Foto de Wilson Silva

Wilson
Silva

21/4/1942 - 1974
São Paulo, SP
Analista de SistemasSystems AnalystAnalista de sistemas

Wilson Silva tinha 32 anos de idade quando, na companhia de sua esposa Ana Rosa Kucinski, foi preso por agentes da repressão, no dia 22 de abril de 1974, em São Paulo (SP). Desde então, o Estado brasileiro tem apresentado diferentes posicionamentos para a prisão e desaparecimento de Wilson e de Ana Rosa. A princípio, o Estado recusou-se a fornecer qualquer informação, em decorrência do não reconhecimento da prisão do casal de militantes. Em fevereiro de 1975, o então ministro da justiça, Armando Falcão, tornou pública nota oficial, na qual os nomes de Wilson Silva e Ana Rosa Kucinski são citados como “terroristas foragidos”. Entretanto, no ano de 1993, quase duas décadas após a prisão de Wilson e Ana Rosa, o relatório da Marinha, encaminhado ao Ministério da Justiça, confirmou que Wilson havia sido “preso em São Paulo a 22/4/1974, e dado como desaparecido desde então”. De acordo com depoimentos coletados pelas famílias de Wilson Silva e de Ana Rosa Kucinski, no dia 22 de abril de 1974, por volta do meio-dia, o casal havia marcado um almoço em um restaurante situado nas proximidades da Praça da República, no centro de São Paulo. Wilson, que trabalhava na empresa Servix, despediu-se de um colega de trabalho, Osmar Miranda Dias, e foi ao encontro da esposa. Ana, também, comunicou os seus planos aos colegas de Departamento, e dirigiu-se à Praça da República. Desde então, o casal não voltou a ser visto. No mesmo dia, as famílias Silva e Kucinski, alertadas pelos colegas de trabalho de Ana Rosa, tomaram providências no intuito de localizar os dois militantes. O advogado Aldo Lins e Silva impetrou habeas corpus, em favor de Ana Rosa e Wilson, entretanto, com fundamento no AI-5, o pedido foi negado. Em suma: nenhuma unidade militar ou policial reconhecia a prisão do casal. Ao mesmo tempo, outras iniciativas políticas foram postas em marcha. O então cardeal de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, conseguiu audiência com o chefe da Casa Civil do governo Geisel, o general Golbery do Couto e Silva. Na reunião, realizada na capital federal no dia 7 de agosto de 1974, foi prometida intensa investigação por parte do governo. Quatro meses depois, diante da ausência de informações concretas sobre o caso, a Comissão de Direitos Humanos da OEA foi acionada, no que foi respondida pelo governo brasileiro sobre a ausência de responsabilidade do Estado. Apesar da impossibilidade de conseguir informações seguras, as famílias insistiram na luta pelo direito de saber o que havia acontecido com Wilson Silva e com Ana Rosa Kucinski. Com esse propósito, pediram informações ao Departamento de Estado do governo norte-americano sobre o destino do casal, que respondeu por meio da American Jewish Communitee e do American Jewish Congress. Acerca de Ana Rosa, afirmaram que estaria viva. Quanto a Wilson, disse que desconheciam o seu paradeiro. Foram nesses termos também que, em 18 de dezembro de 1974, a família recebeu à última comunicação formal sobre o caso. Ao longo dos anos, diferentes versões foram divulgadas para o desaparecimento dos dois militantes. Uma dessas versões pode ser encontrada no depoimento prestado à revista IstoÉ pelo tenente-médico Amílcar Lobo, que colaborou com o DOI-CODI do I Exército e atuou também no aparelho clandestino conhecido como Casa da Morte, em Petrópolis (RJ). Na matéria intitulada “Longe do Ponto Final”, datada de 8 de abril de 1987, relatou sobre os assassinatos que presenciara na Casa da Morte e no DOI-CODI do I Exército. Procurado pelo jornalista Bernardo Kucinski, irmão de Ana Rosa, em 31 de maio de 1987, Lobo fez menção de rememorar Wilson Silva da Casa da Morte, mas não o admitiu formalmente. Por semelhante, foi Bernardo Kucinski, quem prestou os seguintes esclarecimentos, por meio de requerimento à CEMDP, sobre o desaparecimento de sua irmã e seu cunhado, com fundamento nas declarações do agente da repressão, José Rodrigues Gonçalves, prestadas à jornalista Mônica Bérgamo, da revista Veja, em uma entrevista de 1993: Minha irmã e seu marido Wilson Silva foram presos na tarde do dia 22 de abril de 1974, pelo agente do DOI-CODI de codinome Paulo da Silva Júnior, quando voltavam para sua residência. O verdadeiro nome desse agente é José Rodrigues Gonçalves, cabo reformado do Exército. Minha irmã e meu cunhado foram levados na madrugada do mesmo dia para Petrópolis pelos policiais Ênio Pimentel da Silveira e Sérgio Paranhos Fleury, ambos já mortos. O Sr. Paulo [Henrique] Sawaya [Filho], na condição presumida de agente do serviço de repressão, informou-me, em 3 de janeiro de 1975, que minha irmã efetivamente havia sido presa pelos órgãos de segurança em São Paulo e transferida da jurisdição do II Exército. Ficou de me dar detalhes no dia seguinte, quando, assustado, negou tudo. O Sr. Paulo Sawaya tornou-se assessor do deputado federal Delfim Neto. Já em depoimento prestado à CNV no dia 30 de outubro de 2012, por Marival Chaves Dias do Canto, explicitou-se que Ana Rosa Kucinski e Wilson Silva foram levados à Casa da Morte ainda vivos. No dia 10 de maio de 2013, prestou outro depoimento à CNV, quando afirmou que Ana Rosa, Wilson e outros militantes da ALN foram presos após delação do agente infiltrado João Henrique Ferreira de Carvalho, o “Jota”, que depois passou a atuar como médico em Brasília. Naquela ocasião, ratificou a tentativa de extorsão à família de Ana Rosa por agentes do DOI, como já denunciado pelo irmão dela, Bernardo Kucinski. Ainda, em 7 de fevereiro de 2014, em novo depoimento, Marival confirmou que Ana Rosa e Wilson foram levados para Petrópolis pelo coronel do Exército Freddie Perdigão Pereira.1 Complementando as informações sobre o desaparecimento de Ana Rosa e Wilson, o exdelegado da Polícia Civil do Espírito Santo, Cláudio Guerra, por meio do livro Memórias de uma Guerra Suja, publicado em 2012, afirmou ter participado da incineração de corpos de presos políticos na Usina Cambahyba, em Campos (RJ), que pertencia ao ex-deputado federal e ex-vice-governador do Estado do Rio de Janeiro, Heli Ribeiro Gomes. A CNV realizou perícia no local com o ex-delegado Cláudio Guerra e, ainda que não tenha sido possível encontrar evidências concretas do uso dos fornos para os fins declinados, verifica-se a plausibilidade desta versão diante de dois elementos principais: a) tamanho dos fornos; b) data de construção dos fornos, em 1974. Sobre Ana Rosa Kucinski e Wilson Silva, Cláudio Guerra detalhou: Eu me lembro muito bem do casal, Ana Rosa Kucinski e Wilson Silva, por conta de um incidente no caminho entre a rua Barão de Mesquita e a usina. Eu e o sargento Levy, do DOI, fomos levar seus corpos. Os dois estavam completamente nus. A mulher apresentava muitas marcas de mordida no corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente. O jovem não tinha as unhas da mão direita. Tudo levava a crer que tinham sido torturados. Não havia perfuração de bala neles. Quem morre de tiro não sofre. Morte por tortura é muito mais desumano. Eu não prestava muita atenção nos cadáveres que transportava. Até porque eles nos eram entregues dentro de um saco. O problema é que, quando estávamos indo do Rio em direção a Campos, já quase chegando lá, bem naquela reta da estrada, o Chevette que viajávamos simplesmente pegou fogo. Os corpos do casal não tinham sido afetados pelo incêndio do carro. O que fizemos? Simplesmente saímos do veículo. Naquela época não havia celular, era tudo mais difícil. O sargento Levy pegou carona até um telefone público, ligou para a usina [Usina Cambahyba] e eles vieram nos resgatar na estrada. Segundo outro depoimento de Claudio Guerra, prestado à CNV em julho de 2014, a equipe do coronel Freddie Perdigão teria sido responsável pelas mortes de Ana Rosa e de Wilson. Até a presente data, entretanto, Wilson Silva permanece desaparecido por ação de agentes do Estado.

Wilson Silva was 32 years old when, in the company of his wife Ana Rosa Kucinski, he was arrested by repression agents, on April 22, 1974, in São Paulo (SP). Since then, the Brazilian State has presented different positions regarding the arrest and disappearance of Wilson and Ana Rosa. At first, the State refused to provide any information, due to the failure to recognize the arrest of the militant couple. In February 1975, the then minister of justice, Armando Falcão, made public an official note, in which the names of Wilson Silva and Ana Rosa Kucinski are mentioned as “fugitive terrorists”. However, in 1993, almost two decades after the arrest of Wilson and Ana Rosa, the Navy report, sent to the Ministry of Justice, confirmed that Wilson had been “arrested in São Paulo on 4/22/1974, and reported missing since then”. According to statements collected by the families of Wilson Silva and Ana Rosa Kucinski, on April 22, 1974, around noon, the couple had scheduled lunch at a restaurant located near Praça da República, in the center of São Paulo. Wilson, who worked at the company Servix, said goodbye to a co-worker, Osmar Miranda Dias, and went to meet his wife. Ana, too, communicated her plans to her Department colleagues, and headed to Praça da República. Since then, the couple has not been seen again. On the same day, the Silva and Kucinski families, alerted by Ana Rosa's co-workers, took steps to locate the two militants. Lawyer Aldo Lins e Silva filed a habeas corpus petition in favor of Ana Rosa and Wilson, however, based on AI-5, the request was denied. In short: no military or police unit recognized the couple's arrest. At the same time, other political initiatives were set in motion. The then Cardinal of São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, obtained an audience with the head of the Civil House of the Geisel government, General Golbery do Couto e Silva. At the meeting, held in the federal capital on August 7, 1974, an intense investigation by the government was promised. Four months later, given the lack of concrete information about the case, the OAS Human Rights Commission was contacted, to which the Brazilian government responded about the State's lack of responsibility. Despite the impossibility of obtaining reliable information, the families insisted on fighting for the right to know what had happened to Wilson Silva and Ana Rosa Kucinski. For this purpose, they asked the State Department of the US government for information about the couple's fate, which responded through the American Jewish Communitee and the American Jewish Congress. Regarding Ana Rosa, they stated that she was alive. As for Wilson, he said they did not know his whereabouts. It was also in these terms that, on December 18, 1974, the family received the last formal communication about the case. Over the years, different versions have been released regarding the disappearance of the two militants. One of these versions can be found in the statement given to IstoÉ magazine by medical lieutenant Amílcar Lobo, who collaborated with the DOI-CODI of the 1st Army and also worked in the clandestine apparatus known as Casa da Morte, in Petrópolis (RJ). In the article entitled “Far from the Final Point”, dated April 8, 1987, he reported on the murders he had witnessed at the Casa da Morte and at the DOI-CODI of the 1st Army. When contacted by journalist Bernardo Kucinski, Ana Rosa's brother, on May 31, 1987, Lobo mentioned remembering Wilson Silva from Casa da Morte, but did not formally admit it. Similarly, it was Bernardo Kucinski, who provided the following clarifications, through a request to CEMDP, about the disappearance of his sister and brother-in-law, based on statements by the repression agent, José Rodrigues Gonçalves, given to journalist Mônica Bérgamo, from Veja magazine, in a 1993 interview: My sister and her husband Wilson Silva were arrested on the afternoon of April 22, 1974, by the DOI-CODI agent codenamed Paulo da Silva Júnior, when they were returning to their residence. This agent's real name is José Rodrigues Gonçalves, a retired Army corporal. My sister and brother-in-law were taken in the early hours of the same day to Petrópolis by police officers Ênio Pimentel da Silveira and Sérgio Paranhos Fleury, both now dead. Mr. Paulo [Henrique] Sawaya [Filho], in the presumed capacity of an agent of the repression service, informed me, on January 3, 1975, that my sister had actually been arrested by the security agencies in São Paulo and transferred from the jurisdiction of the II Army. He had to give me details the next day, when, scared, he denied everything. Mr. Paulo Sawaya became an advisor to federal deputy Delfim Neto. In a statement given to the CNV on October 30, 2012, by Marival Chaves Dias do Canto, it was explained that Ana Rosa Kucinski and Wilson Silva were taken to the Casa da Morte while still alive. On May 10, 2013, he gave another statement to the CNV, when he stated that Ana Rosa, Wilson and other ALN militants were arrested after a complaint from undercover agent João Henrique Ferreira de Carvalho, known as “Jota”, who later started working as a doctor in Brasília. On that occasion, he ratified the attempted extortion of Ana Rosa's family by DOI agents, as already denounced by her brother, Bernardo Kucinski. Furthermore, on February 7, 2014, in a new statement, Marival confirmed that Ana Rosa and Wilson were taken to Petrópolis by Army Colonel Freddie Perdigão Pereira.1 Complementing the information about the disappearance of Ana Rosa and Wilson, the former delegate of the Civil Police of Espírito Santo, Cláudio Guerra, through the book Memórias de uma Guerra Suja, published in 2012, claimed to have participated in the incineration of bodies of political prisoners at the Plant Cambahyba, in Campos (RJ), which belonged to the former federal deputy and former vice-governor of the State of Rio de Janeiro, Heli Ribeiro Gomes. The CNV carried out an on-site investigation with former delegate Cláudio Guerra and, although it was not possible to find concrete evidence of the use of the ovens for the proposed purposes, the plausibility of this version can be verified in view of two main elements: a) size of the ovens; b) date of construction of the furnaces, in 1974. About Ana Rosa Kucinski and Wilson Silva, Cláudio Guerra detailed: I remember the couple very well, Ana Rosa Kucinski and Wilson Silva, because of an incident on the way between Rua Barão de Mesquita and the plant. Sergeant Levy, from the DOI, and I went to take their bodies. They were both completely naked. The woman had many bite marks on her body, perhaps because she had been sexually assaulted. The young man did not have nails on his right hand. Everything led to the belief that they had been tortured. There were no bullet holes in them. Anyone who dies from a gunshot does not suffer. Death by torture is much more inhumane. I didn't pay much attention to the corpses I was transporting. Especially because they were delivered to us in a bag. The problem is that, when we were heading from Rio towards Campos, almost getting there, right on that stretch of the road, the Chevette we were traveling on simply caught fire. The couple's bodies had not been affected by the car fire. What did we do? We simply got out of the vehicle. At that time there were no cell phones, everything was more difficult. Sergeant Levy hitched a ride to a pay phone, called the plant [Usina Cambahyba] and they came to rescue us on the road. According to another statement by Claudio Guerra, provided to the CNV in July 2014, Colonel Freddie Perdigão's team was responsible for the deaths of Ana Rosa and Wilson. To date, however, Wilson Silva remains missing due to state agents.

Wilson Silva tenía 32 años cuando, en compañía de su esposa Ana Rosa Kucinski, fue detenido por agentes de la represión, el 22 de abril de 1974, en São Paulo (SP). Desde entonces, el Estado brasileño ha presentado diferentes posiciones respecto de la detención y desaparición de Wilson y Ana Rosa. En un primer momento, el Estado se negó a brindar información alguna, debido a que no reconoció la detención de la pareja de militantes. En febrero de 1975, el entonces ministro de Justicia, Armando Falcão, hizo pública una nota oficial en la que se mencionan los nombres de Wilson Silva y Ana Rosa Kucinski como “terroristas fugitivos”. Sin embargo, en 1993, casi dos décadas después del arresto de Wilson y Ana Rosa, el informe de la Marina, enviado al Ministerio de Justicia, confirmó que Wilson había sido “arrestado en São Paulo el 22/4/1974 y reportado como desaparecido desde entonces”. Según declaraciones recogidas por las familias de Wilson Silva y Ana Rosa Kucinski, el 22 de abril de 1974, hacia el mediodía, la pareja tenía programado un almuerzo en un restaurante ubicado cerca de la Praça da República, en el centro de São Paulo. Wilson, quien trabajaba en la empresa Servix, se despidió de un compañero de trabajo, Osmar Miranda Días, y fue a encontrarse con su esposa. Ana también comunicó sus planes a sus compañeros del Departamento y se dirigió a la Praça da República. Desde entonces, no se ha vuelto a ver a la pareja. Ese mismo día, las familias Silva y Kucinski, alertadas por los compañeros de trabajo de Ana Rosa, tomaron medidas para localizar a los dos militantes. El abogado Aldo Lins e Silva presentó un recurso de hábeas corpus a favor de Ana Rosa y Wilson, sin embargo, con base en AI-5, el pedido fue denegado. En resumen: ninguna unidad militar o policial reconoció la detención de la pareja. Al mismo tiempo, se pusieron en marcha otras iniciativas políticas. El entonces cardenal de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, obtuvo audiencia con el jefe de la Casa Civil del gobierno de Geisel, general Golbery do Couto e Silva. En la reunión, celebrada en la Capital Federal el 7 de agosto de 1974, se prometió una intensa investigación por parte del gobierno. Cuatro meses después, ante la falta de información concreta sobre el caso, se contactó a la Comisión de Derechos Humanos de la OEA, a lo que el gobierno brasileño respondió sobre la falta de responsabilidad del Estado. Pese a la imposibilidad de obtener información confiable, las familias insistieron en luchar por el derecho a saber qué había pasado con Wilson Silva y Ana Rosa Kucinski. Para ello solicitaron información sobre el destino de la pareja al Departamento de Estado del gobierno estadounidense, el cual respondió a través de la Comunidad Judía Estadounidense y el Congreso Judío Estadounidense. Respecto a Ana Rosa, afirmaron que se encontraba viva. En cuanto a Wilson, dijo que desconocían su paradero. Fue también en estos términos que, el 18 de diciembre de 1974, la familia recibió la última comunicación formal sobre el caso. A lo largo de los años se han difundido distintas versiones sobre la desaparición de los dos militantes. Una de esas versiones se encuentra en la declaración dada a la revista IstoÉ por el teniente médico Amílcar Lobo, quien colaboró ​​con el DOI-CODI del 1º Ejército y también trabajó en el aparato clandestino conocido como Casa da Morte, en Petrópolis (RJ). En el artículo titulado “Lejos del punto final”, de 8 de abril de 1987, informaba de los asesinatos que había presenciado en la Casa da Morte y en el DOI-CODI del 1.º Ejército. Contactado por el periodista Bernardo Kucinski, hermano de Ana Rosa, el 31 de mayo de 1987, Lobo mencionó recordar a Wilson Silva de la Casa da Morte, pero no lo admitió formalmente. Asimismo, fue Bernardo Kucinski, quien brindó las siguientes aclaraciones, a través de una solicitud al CEMDP, sobre la desaparición de su hermana y su cuñado, con base en declaraciones del agente represor, José Rodrigues Gonçalves, dadas a la periodista Mônica Bérgamo, de la revista Veja, en una entrevista de 1993: Mi hermana y su esposo Wilson Silva fueron detenidos la tarde del 22 de abril de 1974 por el agente del DOI-CODI cuyo nombre en clave era Paulo da Silva Júnior, cuando regresaban a su residencia. El verdadero nombre de este agente es José Rodrigues Gonçalves, cabo retirado del Ejército. Mi hermana y mi cuñado fueron llevados en las primeras horas del mismo día a Petrópolis por los agentes de policía Ênio Pimentel da Silveira y Sérgio Paranhos Fleury, ambos ya muertos. El señor Paulo [Henrique] Sawaya [Filho], en su presunta calidad de agente del servicio de represión, me informó, el 3 de enero de 1975, que mi hermana había sido efectivamente arrestada por los organismos de seguridad de São Paulo y trasladada fuera de la jurisdicción del II Ejército. Tuvo que darme detalles al día siguiente, cuando, asustado, negó todo. Paulo Sawaya se convirtió en asesor del diputado federal Delfim Neto. En declaración dada a la CNV el 30 de octubre de 2012 por Marival Chaves Dias do Canto, se explicó que Ana Rosa Kucinski y Wilson Silva fueron llevados a la Casa da Morte en vida. El 10 de mayo de 2013, brindó otra declaración ante la CNV, cuando afirmó que Ana Rosa, Wilson y otros militantes de la ALN fueron detenidos tras una denuncia del agente encubierto João Henrique Ferreira de Carvalho, conocido como “Jota”, quien luego comenzó a trabajar como médico en Brasilia. En aquella oportunidad ratificó el intento de extorsión a la familia de Ana Rosa por parte de agentes del DOI, como ya denunció su hermano, Bernardo Kucinski. Además, el 7 de febrero de 2014, en un nuevo comunicado, Marival confirmó que Ana Rosa y Wilson fueron llevados a Petrópolis por el Coronel del Ejército Freddie Perdigão Pereira.1 Complementando la información sobre la desaparición de Ana Rosa y Wilson, el ex delegado de la Policía Civil de Espírito Santo, Cláudio Guerra, a través del libro Memórias de uma Guerra Suja, publicado en 2012, afirmó haber participado en la incineración de cuerpos de presos políticos en la Usina Cambahyba, en Campos (RJ), que pertenecía al ex diputado federal y ex vicegobernador del Estado de Río de Janeiro, Heli Ribeiro Gomes. La CNV realizó una investigación in situ con el ex delegado Cláudio Guerra y, aunque no fue posible encontrar evidencia concreta del uso de los hornos para los fines propuestos, la verosimilitud de esta versión puede verificarse en vista de dos elementos principales: a) tamaño de los hornos; b) fecha de construcción de los hornos, en 1974. Sobre Ana Rosa Kucinski y Wilson Silva, Cláudio Guerra detalló: Recuerdo muy bien a la pareja, Ana Rosa Kucinski y Wilson Silva, por un incidente en el camino entre la Rua Barão de Mesquita y la planta. El sargento Levy, del DOI, y yo fuimos a recoger sus cuerpos. Ambos estaban completamente desnudos. La mujer tenía muchas marcas de mordeduras en el cuerpo, tal vez porque había sido agredida sexualmente. El joven no tenía clavos en la mano derecha. Todo hacía creer que habían sido torturados. No tenían agujeros de bala. Quien muere por un disparo no sufre. La muerte por tortura es mucho más inhumana. No presté mucha atención a los cadáveres que transportaba. Sobre todo porque nos los entregaron en una bolsa. El problema es que, cuando íbamos desde Río hacia Campos, casi llegando, justo en ese tramo de la carretera, la Chevette en la que viajábamos simplemente se incendió. Los cuerpos de la pareja no resultaron afectados por el incendio del coche. ¿Qué hicimos? Simplemente nos bajamos del vehículo. En esa época no había celulares, todo era más difícil. El sargento Levy hizo autostop hasta un teléfono público, llamó a la planta [Usina Cambahyba] y vinieron a rescatarnos en el camino. Según otra declaración de Claudio Guerra, proporcionada a la CNV en julio de 2014, el equipo del coronel Freddie Perdigão fue responsable de la muerte de Ana Rosa y Wilson. Sin embargo, hasta la fecha Wilson Silva continúa desaparecido debido a agentes estatales.

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Wilson Silva desapareceu em 22 de abril de 1974, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela Ditadura Militar, implantada no país, a partir de abril de 1964. Barão de Mesquita e a usina. Eu e o sargento Levy, do DOI, fomos levar seus corpos. Os dois estavam completamente nus. A mulher apresentava muitas marcas de mordida no corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente. O jovem não tinha as unhas da mão direita. Tudo levava a crer que tinham sido torturados. Não havia perfuração de bala neles. Quem morre de tiro não sofre. Morte por tortura é muito mais desumano. Eu não prestava muita atenção nos cadáveres que transportava. Até porque eles nos eram entregues dentro de um saco. O problema é que, quando estávamos indo do Rio em direção a Campos, já quase chegando lá, bem naquela reta da estrada, o Chevette que viajávamos simplesmente pegou fogo. Os corpos do casal não tinham sido afetados pelo incêndio do carro. O que fizemos? Simplesmente saímos do veículo. Naquela época não havia celular, era tudo mais difícil. O sargento Levy pegou carona até um telefone público, ligou para a usina [Usina Cambahyba] e eles vieram nos resgatar na estrada […]”. Ex-delegado da Polícia Civil Santo – Cláudio Guerra. Depoimentos prestados à CNV entre 2012 e 2014. Arquivo da CNV: 00092.001686/2014-88; 00092.000616/2014-11; 00092.001190/2012-42; 00092.003155/2014-20. Confirmação das informações publicadas em livro e reportagens na imprensa. Apontamento de Freddie Perdigão como responsável pela morte de Ana Rosa e Wilson. Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de Wilson Silva, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a localização de seus restos mortais e identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Wilson Silva disappeared on April 22, 1974, in the context of systematic human rights violations promoted by the Military Dictatorship, implemented in the country, from April 1964. Barão de Mesquita and the plant. Sergeant Levy, from the DOI, and I went to take their bodies. They were both completely naked. The woman had many bite marks on her body, perhaps because she had been sexually assaulted. The young man did not have nails on his right hand. Everything led to the belief that they had been tortured. There were no bullet holes in them. Anyone who dies from a gunshot does not suffer. Death by torture is much more inhumane. I didn't pay much attention to the corpses I was transporting. Especially because they were delivered to us in a bag. The problem is that, when we were heading from Rio towards Campos, almost getting there, right on that stretch of the road, the Chevette we were traveling on simply caught fire. The couple's bodies had not been affected by the car fire. What did we do? We simply got out of the vehicle. At that time there were no cell phones, everything was more difficult. Sergeant Levy hitched a ride to a public telephone, called the plant [Usina Cambahyba] and they came to rescue us on the road […]”. 00092.000616/2014-11; 00092.001190/2012-42; 00092.003155/2014-20. It is recommended that Wilson Silva's death certificate be corrected. continuity of investigations into the circumstances of the case, to locate his remains and identify and hold the other agents involved accountable.

En vista de las investigaciones realizadas, se concluye que Wilson Silva desapareció el 22 de abril de 1974, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos promovidas por la Dictadura Militar, implementada en el país, a partir de abril de 1964. Barão de Mesquita y la planta. El sargento Levy, del DOI, y yo fuimos a recoger sus cuerpos. Ambos estaban completamente desnudos. La mujer tenía muchas marcas de mordeduras en el cuerpo, tal vez porque había sido agredida sexualmente. El joven no tenía clavos en la mano derecha. Todo hacía creer que habían sido torturados. No tenían agujeros de bala. Quien muere por un disparo no sufre. La muerte por tortura es mucho más inhumana. No presté mucha atención a los cadáveres que transportaba. Sobre todo porque nos los entregaron en una bolsa. El problema es que, cuando íbamos desde Río hacia Campos, casi llegando, justo en ese tramo de la carretera, la Chevette en la que viajábamos simplemente se incendió. Los cuerpos de la pareja no resultaron afectados por el incendio del coche. ¿Qué hicimos? Simplemente nos bajamos del vehículo. En esa época no había celulares, todo era más difícil. El sargento Levy hizo autostop hasta un teléfono público, llamó a la planta [Usina Cambahyba] y vinieron a rescatarnos en el camino […]”. 00092.000616/2014-11; 00092.001190/2012-42; 00092.003155/2014-20. Se recomienda corregir acta de defunción de Wilson Silva. Continuidad de las investigaciones sobre las circunstancias del caso, para localizar sus restos e identificar y responsabilizar a los demás agentes implicados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO