Foto de Soledad

Foto de Soledad disponível no Arquivo Nacional

SOLEDAD
BARRETT
VIEDMA

06/01/1945 - 1973
Militante VPR

Soledad nasceu no Paraguai e teve a sua vida muito conturbada desde criança, uma vez que seus pais (Deolinda Viedma Ortiz e Alex Rafael Barrett) e seu avô (Rafael Barrett) eram militantes de esquerda e constantemente tinham que mudar de país por questões de segurança.

Em razão das perseguições sofridas, a família fugiu do Paraguai para a Argentina quando Soledad tinha apenas três meses de idade, e lá permaneceu por quatro anos.

Regressaram então para o Paraguai, mas voltaram a se exilar, dessa vez no Uruguai, para escapar da ditadura de Stroessner.

Desde a adolescência, Soledad militava no movimento estudantil e se dedicava a atividades artísticas como dançarina folclórica.

Enquanto vivia em Montevidéu, em 1962, com 17 anos, Soledad foi raptada por um grupo neonazista que tentou obrigá-la a gritar palavras de ordem em exaltação a Hitler e contrárias à Revolução Cubana. Como Soledad resistiu, gravaram em sua pele uma cruz gamada.

Soledad corpo

Foto de Soledad disponível no Arquivo Nacional

A partir de então, Soledad passou a ser perseguida e resolveu seguir para Cuba onde recebeu treinamento de guerrilha e conheceu José Maria de Araújo, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) que tinha sido banido do Brasil por ter participado da mobilização dos marinheiros quando era um jovem oficial.

Jornal referente a Soledad

Reportagem do Jornal Época de 1962

Soledad e José Maria se casaram e tiveram uma filha, a quem deram o nome de Ñasaindy de Araújo Barrett.

Em 1970, José Maria retornou ao Brasil para atuar na resistência contra a ditadura e, um ano depois, veio Soledad. Quando chegou ao país, descobriu que José Maria tinha sido morto no DOI-CODI/SP.

Soledad e José Maria

Foto de Soledad com o seu companheiro, José Maria de Araújo.

Soledad se estabeleceu em Pernambuco no contexto de reorganização da VPR no Nordeste e passou a ter um relacionamento afetivo com o “Cabo Anselmo”, com quem vivia em Rio Doce.

Soledad foi uma das vítimas do episódio conhecido como Massacre da Chácara São Bento, em operação articulada a partir da atuação do “Cabo Anselmo” como agente infiltrado.

Suspeita-se que, quando foi morta, Soledad esperava um filho de Anselmo.

Os principais agentes mencionados no caso são:

Sérgio Paranhos Fleury, comandou a operação que capturou e matou sob tortura militantes da VPR;

João Henrique de Carvalho, na condição de agente duplo, delatou os militantes e participou da operação de captura;

Carlos Alberto Augusto, participou da operação que capturou os militantes da VPR.

Soledad morreu durante o mandato de Emílio Garrastazu Médici.

Texto baseado no Terceiro Volume do Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

ORDEM E PROGRESSO