabral ―foram colocados, já mortos, dentro de um carro da marca Volkswagen, que foi incendiado (explodido) no Rio de Janeiro‖. Essa declaração é endossada por outros testemunhos que chegaram ao conhecimento do então deputado federal Nilmário Miranda, enquanto membro da Comissão Externa para Mortos e Desaparecidos Políticos, que denunciaram a morte dos militantes no DOI-CODI/I, no Rio de Janeiro. Soma-se a isso a análise dos registros fotográficos do local das mortes pela equipe pericial da CNV, que concluiu que o carro foi carbonizado de dentro para fora, uma vez que o motor e o tanque de combustíveis estavam intactos. Segundo a avaliação dos peritos, tanto a distribuição da queima como a intensidade das chamas nos locais atingidos indicam que o fogo foi colocado no interior do veículo, tendo se propagado de dentro para fora. Além disso, é possível observar, pelas fotos, que o fusca não apresentava perfurações de disparos em sua carroçaria. Outro indício de falsidade da versão oficial diz respeito ao encaminhamento dos corpos para o necrotério do Rio de Janeiro. De acordo com a versão divulgada pelos órgãos de segurança, os dois confrontos teriam ocorrido em horários distintos e em diferentes pontos da cidade: duas vítimas teriam morrido em Bento Ribeiro e as outras quatro no Grajaú, bairros que ficam a aproximadamente 15 quilômetros de distância um do outro. Seria esperado, portanto, que os corpos chegassem ao necrotério em momentos distintos. Não obstante, os documentos oficiais atestam que, ao contrário, todos os corpos deram entrada no Instituto Médico-Legal (IML) às 2h30 da madrugada do dia 30 de dezembro, em guias sequenciais, o que indica que foram recolhidos juntos. Embora não seja possível apontar as reais circunstâncias de morte dos seis integrantes do PCBR, fica demonstrada a falsidade da versão oficial divulgada à época com o intuito de encobrir a morte das vítimas por execução ou por decorrência de tortura. Os restos mortais de Valdir Salles Saboia foram enterrados por sua família no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador (RJ).

Valdir Salles Saboia was killed on December 29, 1972, in an action commanded by the Information Operations Detachment – ​​Internal Defense Operations Center (DOI-CODI) of the 1st Army, in Rio de Janeiro. According to the official version, Valdir and five other militants of the Brazilian Revolutionary Communist Party (PCBR) died in an armed confrontation with agents of the security forces on December 29, 1972. The note, published by the Public Relations service of the 1st Army only in the edition of Jornal do Brasil on January 17, 1973, with the title “The PCBR/GB Terrorist Fire Group Destroyed”, stated that in Simultaneous actions, carried out in different parts of Guanabara, the security agencies, continuing operations against remaining terrorist groups, dismantled two important cells of the Brazilian Revolutionary Communist Party (PCBR), which operated in coordination in the neighborhoods of Grajaú and Bento Ribeiro. The operations against the group would have been made possible thanks to information obtained from the arrest of regional PCBR leaders and the consequent seizure of documents relating to the planning of future actions. In particular, the arrest of Fernando Augusto da Fonseca, an important member of the PCBR, in Recife, on December 26, 1972, would have made it possible to dismantle the so-called “PCBR Fire Group”, of which Valdir was a member. According to the official version, during his interrogation, Fernando Augusto would have provided the investigation teams with information about two PCBR devices, located in Rio de Janeiro. Armed with this information, DOI-CODI agents from the IV Army, in Recife, would have taken Fernando to Rio de Janeiro, where he would have accompanied a group of agents to a scheduled meeting with four other militants, in the Grajaú neighborhood. At the same time, another team would have moved to the neighborhood of Bento Ribeiro, where a PCBR device would be located. In Grajaú, when approaching the car in which four other PCBR militants were, Fernando was allegedly shot by his own companions who, noticing the police siege, decided to open fire. Subsequently, an intense shootout with security forces resulted in the death of José Bartolomeu Rodrigues, Getúlio de Oliveira Cabral and José Silton Pinheiro, whose bodies were charred inside the vehicle, which was set on fire as a result of the exchange of gunfire. A fourth militant reportedly managed to escape, but was never identified. In the second confrontation, which took place in the “apparatus” located in Bento Ribeiro, two militants allegedly reacted to the police siege with their weapons, including hand grenades, and ended up dead in the shootout. According to the official note, the two victims were Valdir Salles Saboia and Luciana Ribeiro da Silva, false name Lourdes Maria Wanderley Pontes. The investigations carried out by CEMDP and the National Truth Commission (CNV) revealed the existence of evidence that allows us to deconstruct the version released by the repression bodies. Official documents show that, in addition to Fernando Augusto da Fonseca, whose arrest was officially recognized, Valdir Salles Saboia had also been detained by security agencies before he died. A report from the Air Force Information Center (CISA) on the activities of the PCBR lists, among other actions, a bank robbery that allegedly occurred in October 1972, on Rua Marquês de Abrantes, in Rio de Janeiro. According to the report, information about this action had been gathered from statements by Fernando Augusto da Fonseca and Valdir Salles Saboia. This record points to contact between repression agents and Valdir, prior to the militant's death, which indicates that he was also detained and interrogated at the end of 1972, contradicting the version of a shootout following the “explosion” of a device. Valdir Saboia's arrest is confirmed by another Cisa document, dated March 19, 1973, which presents an extract from the militant's statements, listing the PCBR's actions supposedly mapped out based on his interrogation. The fantasy nature of the episode narrated as a supposed shooting that killed Valdir and Lourdes Maria is evident from the indication of the address of the house where they were killed in Bento Ribeiro: it is Rua Sargento Valder Xavier de Lima, named after a soldier killed by PCBR militants, in 1970, in Salvador (BA). Furthermore, as already noted by CEMDP, the photos from the technical expertise deny the shooting version, which would have even involved the use of hand grenades, in the alleged device in Bento Ribeiro. Analysis of the photos shows that there are no gunshot marks on the wall, and Lourdes Maria's body appears in a corner of the room, behind a Christmas tree, which remains with the glass balls intact. The autopsy report on Valdir Salles Saboia was signed by Roberto Blanco dos Santos and Helder Machado Paupério. Doctor Roberto Blanco dos Santos was also responsible for the autopsy examination of the other PCBR militants killed by repression forces in the same episode. Despite having died in different events, as stated in official documents, the fact that the death certificates of Valdir Salles Saboia and Fernando Augusto da Fonseca record exactly the same description of the cause of death for both is noteworthy: “penetrating wounds to the chest resulting in transfixion of the heart and left lung”. Another inconsistency noted in Valdir's death certificate concerns the place of death, which is indicated as the end of Rua Grajaú, and the official note stated that Valdir had died in the siege of the “apparatus” located in Bento Ribeiro. The autopsy examination of Valdir Salles Saboia's body indicates the presence of injuries caused by a firearm, both on the front and back of the corpse, as well as an injury caused by a projectile entering the inner part of the left forearm, which is characterized as a gesture of self-defense by a victim about to be shot. Doctors also described that the body had generalized stiffness, which indicates that Valdir had been dead for at least 12 hours. The same observation appears in Lourdes Maria's autopsy report, making it possible to estimate that the two died at around 2 pm on December 29, 1972, since the autopsy was carried out at 2:30 am on the 30th. This time of death for Valdir and Lourdes contradicts the version published in the official note, which stated that the confrontation took place on the night of the 29th. Another aspect that weakens the official version of the shooting may be noticed by the analysis of the photos produced by the photographic service of the Institute of Criminalistics, which show Valdir's corpse injured under a bed, with no concentration of blood in the area surrounding the body. Regarding the operation in Grajaú, the probable previous arrest of the militants and the staging of the shootout with the charring of the vehicle to cover up their summary executions or their deaths under torture, former political prisoner Rubens Manoel Lemos stated, in a statement made on January 31, 1996, that Fernando Augusto da Fonseca (―Sandália‖), José Silton Pinheiro and Getúlio de Oliveira Cabral “they were placed, already dead, inside a Volkswagen car, which was set on fire (exploded) in Rio de Janeiro”. This statement is endorsed by other testimonies that came to the attention of the then federal deputy Nilmário Miranda, as a member of the External Commission for Political Dead and Missing, who denounced the death of the militants at DOI-CODI/I, in Rio de Janeiro. Added to this was the analysis of photographic records from the scene of the deaths by the CNV expert team, which concluded that the car was charred from the inside out, as the engine and fuel tank were intact. According to the experts' assessment, both the distribution of the burning and the intensity of the flames in the affected areas indicate that the fire was placed inside the vehicle, having spread from the inside to the outside. Furthermore, it is possible to observe, from the photos, that the Beetle did not have gunshot holes in its body. Another sign of falsehood in the official version concerns the sending of the bodies to the Rio de Janeiro morgue. According to the version released by security agencies, the two clashes would have occurred at different times and in different parts of the city: two victims would have died in Bento Ribeiro and the other four in Grajaú, neighborhoods that are approximately 15 kilometers away from each other. It would therefore be expected that the bodies would arrive at the morgue at different times. However, the official documents attest that, on the contrary, all the bodies were admitted to the Instituto Médico-Legal (IML) at 2:30 am on December 30th, in sequential order, which indicates that they were collected together. Although it is not possible to point out the real circumstances of the deaths of the six PCBR members, the official version released at the time with the intention of covering up the deaths of the victims by execution or as a result of torture is demonstrated to be false. The remains of Valdir Salles Saboia were buried by his family in the Cacuia Cemetery, on Ilha do Governador (RJ).

Valdir Salles Saboia fue asesinado el 29 de diciembre de 1972, en una acción comandada por el Destacamento de Operaciones de Información – Centro de Operaciones de Defensa Interna (DOI-CODI) del 1.º Ejército, en Río de Janeiro. Según la versión oficial, Valdir y otros cinco militantes del Partido Comunista Revolucionario Brasileño (PCBR) murieron en un enfrentamiento armado con agentes de las fuerzas de seguridad el 29 de diciembre de 1972. La nota, publicada por el servicio de Relaciones Públicas del 1.º Ejército sólo en la edición del Jornal do Brasil del 17 de enero de 1973, con el título “El Grupo de Fuego Terrorista PCBR/GB Destruido”, afirmaba que en acciones simultáneas, llevadas a cabo en diferentes puntos de En Guanabara, los organismos de seguridad, continuando las operaciones contra los restantes grupos terroristas, desmantelaron dos importantes células del Partido Comunista Revolucionario Brasileño (PCBR), que operaban coordinadamente en los barrios de Grajaú y Bento Ribeiro. Las operaciones contra el grupo habrían sido posibles gracias a la información obtenida a partir de la detención de líderes regionales del PCBR y la consiguiente incautación de documentos relacionados con la planificación de futuras acciones. En particular, la detención de Fernando Augusto da Fonseca, importante miembro del PCBR, en Recife, el 26 de diciembre de 1972, habría permitido desmantelar el llamado “Grupo de Fuego PCBR”, del que Valdir era miembro. Según la versión oficial, durante su interrogatorio, Fernando Augusto habría proporcionado a los equipos de investigación información sobre dos dispositivos PCBR, ubicados en Río de Janeiro. Armados con esa información, agentes del DOI-CODI del IV Ejército, en Recife, habrían llevado a Fernando a Río de Janeiro, donde habría acompañado a un grupo de agentes a una reunión prevista con otros cuatro militantes, en el barrio de Grajaú. Al mismo tiempo, otro equipo se habría desplazado hasta el barrio de Bento Ribeiro, donde estaría ubicado un dispositivo PCBR. En Grajaú, al acercarse al auto en el que viajaban otros cuatro militantes del PCBR, Fernando habría sido baleado por sus propios compañeros quienes, al notar el cerco policial, decidieron abrir fuego. Posteriormente, un intenso tiroteo con las fuerzas de seguridad resultó en la muerte de José Bartolomeu Rodrigues, Getúlio de Oliveira Cabral y José Silton Pinheiro, cuyos cuerpos quedaron calcinados en el interior del vehículo, que fue incendiado como consecuencia del intercambio de disparos. Según los informes, un cuarto militante logró escapar, pero nunca fue identificado. En el segundo enfrentamiento, que tuvo lugar en el “aparato” ubicado en Bento Ribeiro, dos militantes supuestamente reaccionaron al asedio policial con sus armas, incluidas granadas de mano, y terminaron muertos en el tiroteo. Según la nota oficial, las dos víctimas eran Valdir Salles Saboia y Luciana Ribeiro da Silva, nombre falso de Lourdes María Wanderley Pontes. Las investigaciones realizadas por el CEMDP y la Comisión Nacional de la Verdad (CNV) revelaron la existencia de evidencia que permite deconstruir la versión difundida por los órganos de represión. Documentos oficiales muestran que, además de Fernando Augusto da Fonseca, cuya detención fue reconocida oficialmente, Valdir Salles Saboia también había sido detenido por organismos de seguridad antes de morir. Un informe del Centro de Información de la Fuerza Aérea (CISA) sobre las actividades del PCBR enumera, entre otras acciones, un robo a un banco ocurrido presuntamente en octubre de 1972, en la Rua Marquês de Abrantes, en Río de Janeiro. Según el informe, la información sobre esta acción se habría obtenido de declaraciones de Fernando Augusto da Fonseca y Valdir Salles Saboia. Este registro apunta a contactos entre agentes de represión y Valdir, previos a la muerte del militante, lo que indica que éste también fue detenido e interrogado a finales de 1972, contradiciendo la versión de un tiroteo tras la “explosión” de un artefacto. La detención de Valdir Saboia está confirmada por otro documento de la Cisa, fechado el 19 de marzo de 1973, que presenta un extracto de las declaraciones del militante, enumerando las acciones del PCBR supuestamente trazadas a partir de su interrogatorio. El carácter fantasioso del episodio narrado como un supuesto tiroteo que mató a Valdir y Lourdes María se evidencia por la indicación de la dirección de la casa donde fueron asesinados en Bento Ribeiro: es la Rua Sargento Valder Xavier de Lima, que lleva el nombre de un soldado asesinado por militantes del PCBR, en 1970, en Salvador (BA). Además, como ya señaló el CEMDP, las fotografías de la pericia técnica desmienten la versión del disparo, que habría implicado incluso el uso de granadas de mano, en el presunto artefacto ocurrido en Bento Ribeiro. El análisis de las fotografías muestra que no hay marcas de disparos en la pared, y el cuerpo de Lourdes María aparece en un rincón de la habitación, detrás de un árbol de Navidad, que permanece con las bolas de cristal intactas. El informe de la autopsia de Valdir Salles Saboia fue firmado por Roberto Blanco dos Santos y Helder Machado Paupério. El médico Roberto Blanco dos Santos también fue responsable de las autopsias de los demás militantes del PCBR asesinados por las fuerzas represivas en el mismo episodio. A pesar de haber fallecido en hechos diferentes, según consta en documentos oficiales, llama la atención que en los certificados de defunción de Valdir Salles Saboia y Fernando Augusto da Fonseca conste exactamente la misma descripción de la causa de la muerte de ambos: “heridas penetrantes en el tórax con resultado de transfixión del corazón y pulmón izquierdo”. Otra inconsistencia observada en el certificado de defunción de Valdir se refiere al lugar de la muerte, que se indica como el final de la Rua Grajaú, y la nota oficial afirma que Valdir había muerto en el asedio del “aparato” ubicado en Bento Ribeiro. El examen de la autopsia del cuerpo de Valdir Salles Saboia indica la presencia de heridas provocadas por arma de fuego, tanto en la parte anterior como posterior del cadáver, así como una lesión provocada por un proyectil que ingresó por la parte interna del antebrazo izquierdo, lo que se caracteriza como un gesto de autodefensa de una víctima a punto de ser disparada. Los médicos también describieron que el cuerpo presentaba rigidez generalizada, lo que indica que Valdir llevaba muerto al menos 12 horas. La misma observación aparece en el informe de la autopsia de Lourdes María, lo que permite estimar que los dos murieron alrededor de las 14 horas del 29 de diciembre de 1972, ya que la autopsia se realizó a las 2,30 horas del día 30. Esta hora de muerte de Valdir y Lourdes contradice la versión publicada en la nota oficial, que afirmaba que el enfrentamiento se produjo la noche del día 29. Otro aspecto que debilita la versión oficial sobre el tiroteo se puede advertir en el análisis de las fotografías realizadas por el servicio fotográfico del Instituto de Criminalística, que muestran el cadáver de Valdir herido debajo de una cama, sin concentración de sangre en la zona que rodea el cuerpo. Respecto de la operación en Grajaú, la probable detención previa de los militantes y la realización del tiroteo con carbonización del vehículo para encubrir sus ejecuciones sumarias o sus muertes bajo tortura, el ex preso político Rubens Manoel Lemos afirmó, en declaración del 31 de enero de 1996, que Fernando Augusto da Fonseca (“Sandália”), José Silton Pinheiro y Getúlio de Oliveira Cabral “fueron colocados, ya muertos, dentro de un Auto Volkswagen, que fue incendiado (explotado) en Río de Janeiro”. Esta afirmación está respaldada por otros testimonios que llegaron a conocimiento del entonces diputado federal Nilmário Miranda, como miembro de la Comisión Externa de Muertos y Desaparecidos Políticos, quien denunció la muerte de los militantes en el DOI-CODI/I, en Río de Janeiro. A esto se sumó el análisis de registros fotográficos del lugar de las muertes realizado por el equipo de peritos de la CNV, que concluyó que el auto estaba carbonizado de adentro hacia afuera, ya que el motor y el tanque de combustible estaban intactos. Según la valoración de los peritos, tanto la distribución de las llamas como la intensidad de las llamas en las zonas afectadas indican que el fuego se localizó en el interior del vehículo, habiéndose extendido desde el interior hacia el exterior. Además, se puede observar, en las fotografías, que el Escarabajo no tenía agujeros de bala en su carrocería. Otro signo de falsedad en la versión oficial se refiere al envío de los cadáveres a la morgue de Río de Janeiro. Según la versión difundida por los organismos de seguridad, los dos enfrentamientos habrían ocurrido en distintos momentos y en distintos puntos de la ciudad: dos víctimas habrían muerto en Bento Ribeiro y las otras cuatro en Grajaú, barrios que se encuentran aproximadamente a 15 kilómetros de distancia entre sí. Por lo tanto, se esperaría que los cuerpos llegaran a la morgue en diferentes momentos. Sin embargo, los documentos oficiales dan fe de que, por el contrario, todos los cadáveres fueron ingresados ​​al Instituto Médico-Legal (IML) a las 2:30 horas del 30 de diciembre, en orden secuencial, lo que indica que fueron recogidos juntos. Aunque no es posible señalar las circunstancias reales de la muerte de los seis miembros de la PCBR, la versión oficial difundida en su momento con la intención de encubrir las muertes de las víctimas mediante ejecución o como resultado de torturas resulta falsa. Los restos de Valdir Salles Saboia fueron enterrados por su familia en el Cementerio de Cacuia, en Ilha do Governador (RJ).

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Valdir Salles Saboia foi morto em decorrência de ação praticada por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar, implantada no país a partir de abril de 1964. Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de Valdir Salles Saboia, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Valdir Salles Saboia was killed as a result of actions carried out by agents of the Brazilian State, in the context of systematic human rights violations promoted by the military dictatorship, implemented in the country from April 1964. It is recommended that Valdir Salles Saboia's death certificate be rectified, as well as the continuation of investigations into the circumstances of the case, to identify and hold the other agents involved accountable.

En vista de las investigaciones realizadas, se concluye que Valdir Salles Saboia fue asesinado como resultado de acciones realizadas por agentes del Estado brasileño, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos promovidas por la dictadura militar, implementada en el país a partir de abril de 1964. Se recomienda la rectificación del certificado de defunción de Valdir Salles Saboia, así como la continuación de las investigaciones sobre las circunstancias del caso, para identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO