Foto de Wilton Ferreira

Wilton
Ferreira

? - 1972

Wilton Ferreira morreu no dia 30 de março de 1972, durante operação policial realizada em uma garagem na Rua Silva Vale, no 55, no bairro de Cavalcanti, Rio de Janeiro. O local funcionava como oficina mecânica da organização política VAR-Palmares, onde os carros utilizados pela organização eram pintados, os motores recebiam números falsos e as placas eram trocadas.

A operação foi realizada por agentes do Destacamento de Operações e Informações (DOI) do I Exército, e contou com o apoio do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) do Rio de Janeiro e da Polícia Militar. Além de Hilton, encontravam-se no local outras duas pessoas: seu sobrinho, preso no momento da ação e um militante da VAR-Palmares de codinome Baiano, que conseguiu fugir. Embora não fosse integrante da VAR-Palmares nem tivesse envolvimento anterior com militância política, Wilton estava no aparelho pois residia e tomava conta do local a pedido de James Allen Luz.

A versão divulgada à época pelos órgãos oficiais do Estado sustentava que Wilton havia sido morto em tiroteio ao reagir à ação dos órgãos de segurança. Contudo, a partir das investigações documentais empreendidas, pôde-se concluir que Wilton morreu após ter sido atingido por tiros disparados por agentes da repressão.

Em testemunho prestado à Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (CEV-RJ), Hélio da Silva, exmilitante da VAR-Palmares levado pelos agentes do DOI-CODI para o referido aparelho no momento da operação, relatou que Wilton foi executado imediatamente após abrir a porta da oficina para os agentes policiais e morreu imediatamente.

Seu corpo deu entrada no Instituto Médico-Legal (IML) como desconhecido no dia 30 de março de 1972, e foi enterrado como indigente no Cemitério Ricardo de Albuquerque no dia 27 de junho, três meses após a morte. Em 6 de fevereiro de 1978, os restos mortais de Wilton foram encaminhados para um ossário geral e, no início da década de 1980, foram transferidos para uma vala clandestina.

Wilton Ferreira died on March 30, 1972, during a police operation carried out in a garage at Rua Silva Vale, no. 55, in the Cavalcanti neighborhood, Rio de Janeiro. The place operated as a mechanical workshop for the political organization VAR-Palmares, where the cars used by the organization were painted, the engines received false numbers and the license plates were changed.

The operation was carried out by agents from the Operations and Information Detachment (DOI) of the 1st Army, and had the support of the Department of Political and Social Order (DOPS) of Rio de Janeiro and the Military Police. In addition to Hilton, two other people were at the scene: his nephew, arrested at the time of the attack, and a VAR-Palmares activist codenamed Baiano, who managed to escape. Although he was not a member of VAR-Palmares nor had any previous involvement in political activism, Wilton was part of the apparatus as he lived and took care of the place at the request of James Allen Luz.

The version released at the time by official State bodies maintained that Wilton had been killed in a shootout while reacting to the action of security bodies. However, based on the documentary investigations undertaken, it was concluded that Wilton died after being hit by shots fired by repression agents.

In testimony given to the Rio de Janeiro State Truth Commission (CEV-RJ), Hélio da Silva, a former VAR-Palmares member taken by DOI-CODI agents to the aforementioned device at the time of the operation, reported that Wilton was executed immediately after opening the workshop door to the police agents and died immediately.

His body was admitted to the Instituto Médico-Legal (IML) as unknown on March 30, 1972, and was buried as a pauper in the Ricardo de Albuquerque Cemetery on June 27, three months after his death. On February 6, 1978, Wilton's remains were sent to a general ossuary and, in the early 1980s, they were transferred to a clandestine grave.

Wilton Ferreira murió el 30 de marzo de 1972, durante un operativo policial llevado a cabo en un garaje de la Rua Silva Vale, núm. 55, en el barrio Cavalcanti, Río de Janeiro. El lugar funcionaba como taller mecánico de la organización política VAR-Palmares, donde se pintaban los autos utilizados por la organización, los motores recibían números falsos y se cambiaban las placas.

La operación fue realizada por agentes del Destacamento de Operaciones e Información (DOI) del 1.º Ejército, y contó con el apoyo del Departamento de Orden Político y Social (DOPS) de Río de Janeiro y de la Policía Militar. Además de Hilton, en el lugar se encontraban otras dos personas: su sobrino, detenido en el momento del ataque, y un activista del VAR-Palmares apodado Baiano, que logró escapar. Si bien no era miembro del VAR-Palmares ni tenía ningún involucramiento previo en el activismo político, Wilton era parte del aparato ya que vivía y cuidaba el lugar por pedido de James Allen Luz.

La versión difundida en su momento por organismos oficiales del Estado sostenía que Wilton había sido asesinado en un tiroteo mientras reaccionaba a la acción de los cuerpos de seguridad. Sin embargo, con base en las investigaciones documentales realizadas, se concluyó que Wilton murió luego de ser alcanzado por disparos de agentes represivos.

En testimonio rendido ante la Comisión de la Verdad del Estado de Río de Janeiro (CEV-RJ), Hélio da Silva, exmiembro del VAR-Palmares llevado por agentes del DOI-CODI al mencionado dispositivo en el momento del operativo, informó que Wilton fue ejecutado inmediatamente después de abrir la puerta del taller a los agentes policiales y murió inmediatamente.

Su cuerpo fue ingresado en el Instituto Médico-Legal (IML) como desconocido el 30 de marzo de 1972, y fue enterrado como indigente en el Cementerio Ricardo de Albuquerque el 27 de junio, tres meses después de su muerte. El 6 de febrero de 1978, los restos de Wilton fueron enviados a un osario general y, a principios de los años 1980, fueron trasladados a una fosa clandestina.

Diante das investigações realizadas, conclui-se que Wilton Ferreira morreu em decorrência de ação perpetrada por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar implantada no país a partir de abril de 1964.

Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de Wilton Ferreira, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a localização de seus restos mortais e identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.

In view of the investigations carried out, it is concluded that Wilton Ferreira died as a result of an action perpetrated by agents of the Brazilian State, in the context of systematic human rights violations promoted by the military dictatorship implemented in the country from April 1964.

It is recommended that Wilton Ferreira's death certificate be corrected, as well as continued investigations into the circumstances of the case, to locate his remains and identify and hold the other agents involved accountable.

A la vista de las investigaciones realizadas, se concluye que Wilton Ferreira murió como consecuencia de una acción perpetrada por agentes del Estado brasileño, en el contexto de violaciones sistemáticas de derechos humanos promovidas por la dictadura militar implementada en el país a partir de abril de 1964.

Se recomienda corregir el certificado de defunción de Wilton Ferreira, así como continuar con las investigaciones sobre las circunstancias del caso, para localizar sus restos e identificar y responsabilizar a los demás agentes involucrados.

*Texto retirado de memoriasdaditadura.org.br

ORDEM E PROGRESSO