Walter
Ribeiro
Novaes
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
Walter Ribeiro Novaes foi preso em 12 de julho de 1971, no bairro da Penha, na cidade do Rio de Janeiro, depois da invasão à sua residência por policiais à paisana, que “reviraram móveis, espalharam terror e molestaram sua esposa, Atamilca, na frente de seus dois filhos menores”. Era cerca de 18h30 quando o militante da VPR saiu para ir ao encontro de Alípio, também guarda-vidas, que trabalhava na Barra da Tijuca. Foi a última vez em que Walter foi visto. Na procura por informações sobre o seu paradeiro, sua família chegou a entrar em contato com um policial que informou, em troca de dinheiro, que ele se encontrava no DOPS/GB, contudo, este contato foi interrompido, por iniciativa do próprio policial, que alegou ter sido ameaçado de morte. Apesar dessa informação, o Centro de Informações da Aeronáutica (CISA), em relatório de 4 de março de 1977, em que referencia a esposa de Walter, na época refugiada no Chile, negou que o militante houvesse sido preso pelos órgãos da repressão, no qual constava que “seu marido nunca foi preso por qualquer órgão de segurança nacional”. Em desconstrução da versão apresentada, Inês Etienne Romeu, no relatório sobre sua prisão no centro clandestino de tortura do Centro de Informações do Exército (CIE), em Petrópolis (RJ), conhecido como Casa da Morte, afirmou ter ouvido de seus torturadores que Walter Ribeiro Novaes esteve naquele cárcere clandestino em julho de 1971 e que, no período entre 8 e 14 de julho, houve uma ruidosa comemoração em virtude de sua morte. Alex Polari de Alverga também informou em depoimentos prestados à Justiça Militar durante aquele período, que ouviu de agentes do DOI-CODI-RJ que Walter tinha sido morto após ter sido torturado. Até o momento, os restos mortais de Walter Ribeiro Novaes não foram encontrados.
Walter Ribeiro Novaes was arrested on July 12, 1971, in the Penha neighborhood, in the city of Rio de Janeiro, after the invasion of his home by plainclothes police, who “turned over furniture, spread terror and molested his wife, Atamilca, in front of his two minor children”. It was around 6:30 pm when the VPR activist left to meet Alípio, also a lifeguard, who worked in Barra da Tijuca. It was the last time Walter was seen. In the search for information about his whereabouts, his family came into contact with a police officer who informed them, in exchange for money, that he was at DOPS/GB, however, this contact was interrupted, on the initiative of the police officer himself, who claimed to have been threatened with death. Despite this information, the Air Force Information Center (CISA), in a report dated March 4, 1977, in which it references Walter's wife, at the time a refugee in Chile, denied that the militant had been arrested by the repression bodies, which stated that “her husband was never arrested by any national security body”. In deconstruction of the version presented, Inês Etienne Romeu, in the report on his imprisonment in the clandestine torture center of the Army Information Center (CIE), in Petrópolis (RJ), known as Casa da Morte, stated that he had heard from his torturers that Walter Ribeiro Novaes was in that clandestine prison in July 1971 and that, in the period between July 8 and 14, there was a noisy celebration due to his death. Alex Polari de Alverga also reported in statements given to the Military Court during that period, that he heard from DOI-CODI-RJ agents that Walter had been killed after being tortured. To date, the remains of Walter Ribeiro Novaes have not been found.
Walter Ribeiro Novaes fue detenido el 12 de julio de 1971, en el barrio de Penha, en la ciudad de Río de Janeiro, tras la invasión de su domicilio por policías vestidos de civil, quienes “volcaron muebles, sembraron el terror y abusaron sexualmente de su esposa, Atamilca, delante de sus dos hijos menores”. Eran alrededor de las 18.30 cuando el activista del VPR salió para encontrarse con Alípio, también socorrista, que trabajaba en Barra da Tijuca. Fue la última vez que vieron a Walter. En la búsqueda de información sobre su paradero, su familia entró en contacto con un policía quien les informó, a cambio de dinero, que se encontraba en el DOPS/GB, sin embargo, este contacto fue interrumpido, por iniciativa del propio policía, quien afirmó haber sido amenazado de muerte. Pese a esta información, el Centro de Información de la Fuerza Aérea (CISA), en un informe fechado el 4 de marzo de 1977, en el que hace referencia a la esposa de Walter, entonces refugiada en Chile, negó que el militante hubiera sido detenido por los órganos de represión, afirmando que “su marido nunca fue detenido por ningún organismo de seguridad nacional”. En deconstrucción de la versión presentada, Inês Etienne Romeu, en el informe sobre su encarcelamiento en el centro clandestino de torturas del Centro de Información del Ejército (CIE), en Petrópolis (RJ), conocido como Casa da Morte, afirmó que había oído de sus torturadores que Walter Ribeiro Novaes estuvo en esa prisión clandestina en julio de 1971 y que, en el período comprendido entre el 8 y el 14 de julio, hubo una ruidosa celebración por su muerte. Alex Polari de Alverga también informó en declaraciones rendidas ante el Tribunal Militar durante ese período, que escuchó por agentes del DOI-CODI-RJ que Walter había sido asesinado luego de haber sido torturado. Hasta la fecha no se han encontrado los restos de Walter Ribeiro Novaes.
*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br